Jovens comunicadores da COP30 protagonizam painel na São Paulo Climate Week

Por Mario Henrique Ferreira Alexandre. Edição Monise Berno

Mais de 42,5 mil pessoas de 195 países participaram da 30ª Conferência do Clima da ONU (COP30) em Belém do Pará. Nesse conjunto, oito integrantes da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Comunicadores (RENAJOC) fizeram parte da delegação da Agência Jovem de Notícias Internacional, coordenada pela organização social Viração Educomunicação. O coletivo produziu mais de 150 conteúdos informativos de diferentes formatos nas Blue, Green e Yellow zones, na Cúpula dos Povos, na Marcha Global por Justiça Climática e durante outras ações na capital paraense, com publicação diária nos sites e redes da AJN em 4 idiomas e da Viração; cinco destes conteúdos foram publicados também no site oficial da COP30.

A experiência de cobertura colaborativa da agenda climática a partir da perspectiva jovem será a tônica do painel “RENAJOC na COP30: aprendizados, desafios e perspectivas para fortalecer a participação juvenil”, que acontece na segunda-feira (3/8), das 10h às 12h, na PUC-SP – Campus Consolação, com os jovens comunicadores. Para participar do diálogo e da dinâmica com os palestrantes, saiba mais e confirme presença na página do evento no Sympla.

O evento gratuito faz parte da 3ª edição da São Paulo Climate Week, evento descentralizado a ser realizado entre os dias 3 e 7 de agosto de 2026. Para conferir a programação completa e descobrir outros debates da SPCW espalhados pela cidade, acesse este link.

O que é a RENAJOC?

A Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Comunicadores reúne adolescentes e jovens de todo o Brasil, com forte presença de indígenas, negros, quilombolas, periferias e LGBTQIA+, em defesa do direito humano à comunicação, que utiliza como ferramenta de fortalecimento da participação juvenil, da democracia e da justiça socioambiental.

Criada em 2008 durante a 1ª Conferência Nacional de Juventude, a rede atua por meio da educomunicação e da educação entre pares, formando jovens para produzir informação, disputar narrativas e atuar politicamente. Ao longo dos anos organizou formações, produções coletivas e parcerias com universidades, ONGs e organismos internacionais; foi premiada internacionalmente em 2012 com o Prêmio Alexander Bodini.

A história da RENAJOC é marcada por coberturas educomunicativas de eventos nacionais e internacionais. Promovidas originalmente pela Viração como forma de ampliar a participação dos mais novos nas negociações climáticas, as coberturas colaborativas contribuem para a formação política dos jovens, que também produzem conteúdos, fomentando a circulação de perspectivas juvenis sobre questões de interesse público.

Desarticulada em 2016, diante de mudanças no cenário político brasileiro para as juventudes, a RENAJOC iniciou sua recomposição em 2024 e hoje se dedica aos desafios emergentes para a mobilização juvenil, especialmente a integridade da informação e o combate à desinformação climática, além de fortalecer a incidência em agendas como justiça climática, equidade étnico-racial e direitos sexuais e reprodutivos.

Em 2025, a cobertura sobre a conferência climática na Amazônia foi a linha de chegada de uma iniciativa da Viração que mobilizou adolescentes e jovens de diferentes regiões em torno da agenda de justiça climática. A Residência Educomunicativa Rumo à COP30, correalizada com o Sesc São Paulo, ofereceu cerca de 30 horas de formação, unindo conteúdo teórico, aprendizado prático e experimentação criativa, sendo fundamental para a preparação dos jovens. Devido ao alto interesse, o projeto contemplou 60 jovens residentes por todo o Brasil entre 140 inscritos.

Lançamento da São Paulo Climate Week

Reprodução/OFUTURO

Parceiros da São Paulo Climate Week se reuniram no alto da Torre Rio Claro Offices, no espaço do hub de descarbonização AYA Earth Partners, para o lançamento da agenda do evento. O encontro foi promovido pela organização OFuturo, principal realizadora da SPCW, na tarde de 2 de julho de 2026.

Em entrevista à AJN, Michel Porcino, diretor-executivo do OFuturo, ressaltou o papel dos jovens na pauta climática: “A Climate Week é super diversa e trabalha com vários públicos e agentes, mas os jovens têm potencial de transformação e de levar a agenda a outro nível.”

“Não acredito nessa história de que o jovem é só o futuro; ele é o presente, e podemos implementar ações juntos já hoje que vão crescer com o tempo.” — Michel Porcino

Segundo Porcino, “são os jovens que de fato conseguem pensar em novas soluções, iniciativas e mobilizar pessoas”, o que envolve muitos fatores, como maior liberdade de imaginação, domínio natural de tecnologias e disponibilidade de tempo. “A gente precisa muito desse apoio na formulação da agenda e na multiplicação nos territórios, nas faculdades, nas famílias, nos lugares que eles ocupam”, concluiu.

Bruna Cerqueira (COP30), Sophie Davies (Embaixadora da Austrália no Brasil) e Michel Porcino (OFUTURO) | Reprodução/OFUTURO

Na abertura do encontro, Porcino celebrou que a SPCW passa a integrar a rede Climate Weeks, formada por fóruns equivalentes espalhados pelo mundo, incluindo o que acabou de ser realizado em Londres, em junho, e a Climate Week NYC (Nova Iorque), que ocorrerá em setembro.

Porfiro anunciou que a programação do evento será baseada na Agenda de Ação da Presidência da COP30, organizada em seis eixos:

  • 1. Transição nos setores de energia, indústria e transporte;
  • 2. Gestão sustentável de florestas, oceanos e biodiversidade;
  • 3. Transformação da agricultura e sistemas alimentares;
  • 4. Construção de resiliência em cidades, infraestrutura e água;
  • 5. Promoção de desenvolvimento humano e social;
  • 6. Finanças, tecnologia e capacitação.

Nesse sentido, a fala de Bruna Cerqueira, que é coordenadora-geral da Agenda de Ação no comando da Cúpula do Clima realizada no Brasil em 2025, relembrou a importância de acelerar a implementação, proteger o multilateralismo e fortalecer a cooperação com a Semana do Clima de São Paulo.

Em sua participação por vídeo, a embaixadora da Austrália no Brasil, Sophie Davies, afirmou que o país da Oceania vai “avançar financiamento” e defendeu o acesso aos recursos pelas vozes na linha de frente das mudanças climáticas. Para ela, também é importante investir na pauta dos oceanos.

Davies, que tomou posse em 2022 como a primeira mulher na principal cadeira das relações entre Brasil e Austrália, destacou a parceria da SPCW com a Presidência da COP, para que o evento local consiga realmente acelerar iniciativas, fazer novos projetos e influenciar os debates e resultados globais.

Painel de Destaque: “Climate Weeks como Ferramenta de Impacto”

Painel “Climate Weeks como Ferramenta de Impacto” | Reprodução/OFUTURO

Mediado pela líder de estratégia e comunicação da AYA Earth Partners, Denise Cocentino, o painel “Climate Weeks como Ferramento de Impacto” apresentou reflexões sobre os aprendizados da London Climate Action Week e o papel das semanas do clima no fortalecimento da agenda climática, com foco nas oportunidades para o contexto brasileiro. Formado inteiramente por mulheres, mostrou o protagonismo feminino nesse debate.

Em sua participação, a diretora-executiva da LaClima, Caroline Rocha, também fundadora da Rede Amazônidas pelo Clima, afirmou que “grandes eventos têm potencial importante de avançar a pauta” e enxerga a SPCW como uma “âncora do Sul Global” no debate climático.

Segundo Rocha, espaços informais de articulação e debate ajudam a construir o que é decidido nas COPs. Ao mesmo tempo, possuem o diferencial de não precisar se limitar à agenda de negociação da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC). “A gente tem muito mais liberdade para moldar a agenda de ação da sociedade”, destacou Rocha, que incentivou usar a imaginação nesse processo. “O processo de diplomacia climática é sempre criativo, vamos ser criativos”, concluiu.

“Não tem nenhum outro evento tão expressivo como a São Paulo Climate Week no Sul Global. Podemos aproveitar este espaço para se tornar político também, não apenas voltado a negócios” — Caroline Rocha

Participantes do lançamento da SPCW | Reprodução/OFUTURO

O painel também contou com Flora Bitancourt, líder da World Climate Foundation no Brasil. Em suas palavras, a SPCW é um “espaço para a conversa não morrer e precisar reiniciar sempre, mas continuar o ano todo e acelerar a ação climática”.

A organização liderada por Bitancourt também realiza anualmente a “COP das empresas e investidores”, como é conhecida a World Climate Summit. “Sentir que essas conversas não se perdem e podem influenciar negociações é super interessante”, acrescentou.

Ela ainda destacou que esses eventos “alimentam os próximos Balanços Globais”, se referindo ao potencial de aumentar o progresso do mundo no combate às mudanças climáticas, avaliado de forma contínua pela UNFCCC.

Caroline Rocha (LaClima), Flora Bitancourt (WCF), Isabel Ferreira (AYA), Denise Cocentino (AYA) | Reprodução/OFUTURO

Também participou do debate Isabel Ferreira, diretora-executiva da AYA Earth Partners, que é uma parceira na realização da Semana e sediou o lançamento oficial. Ela tratou sobre as negociações climáticas e enfatizou a importância da diversidade.

“Gostaríamos que todos tivessem voz no Mapa do Caminho”, se referindo ao processo iniciado na COP30 de elaboração de uma política global que chegue a um consenso para nos afastarmos definitivamente dos combustíveis fósseis. Sobre a São Paulo Climate Week, afirmou que o processo foi construído com “todos os atores representados”, afirmando diversidade no processo.

Em sua perspectiva, cada Semana do Clima carrega uma identidade própria. Enquanto a Climate Action Week de Londres (Inglaterra), que é referência na Europa, teria um viés político predominante, o evento de Nova Iorque (Estados Unidos) seria promissor para o terceiro setor, com alta mobilização de capital. Ela destacou São Paulo, por sua vez, como “centro do Sul Global e América Latina”, voltado ao mundo dos negócios.

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