Aqui, compartilho minha jornada no Encontro Nacional de Juventudes, Comunicação e Participação, um momento que me fez sentir viva de novo, rodeada de jovens que, como eu, precisam acreditar em um mundo melhor para continuar em movimento, e para isso não se importam de eles mesmos criarem esse mundo. Foram dias de aprendizados intensos, encontros que me reacenderam por dentro e me fizeram lembrar da minha própria potência.
Por Duda Matias, jovem comunicadora da Agência Jovem de Notícias
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Começo a escrever esse relato com apenas palavras soltas em minha mente, procurando por uma definição que se aproxime ao máximo da realidade, mas é muito difícil encontrar palavras quando estamos falando de experiências sentidas. Participar do Encontro Nacional de Juventudes, Comunicação e Participação (ENJCP) foi um sentimento, algo totalmente subjetivo, por mais presente que eu estivesse durante os cinco dias em São Paulo, tudo se passou como uma grande emoção, com muitos flashs, informações, pessoas. A ficha demorou a cair e para falar a verdade, nem sei se realmente caiu. Eu fui a São Paulo pela primeira vez, sozinha, por causa da comunicação.
Eu sou muito grata ao que a comunicação fez comigo: me tirou a timidez, me permitiu articular melhor minhas falas e pensamentos, me trouxe companhias maravilhosas além da minha cidade, me posicionou em relação ao mundo, me deu um propósito de vida, e agora, me levou para conhecer a maior cidade do Brasil. Poder estar no ENJCP foi um sonho que estava adormecido e desacreditado a um tempo, o sonho de viajar para poder impactar e ser impactada pelas diversas realidades existentes. É engraçado porque eu lembro de ter essa vontade muito forte dentro de mim, era algo que minha alma clamava, algo que eu tinha uma certeza absoluta que eu faria isso acontecer de alguma forma, porém, o tempo passou, as prioridades mudaram, a minha vida tomou um rumo diferente de tudo o que eu acreditava e esse sentimento evaporou muito rápido ao ponto de eu nem me lembrar mais dessa energia, dessa vontade, desse clamor.
Isso era o que eu achava. Acontece que eu deixei de focar nas coisas que a minha alma exclamava para ter (o que foi um erro, vamos lá). Eu deixei isso acontecer e a minha motivação ficava cada vez mais embaçada, mas a comunicação sempre foi algo que me guiou nessa névoa de pensamentos, prioridades e acontecimentos, e foi o que me salvou, quase que literalmente. Continuar nesse caminho, mesmo que a passos lentos por rotas embaçadas e desconhecidas, fez com que eu continuasse em movimento e enxergasse uma luz: o anúncio do ENJCP, convidando jovens comunicadores de todo o Brasil para uma oportunidade de fazer parte da nova RENAJOC (Rede Nacional de Jovens Comunicadores), no qual seria uma chance de conhecer cada vez mais pessoas alinhadas com as pautas sociais, com propósitos parecidos com os meus, com olhares de esperança para esse mundo.
Depois de algumas autossabotagens, muitas conversas internas e algumas outras externas, eu fiz o meu texto de apresentação e consegui enviar. Depois de algumas semanas fui contemplada com um aceite e uma bolsa de 100% que mudaram minha visão sobre minha capacidade, minha escrita, minha participação e ultrapassaram uma barreira dentro de mim que “desembaçou” meus caminhos, foi um sopro na névoa. E, aí foi só esperar ansiosamente para que chegasse setembro e eu tivesse uma experiência totalmente diferente de tudo o que eu já havia vivido :)
Eu não sei vocês, mas eu não estou acostumada a ver, ao meu redor, muitos jovens comunicadores, participativos, preocupados com o planeta e as pessoas (talvez seja culpa dos meus ciclos) e eu sentia/sinto falta disso, de ver jovens com esperança, com propósitos coletivos e sociais, que realmente se interessam em algo além de motivações pessoais. Eu sentia constantemente esse sentimento de desencontro, não-identificação, de pensar diferente, até acontecer o Encontro. A primeira semana de setembro foi eu entrando em vários choques culturais, de comportamento e de visões, foram 100 jovens + o pessoal da organização, todos engajados com algo muito maior do que eles mesmos, e foi a primeira vez que eu estive completamente rodeada de pessoas que claramente existem e resistem por um objetivo em comum muito forte, tornar o mundo melhor. Era nítido a vontade, a motivação e a energia de cada um com suas próprias pautas e comunicações, tão diferentes, mas extremamente interligadas. Foi lindo, inspirador e emocionante.
Foram palestras, formações, confluências, atividades, conversas e trocas muito reais, intensas, frutíferas, que alimentaram minha alma com esperança. Estar em um ambiente focado em comunicação foi o que me fez pensar e sentir na pele “é, é isso que eu realmente quero!” (viajar, conversar e conhecer gente incrível, enquanto falamos sobre formas de tornar nossa realidade mais confortável). Além de todas as dinâmicas, vídeos e entrevistas que fiz junto com a Hillary – jovem comunicadora da AJN também – me sentindo a própria “repórter” sabe? rs. Ter todas essas vivências, foi o que reafirmou minhas vontades profissionais futuras, a primeira barreira que caiu, o primeiro passo certeiro em direção ao que minha alma anseia.
Meus olhos brilharam, meu propósito se tornou mais claro, minha alma voltou a queimar. Foram 5 dias absurdos, com explosões de informações, aprendizados, encontros, dinâmicas, movimentos, pessoas, sentimentos e propósitos. E, na verdade, foi apenas o começo, ainda há muito o que ser feito, ainda há muito há ser trilhado, ainda há muito a ser aprendido, mas foi muito importante sentir de perto a potência que eu mesma tinha esquecido, a potência de um grupo, de pessoas unidos em prol de um mesmo objetivo, a potência da coletividade, do amor e da luta. Amigos da Renajoc e da Viração, foi um prazer conhecer vocês, temos longas rotas a se fazer, mas eu espero que possamos aproveitar da melhor forma que pudermos toda essa trajetória <3







E, galera do mundão, acreditem mais nos jovens, nós somos o presente e o futuro!