Líderes indígenas do Brasil, Pacífico e Canadá entregam demandas à presidência da COP30

Durante a maior mobilização indígena do Brasil – o Acampamento Terra Livre (ATL), líderes indígenas apresentaram uma carta com demandas da sociedade civil pelo fim dos combustíveis fósseis e por uma transição energética justa para a presidência da COP30. 

180 organizações indígenas, ambientais e jovens de todo o mundo aderiram à carta coordenada pela 350.org, exigindo urgentemente que a COP30 reafirme o compromisso global pelo fim dos combustíveis fósseis e apoie a implementação de uma transição justa e equitativa para as energias renováveis. O documento foi entregue ao presidente da COP30, André Corrêa do Lago, durante cerimônia no ATL.

O Presidente da COP30 do Brasil, André Corrêa do Lago e a Ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do Brasil, Marina Silva, do Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, participaram do Acampamento Terra Livre (ATL), em Brasília. Sonia Guajajara, do Ministério dos Povos Indígenas (MPI) , também esteve presente com lideranças indígenas. 

Uma declaração de aliança entre indígenas da Amazônia, Pacífico e Austrália rumo à COP30 também foi anunciada no começo do evento. As ações fazem parte do movimento global ‘A resposta somos nós‘, que afirma que os povos indígenas e a demarcação das Terras Indígenas são essenciais na luta contra a crise climática, e exige o fim da era dos combustíveis fósseis. 

Toya Manchineri, Coordenador Geral da COIAB, disse:
“Exigimos o fim da era dos combustíveis fósseis e uma transição energética justa. O presidente da COP30 disse que a conferência deve ser um ponto de virada – Isto só acontecerá quando a autoridade climática dos povos indígenas for ouvida e incorporada nas decisões. A resposta somos nós, todos nós!”

George Nacewa, Pacific Climate Warriors e organizador comunitário da 350.org de Fiji, disse:
“Este é um momento crítico para o nosso povo e a era da deliberação já passou há muito tempo. Precisamos que esta COP seja aquela que lidera a Transição Energética Justa, das palavras à ação. Esta semana, ouvi a sabedoria dos guardiões desta terra e compartilhei a sabedoria dos nossos próprios oceanos. Cabe agora à presidência da COP no Brasil se eles dão ouvidos a esta liderança climática indígena ou nos prendem à catástrofe climática.”

Melina Laboucan-Massimo, fundadora e diretora executiva da Sacred Earth, disse:
“A Sacred Earth tem orgulho de estar hoje aqui em solidariedade com nossos parentes no Acampamento Terra Livre, pois coletivamente pedimos ao presidente designado da COP30 que tome medidas climáticas urgentes e transformadoras. A COP30 representa uma oportunidade única de incentivar a cooperação global para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis e a adoção de energias renováveis. Nessa transição energética, devemos garantir que nossas comunidades não sejam ainda mais excluídas pelas políticas climáticas ou prejudicadas pelo extrativismo.  Estamos ao lado de nossos parentes que estão lutando por seus direitos, defendendo a terra e liderando o caminho a seguir. À medida que testemunhamos a escalada da crise climática, a soberania, os direitos e a liderança indígenas criam caminhos poderosos para uma transição justa – é imperativo que a sabedoria e as vozes indígenas sejam respeitadas na COP30 e além.”

Assine a Petição: Energias renováveis e justiça já!

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Contatos para a imprensa:
No ATL: Mariana Abdalla, +55 21 99823 5563
Remota no Brasil: Rachel Brabbins, rachel.brabbins@350.org, +55 21 98299 8251

Carta na íntegra: 

Sociedade civil exige energia limpa e acessível para todos no centro da agenda da COP30

Carta aberta ao presidente da COP30, André Aranha Corrêa do Lago
Embaixador/Presidente da COP30
Ministério das Relações Exteriores – Palácio do Itamaraty
Secretaria de Clima, Energia e Meio Ambiente
Esplanada dos Ministérios – Bloco H – Anexo I
Brasília, DF  

Vossa Excelência Senhor Embaixador e Presidente da COP30,

Nós, organizações que lutam pela justiça climática e social em todo o mundo, urgentemente demandamos que a COP30 renove o compromisso global e apoie a implementação de uma transição energética justa, ordenada e equitativa, deixando de lado os combustíveis fósseis e adotando energias renováveis. Essa transição deve garantir que as soluções atendam progressivamente às necessidades das populações indígenas, negras, marginalizadas e vulneráveis, ​​e deve acelerar a expansão das energias renováveis ​​de forma a garantir que as nações mais ricas e poluidoras do mundo paguem a sua justa parte, sem agredir a natureza, sem aumentar o desmatamento com a queima de biomassa, e promovendo justiça econômica, social e de gênero.
 
Como mencionado na sua primeira carta como presidente designado da COP30, estamos na metade da década decisiva para a ação climática. No entanto, ao invés de progressos significativos, estamos vivenciando a intensificação de desastres climáticos e do sofrimento humano. Esses eventos não são mais tragédias distantes, mas crises que já atingem os nossos próprios quintais.

A ciência é inequívoca: não há espaço para novas minas de carvão ou campos de petróleo e gás se o mundo quiser limitar o aquecimento a 1,5°C – especialmente em ecossistemas críticos como a Amazônia, onde a COP30 será realizada. Triplicar a capacidade das energias renováveis ​​até 2030 é essencial, mas sem uma eliminação rápida e gerenciada dos combustíveis fósseis, não será suficiente. 

A COP é um dos poucos fóruns onde a sociedade civil pode responsabilizar os governos por ações climáticas significativas e pressionar por acordos legalmente vinculantes que priorizem a população e que sejam justos e equitativos. Contamos com a Presidência da COP30 para garantir que aqueles que sofrem as piores consequências desta crise não sejam novamente marginalizados enquanto as nações mais responsáveis ​​dominam e impedem as negociações.

Para uma transição energética verdadeiramente justa, os governos devem garantir que as práticas extrativistas utilizadas pela indústria dos combustíveis fósseis não sejam replicadas. Se as comunidades forem desalojadas, ou se os trabalhadores da indústria dos combustíveis fósseis forem deixados para trás em nome da transição, ela não será justa. As soluções que colocam nossas comunidades na liderança criam os alicerces para um sistema energético equitativo. Mas sem planos de ação climática ambiciosos e medidas decisivas por parte dos líderes mundiais, a justiça permanecerá fora do alcance. A COP30 pode ser um momento decisivo para consolidar a cooperação multilateral e a solidariedade necessárias para alcançar uma transição energética justa, no ritmo e na profundidade que precisamos – de forma a possibilitar uma transformação equitativa em todo o mundo, através de planos nacionais de ação climática ambiciosos e legalmente vinculantes. 

Como Vossa Excelência bem colocou, as COPs devem de fato ser um ponto de virada. É hora de redistribuir o poder político e econômico, acabar com a dependência dos combustíveis fósseis e construir um futuro baseado na justiça e na sustentabilidade, através da rápida expansão das energias renováveis. Isto só pode ser realizado através da participação ativa e significativa daqueles que representam a verdadeira autoridade moral em relação à proteção do nosso mundo natural: os povos indígenas e as comunidades tradicionais. 


Portanto, através desta carta, exigimos que a Presidência da COP30 use o seu mandato e influência para levar adiante as seguintes demandas:

  1. Potencializar as energias renováveis ​​de forma justa e equitativa
    1. Turbinar as energias renováveis: garantir que o acordo sobre a triplicação da capacidade global das energias renováveis até 2030 seja implementado, substituindo os combustíveis fósseis. As energias renováveis devem ser acessíveis, distribuídas e economicamente viáveis para todos.
    2. Garantir que a transição energética seja totalmente financiada: impulsionar o plano da COP29 rumo à meta de US$ 1,3 trilhões em financiamento climático e acelerar a disponibilização de financiamento público adicional, incluindo subvenções isentas de dívidas – ferramentas necessárias para garantir o acesso universal às energias renováveis simultaneamente à eliminação gradual dos combustíveis fósseis.
    3. Abordar os riscos em se replicar práticas colonialistas: a COP30 deve comprometer-se inequivocamente a acabar com as práticas de exploração e extração que prejudiquem as pessoas e o planeta. Isto requer um firme compromisso com a proteção das comunidades, a defesa dos direitos humanos e a garantia à Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI) em todos os esforços de expansão das energias renováveis ​​e intervenções relacionadas.
  2. Eliminar os combustíveis fósseis para uma transição justa imediata
    1. Bloquear novos combustíveis fósseis: usar a COP30 como um momento decisivo para interromper todos os novos projetos de combustíveis fósseis, especialmente em ecossistemas críticos como a Amazónia. Não haverá florestas em um planeta em chamas.
    2. Reduzir de forma rápida e equitativa: cortar a produção de combustíveis fósseis de forma rápida, ordenada e equitativa, com as nações ricas tomando a dianteira e implementando esse declínio de maneira mais veloz. De acordo com a Agência Internacional de Energia, para permanecer dentro da meta de 1,5°C de aquecimento global, a produção mundial de combustíveis fósseis deve diminuir 55% entre 2023 e 2035 (45% para petróleo e gás, e 72% para carvão).
  3. Promover a liderança indígena e das comunidades tradicionais na COP, pois sem elas não há justiça
    1. Dar lugar à mesa de líderes mundiais: os líderes indígenas e tradicionais devem ocupar um lugar de igualdade e estar lado a lado dos chefes de Estado na COP30.
    2. Dar voz de forma igualitária nas negociações climáticas: os líderes indígenas e tradicionais devem ter um papel direto nas discussões e painéis ministeriais de alto nível, e suas intervenções em plenário devem ter peso igual às dos chefes de Estado. As comunidades que estão na linha da frente dos desastres climáticos devem estar totalmente integradas nos processos de tomada de decisão. Isto é essencial para uma governança climática justa, inclusiva e eficaz.

Confiamos que Vossa Excelência usará o cargo de presidente da COP30 e a responsabilidade que ele proporciona para garantir que o resultado da conferência seja um ponto de inflexão para a justiça climática e social – e vamos responsabilizá-lo por transformar compromissos em ação climática urgente, ambiciosa e justa.


Atenciosamente,

350.org
350 Wisconsin
AbibiNsroma Foundation 

Action Jeunesse pour le Développement (AJED-Congo)

Action non-violente COP21 (ANV-COP21)

Africa Climate and Health Alliance 

African Coalition on Green Growth 

Agua y Energia Consultores

AHOMAR – Associação Homens do Mar da Baía de Guanabara

Aldeia indígena vila Izabel 

Alianza Mexicana contra el Fracking

Alofa Tuvalu

Alternatiba

Alternative des Jeunes pour la préservation et la conservation des Ecosystèmes, de la Biodiversité et de l’Environnement pour le Développement Durable

Amnesty International

Amolese Media Solutions 

AMUPESCAR – Associação das Mulheres na Pesca do Litoral do Rio de Janeiro

Apremavi – Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida

Asociación Ambiente y Sociedad

Associação Alternativa Terrazul

Associação de Silves Pela Preservação Ambiental e Cultural – ASPAC

Associação Soluções Inclusivas Sustentáveis (SIS)

Association Nigerienne des Scouts de l’Environnement (ANSEN)

Association pour la Justice Climatique, l’Environnement et la Nature pour le Développement Durable

Bangladesh Green Environment Research Centre

Bank Climate Advocates 

Barranquilla+20

Calgary Climate Hub Association

CAN Latin America (CANLA)

CAN-Japan

Canadian Association of Physicians for the Environment

Canadian Health Assoc for Sustainability and Equity (CHASE)

Care About Climate

Caribbean Climate Network – Saint Lucia

Caribbean Feminist

Casa Pueblo de Adjuntas

Center for International Environmental Law

Centre for Citizens Conserving Environment & Management (CECIC)

Centre for Climatology and Applied Research 

Centro de Desarrollo Humano. CDH-Honduras. CA,

Christian Aid

Citizens for Public Justice (CPJ)

Citizens’ Climate Lobby Canada

Climate Action Merribek

Climate Action Network (CAN) Africa

Climate Action Network Tanzania

CLIMATE ACTION NETWORK ZIMBABWE

Climate Generation 

Climate Justice Network in the Middle East and North Africa

Climate Justice Saskatoon

CliMates

Conselho Nacional das Populações Extrativistas – CNS

Co-ordination Office of the Austrian Bishops’ Conference for International Development and Mission (KOO)

Coal Action Network Aotearoa

Coalition Climat pour la Biodiversité et le Développement

Coalition for Responsible Energy Development in New Brunswick

Comité Diálogo Ambiental

Community Action Against Plastic Waste (CAPws)

COMMUNITY ACTION FOR HEALTH & DEVELOPMENT 

Conectas Direitos Humanos

Conexiones Climáticas 

Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB)

CooperAcción 

CORASON Coordinadora Regional de Acción Solidaria

Corporate Europe Observatory (CEO)

David Suzuki Foundation

Digo Bikas Institute

Edmonton Climate Hub

Electra Energy

Emmaus International 

Engenera 

Environmental Defence Canada

Equal Right

Equiterre

Fastenaktion (Swiss Lenten Fund)

FBOMS – Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento

For Our Kids Canada

Foro Región Central

Fórum carajás 

Fossielvrij NL

Fridays For Future India

Fundação Esquel Brasil

Future for Future 

Geledés – Instituto da Mulher Negra

GFLAC

Global Sustainable Futures Network CIC

Grand(m)others Act To Save The Planet (GASP) 

Grandmothers Advocacy Network

Green Environment Youth Korea GEYK

GreenLatinos

Greenpeace

Habitat Defenders Africa  (HDA)

Haiti Climate Network 

HelpAge International

Human Environmental Association for Development (HEAD)

IDE: Initiatives for Development and Education

Idec – Instituto de Defesa de Consumidores

IEEE Student Branch IPB University

Initiative for Social Performance in Renewable Energy (INSPIRE)

Innovation pour le Développement et la Protection de l’Environnement 

Instituto 5 Elementos – Educação para a Sustentabilidade

Instituto Árvores Vivas para Conservação e Cultura Ambiental

Instituto Centro de Vida – ICV

Instituto Climainfo

Instituto de Estudos Socioeconômicos – INESC

Instituto de Pesquisa e Formação Indígena – Iepé

Instituto Mapinguari

Instituto Pólis

International Energy Initiative (IEI Brasil)

Islamic Relief Worldwide

Jesuit European Social Centre

JKLPK

Karwan Street School

Kirkens Nødhjelp / Norwegian Church Aid 

Kurytiba Metropole

La Ruta del Clima

Laudato Si’ Movement

Leave it in the Ground Initiative (LINGO)

Legambiente

Liga das Entidades de Pesca do Estado do Rio de Janeiro – LIPESCARJ

MAI FOUNDATION

Marcell D Lodo

Marlene Achoki

Mashamari Environmentalist

MATEPE Foundation

Milieudefensie (Friends of the Earth Netherlands) 

Moroccan Association for Green Economy for the Environment and Climate Justice

Mothers Rise Up

Movimiento Ciudadano Frente al Cambio Climático- MOCICC

Mujer y Medio Ambiente, A.C.

Notre Affaire à Tous

Observatório do Marajó

Oil Change International

Our Kids’ Climate

Pacific Climate Warriors

Pakistan Fisherfolk Forum

Palestinian Institute for Climate Strategy

People of Asia for Climate Solutions

Projeto Hospitais Saudáveis

Projeto Saúde e Alegria

Protect Our Winters New Zealand

Protect Our Winters Taiwan

Publish What You Pay

RAWSA Alliance for African and Arab States

re•generation

Recourse

Rede de Cooperação Amazônica – RCA

REDE DE TRABALHO AMAZÔNICO-GTA

REScoop.eu

ReThink Energy Florida 

Revolusolar

RVNPC/ Rede Vozes Negras pelo Clima. 

Sacred Earth

Saskatchewan Coalition for Sustainable Development

Seniors for Climate Action Now!

SER.

Shanxi Green Youth

Shift: Action for Pension Wealth and Planet Health (a project of Makeway)

SINDPESCA-RJ Sindicato dos Pescadores Profissionais e Pescadores Artesanais do Rio de Janeiro

Sociedad Amigos del Viento

Society of Renewable Energy IPB University

Southern Africa Climate Change Network 

Sustainable Energy Group

SUUDU ANDAL

t.e.j.a.s.

The Climate Reality Project America Latina

Uganda Coalition for Sustainable Development / East African Sustainability Watch Network

Union Farms of Africa (UFA)

Veredas AC

Vessel Project of Louisiana 

Viração Educomunicação

WARDIL

World Friends for Africa Burkina Faso 

WWF International

Yayasan Motivator Pembangunan Masyarakat (MPM)

YSDK (Yayasan Swadaya Dian Khatulistiwa) 

Zimbabwe Climate Change Coalition

Notícia original: 350.org

Fonte:

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