Precisamos da sociedade civil para vencer a fome, dizem especialistas

Plenária A do G20 destacou urgência para um pacto global contra a pobreza, a partir do protagonismo de movimentos sociais que já estão na linha de frente na luta contra as desigualdades   

Maryana Saldanha e Stephany Corrêa

Participação social não pode estar apenas na plateia. Foi o consenso que prevaleceu na plenária dedicada ao Combate à Fome, Pobreza e Desigualdade, um dos destaques do G20 Social, e que trouxe expoentes da pesquisa e da política voltadas à justiça social. 

O encontro trouxe Wellington Dias, Ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e combate à fome no Brasil; Nosipho Nausca-Jean Jezile, Presidenta do Comitê de Segurança Alimentar (CSA); Ibrahima Coulibaly, Presidente da Organização Pan-Africana de Agricultores (PAFO); e Elisabetta Recine Presidenta do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA). 

Os problemas nunca acontecem de forma isolada: a fome tem relação direta e acentua outros desafios sociais, como a falta de acesso à educação e o desemprego, destacou Wellington Dias.    

“Quem já experimentou a fome sabe que com fome não se aprende, não se busca emprego, pois se busca o que comer. É preciso primeiro resolver o problema da fome, dar o peixe, o anzol e ensinar a pescar”, alertou. O ministro ainda destacou que, em 2023, 24,4 milhões de brasileiros deixaram de estar em situação de insegurança alimentar, mas apesar dos avanços, o país ainda precisa sair do mapa da fome – o governo assumiu o compromisso de alcançar a meta até 2026, afirmou.    

Líderes destacam importância de aliança global contra a fome, e de políticas orientadas pela sociedade civil | Foto: Stephany Corrêa

Colaboração global, soluções locais

Os convidados internacionais da mesa celebraram as políticas do Brasil de combate à fome, mas alertaram para a necessidade de fortalecer programas com  protagonismo local. “Cada país deve ser responsável por alimentar seu próprio povo”, alerta Ibrahima Coulibaly, Presidente da Organização Pan-Africana de Agricultores (PAFO), reforçando que, em muitos países, não há políticas adaptadas às realidades locais. Ele destacou que é preciso implementar estratégias como a agricultura familiar, que possibilita ações orientadas pelas comunidades.
Presidente do Comitê de Segurança Alimentar Mundial, e embaixadora da África do Sul nas Agências das Nações Unidas em Roma, Nosipho Nausca-Jean Jezile também reforçou que o G20 não é apenas um espaço para líderes globais, mas uma plataforma para amplificar as vozes da sociedade civil e enfrentar os desafios da insegurança alimentar. 

Opinião também alinhada às críticas da sociedade civil presentes no evento. Na plateia, Yasmin Gomes, de 26 anos, celebrava o momento de escuta do G20 Social, mas apesar de reconhecer a potência do Brasil sobre o tema, acredita que o desmonte vivido pelas políticas públicas voltadas à segurança alimentar, nos últimos anos, ainda se reflete nos dias atuais, que também mostram que o problema possui uma raiz mais profunda.     

“Momentos como este, no G20 Social, são cruciais para ampliar o debate. Contudo, é fundamental reconhecer que o capitalismo depende da fome para se sustentar. É preciso ir além de políticas pontuais e avançar em reformas estruturais que confrontem essa lógica”, reflete.

Governança técnica e plural

Presidenta do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA), Elisabetta Recine destacou que a verdadeira transformação social só pode ser alcançada quando há uma governança democrática e plural. Nesse contexto, ela reforçou a importância do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA), um espaço histórico que reúne governo e sociedade civil para discutir e propor ações estratégicas no combate à insegurança alimentar.  

Outro ponto crucial mencionado foi a necessidade de justiça fiscal como uma ferramenta para enfrentar as desigualdades. Segundo Elisabeta, uma estrutura tributária mais justa e progressiva pode garantir que recursos sejam redistribuídos para políticas públicas que promovam a segurança alimentar, inclusão social e oportunidades para todos. Ela alertou que, sem a participação ativa da sociedade civil e sem uma justiça fiscal efetiva, qualquer tentativa de erradicar a fome será superficial e insuficiente.  

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Este conteúdo foi produzido durante a cobertura educomunicativa do G20 Social, realizada pela Viração Educomunicação e por jovens participantes da RENAJOC (Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Comunicadores). Uma realização da Viração Educomunicação com apoio da Fundação Friedrich Ebert no Brasil.

Fonte:

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Uma resposta

  1. Análise objetiva do encontro, embora parcial: acredito que outros palestrantes devem ter feito apresentações. Faltam outrossim dados estatísticos comparativos, que ajudariam a verificar o progresso ou regresso dos vários paises, ali representados, com relação à fome e à alimentação, por exemplo nos últimos dez anos.

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