Um dia de luta e união: 8M na Ação Educativa

No dia 8 de março, o MUDE com Elas promoveu uma agenda de trocas, reflexões e criação coletiva pré Marcha das Mulheres, que destacou a importância da cultura, da inclusão econômica, da representatividade de mulheres negras e da saúde mental na luta por direitos.

Por Ramona Azevedo, analista de comunicação da Viração

Em um aquecimento para a Marcha das Mulheres, realizada no dia 8 de março, a Ação Educativa abriu suas portas para um encontro com jovens e ativistas, em um convite à mobilização, reflexão e à criação coletiva pelo projeto MUDE com Elas.

Durante toda a tarde, participantes ocuparam a sede da organização para trocas oficinas de cartazes e lambe-lambe e um café que antecipou a saída do grupo para a noite de reivindicações na Avenida Paulista.

Ponto alto do encontro pré Marcha das Mulheres, uma roda de conversa abordou temas da desigualdade social, a democratização da economia e a contínua luta por direitos das mulheres, interligando-os com relatos pessoais que enriqueceram a discussão. A cultura foi apontada como um recurso valioso para combater a desigualdade e promover a inclusão econômica e como a economia pode ser mais integrada a conquistas sociais e políticas públicas, destacando a importância de considerar nessas políticas públicas as questões da juventude, o trabalho e a educação.

A discussão se aprofundou também na questão da representatividade, especialmente na importância de garantir que mulheres negras tenham voz e sejam ouvidas, enfrentando a tendência de suas contribuições serem menosprezadas em ambientes frequentemente dominados por homens brancos. Além disso, discutiu-se a saúde mental e a importância do apoio àqueles que se dedicam a cuidar de outras pessoas, bem como a relevância da auto-organização feminista e dos esforços para combater tanto a colonização quanto a dominação patriarcal. As participantes debateram ainda como as questões de gênero e raça influenciam a criminalização da pobreza e as políticas sobre drogas, evidenciando que mulheres, particularmente as negras, são desproporcionalmente afetadas por essas políticas. Uma diversidade de temas que evidencia a complexidade das questões enfrentadas pelas mulheres no Brasil e a urgência de adotar uma perspectiva que considere as interseções entre essas diferentes questões e promova ações coletivas.

Ao cair da noite, as participantes levaram cartazes feitos durante a oficina de lambe-lambe à Avenida Paulista e juntaram-se a milhares de vozes na Marcha das Mulheres. O ato, um retrato da resistência e celebração da força feminina em todas as suas formas, foi marcado pela energia e pela força coletiva e representou o ápice de um dia repleto de significado.

O dia de mobilização na Ação Educativa reafirmou o papel transformador da educação, do diálogo, da arte na vida de mulheres e na construção de um futuro mais igualitário. Ao tecer juntas as reflexões e marchar juntas pelos seus direitos fundamentais, ficou evidente que a jornada em direção à justiça social, equidade de gênero e racial, e democratização cultural e educacional precisa continuar, impulsionada por solidariedade, cuidado e a resistência coletiva de mulheres em luta.

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