Protagonismo climático ou crise ambiental? A dualidade do Brasil na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2024 – COP29
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O Brasil, um dos países mais biodiversos do mundo e essencial para o equilíbrio climático global, enfrenta um paradoxo que tem chamado a atenção no cenário internacional. Enquanto o governo atual busca o protagonismo na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2024 (COP29), com promessas de não apenas apresentar, mas implantar medidas de mitigação e adaptação climática, o país testemunha um aumento alarmante nos desmatamentos e queimadas em diversas regiões. Temas centrais como a transição energética justa e o financiamento climático estão sendo colocados como pilares para a COP29, mas questões básicas e estruturais, como o controle de queimadas e a preservação ambiental, seguem sendo deixadas para trás. Durante o mês de agosto e o início de setembro, o Brasil vivenciou uma intensificação sem precedentes nos focos de incêndio, levando vários estados a baterem recordes de poluição atmosférica no ranking do IQAir, com os níveis de ar mais poluídos do mundo.
Nos últimos anos, as florestas brasileiras têm sofrido com a intensificação das queimadas, muitas delas deliberadas para abrir espaço para a agropecuária e a grilagem de terras, processo ilegal sustentado pelo último governo através do desmanche de órgãos fiscalizadores e a desburocratização no Código Florestal. Essa constatação é suplantada pelo cientista e pesquisador climático Carlos Nobre. De acordo com o cientista, o mês de agosto do ano passado (2023) enfrentou ventos fortes como este ano, mas teve sete vezes menos focos de incêndio. Segundo Nobre, não há nenhuma explicação natural para o intenso alastramento dos focos de incêndio, além de grande parte ter uma origem criminosa.
Nos cinco primeiros meses de 2024, Amazônia, Caatinga, Cerrado, Pantanal e Mata Atlântica apresentaram números de queimadas maiores do que a média para o período, sendo que na Amazônia e no Cerrado mais que dobrou com relação a média, e a situação no Pantanal é considerada emergencial. A repercussão dos incêndios está superando o território nacional, atraindo repercussão internacional. O pesquisador sênior Mark Parrington, do observatório europeu Copernicus, afirma que os incêndios florestais nos diversos biomas, no ano de 2024, divergem dos demais por indicar uma mudança no padrão, frequência e início da temporada de incêndios.
Em 2025, o mundo estará voltado ao Brasil, já que Belém será a sede da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30). Com a sua aproximação, o governo brasileiro reiterou o compromisso com a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC, em inglês) e pretende apresentá-la até a conferência.
Ativistas climáticos criticam a incapacidade do governo atual de cumprir com todas as promessas relacionadas à pauta ambiental. “O governo não pode esperar até 2025 para colocar a agenda climática em prática.” cita Giovanna Delavia, Articuladora Nacional no Engajamundo. “As pautas sobre desmatamento e queimadas no Brasil são polêmicas que se repetem todos os anos, enquanto a intensificação das mudanças climáticas avança como uma bola de neve. Para que o governo alcance o protagonismo ambiental e climático, além de agir com urgência no cumprimento dos compromissos de redução das emissões de gases de efeito estufa, é essencial consolidar a maior política pública de preservação das florestas no país,” conclui.
Ao longo de 2024, a Associação Engajamundo tem mantido uma agenda de mobilização para pressionar o governo brasileiro a adotar medidas que possam conter a destruição ambiental e garantir o cumprimento de suas metas climáticas, integrando transições justas e equitativas. Com a participação na COP29 – que ocorre em novembro de 2024, a delegação do Engajamundo, composta por 22 jovens diversos das 5 regiões do Brasil, incluindo 6 jovens de territórios indígenas, busca levar essas discussões ao âmbito internacional, abordando temas como transição energética justa, adaptação climática e financiamento climático.

A agenda de cobranças ao governo brasileiro não é algo recente para os jovens do Engajamundo: na COP21, realizada em Paris, em 2015, a delegação do Engajamundo entregou ao governo brasileiro o “Troféu Cara de Pau”. Esse “prêmio” foi concedido como uma forma de protesto contra a postura do Ministério do Meio Ambiente, que, apesar de adotar uma retórica de compromisso com a pauta climática e com o combate ao desmatamento, continuava a implementar políticas que favoreciam a expansão agropecuária e a exploração de recursos naturais, resultando na degradação ambiental.

O coletivo tem sido uma voz ativa das juventudes brasileiras nas discussões dos três principais acordos internacionais em vigor: o Acordo de Paris, a Agenda 2030 e a Nova Agenda Urbana, pressionando os tomadores de decisão para que as demandas e perspectivas das juventudes sejam incorporadas a esses pactos globais.
A delegação do Engajamundo para a COP29 está pronta para levar ao centro das negociações a urgência da criação de políticas públicas que garantam a preservação ambiental e a adaptação climática equitativa. Os jovens têm como objetivo atuar nas frentes de advocacy, comunicação e ativismo de alto impacto sob três eixos temáticos: transição energética justa, adaptação climática e financiamento climático. Além disso, buscam fortalecer parcerias com a América Latina e preparar o terreno para a COP30, em Belém, promovendo avanços nos compromissos climáticos brasileiros.
Para que isso aconteça, a organização conta com um financiamento coletivo, que cobrirá parte dos custos da delegação no Azerbaijão.
“Ocupar espaços de decisão internacionais pode ser muito desafiador para as juventudes, principalmente vindas do Sul Global, já que os custos para viabilizar nossa presença são elevados. Mas, ainda assim, essa presença é essencial para que os processos de decisão contemplem as nossas demandas, e possamos incidir em políticas climáticas mais justas, com olhar para as populações mais vulnerabilizadas e eficazes.” Diz Ana Rosa, Diretora Executiva do Engajamundo.
Para apoiar a representatividade das juventudes brasileiras no maior evento climático do mundo, contribua com o financiamento coletivo do Engajamundo para a COP29 até o dia 10/10 acessando: Aqui
Contato para mais informações
Paulo Galvão: paulogalvao@engajamundo.org
Sara Emanuelly: sara@engajamundo.org
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Por Engajamundo