Ultraprocessados podem levar a 57 mil mortes por ano

“Isso se torna especialmente mais grave quando a gente fala de criança” – afirma a nutróloga e pediatra Maria Paula de Albuquerque.

Reprodução Agenda 227

A pediatra e nutróloga Maria Paula de Albuquerque, do Centro de Recuperação e Educação Nutricional (Cren), em entrevista à Revista Brasil (Rádios EBC) alerta para os riscos dos ultraprocessados na alimentação infantil. O Cren é uma das signatárias da Agenda 227 e a nutróloga foi uma das integrantes dos Grupos de Trabalhos relacionados ao Eixo ECA, atuando na elaboração de propostas do Plano País para as áreas de Saúde e Nutrição.

Um levantamento sobre o consumo de ultraprocessados, realizado por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), da Universidade de São Paulo (USP), da Fiocruz e da Universidad de Santiago de Chile, estima que tais produtos podem causar a morte prematura de 57 mil pessoas por ano. Os dados se referem a 2019 e o termo “mortes prematuras” às mortes de pessoas com idade entre 30 e 69 anos.

Na entrevista, Maria Paula destacou: “A gente está enfrentando um cenário não só do aumento da fome, mas também de um aumento importante de doenças e de mortes em função de uma alimentação não adequada em sua qualidade. Isso se torna especialmente mais grave quando a gente fala de criança.”

Outras falas da nutróloga alertam para questões como a da publicidade direcionada aos ultraprocessados: “a gente tem uma legislação que precisa ser rigorosamente aplicada, que é proteger as crianças de propaganda e de um consumo não sustentável” – declara. As propagandas precisam ser melhor direcionadas, incentivando a uma alimentação saudável, ao aleitamento materno etc.

No próprio Guia Alimentar para a população brasileira é possível encontrar referências à publicidade negativa: “A publicidade de alimentos ultraprocessados domina os anúncios comerciais de alimentos, frequentemente veicula informações incorretas ou incompletas sobre alimentação e atinge, sobretudo, crianças e jovens.”

Entre as ações consideradas positivas, Maria Paula destacou o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) que, mesmo sem financiamento adequado, conseguiu avançar, por exemplo, na qualidade dos cardápios das escolas públicas. Para se ter uma ideia de algumas das práticas adotadas, ela ressalta: “as crianças menores de 3 anos não consomem mais açúcar e ultraprocessados, isso foi um avanço dentro dessa política”. Outro ponto em destaque do programa é o da obrigatoriedade de aquisição de 30% dos alimentos diretamente do agricultor familiar, percentual que a pediatra considera que ainda precisa aumentar.

Você pode conferir a íntegra da entrevista nas Rádios EBC/Revista Brasil e/ou abaixo.


Alimentos ultraprocessados

De acordo com o Guia Alimentar para a População Brasileira:

Alimentos ultraprocessados incluem biscoitos recheados e salgadinhos “de pacote”, refrigerantes e macarrão “instantâneo”. A fabricação de alimentos ultraprocessados, feita em geral por indústrias de grande porte, envolve diversas etapas e técnicas de processamento e muitos ingredientes, incluindo sal, açúcar, óleos e gorduras e substâncias de uso exclusivamente industrial.

Ingredientes de uso industrial comuns nesses produtos incluem proteínas de soja e do leite, extratos de carnes, substâncias obtidas com o processamento adicional de óleos, gorduras, carboidratos e proteínas, bem como substâncias sintetizadas em laboratório a partir de alimentos e de outras fontes orgânicas como petróleo e carvão. muitas dessas substâncias sintetizadas atuam como aditivos alimentares cuja função é estender a duração dos alimentos ultraprocessados ou, mais frequentemente, dotá-los de cor, sabor, aroma e textura que os tornem extremamente atraentes.

Descrição da imagem: banner horizontal, contendo foto com fundo azul sobre o qual estão dispostos diferentes tipos de alimentos: hambúrguer, batatas fritas, donuts, biscoitos, balas, casquinhas de sorvete, nuggets, refrigerante, pipoca, entre outros.

Fonte:

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