Maceió afunda: impactos decorrentes das práticas extrativistas da Braskem

Nota Institucional sobre as consequências do crime ambiental na capital de Alagoas

Viração Educomunicação e Instituto Pólis,  01 de dezembro, 2023

A Viração Educomunicação e o Instituto Pólis, organizações que atuam na formação, mobilização e engajamento social de adolescentes e jovens em Maceió, vêm a público manifestar profunda solidariedade à população dos territórios afetados pelos recentes eventos relacionados aos impactos decorrentes das práticas extrativistas da Braskem.

  O trabalho com estes jovens,  muitos dos quais foram direta ou indiretamente impactados pelas ações da mineradora, nos permite compreender a gravidade da situação e a necessidade de ações urgentes para garantir a segurança, a assistência social e a saúde da população afetada.  É impreterível que as autoridades competentes investiguem e responsabilizem criminalmente os responsáveis pelos impactos decorrentes das práticas extrativistas da Braskem em Maceió.

A capital alagoana vive um verdadeiro caos. Um cenário que assombra famílias, apaga histórias e destrói bairros inteiros que estão sendo afundados pela ganância capitalista. Os impactos ambientais e sociais causados pela exploração predatória de sal-gema feita pela mineradora Braskem durante décadas em Maceió não param, e nos últimos dias foram registrados novos abalos nas proximidades do campo do CSA (um dos principais times de futebol de Maceió), no bairro do Mutange. Em nota publicada na última quarta-feira (29) a Defesa Civil de Maceió informou que os últimos sismos ocorridos se intensificaram e houve um agravamento do quadro na região já desocupada. Ainda, segundo a nota, estudos mostram que há risco iminente de colapso em uma das minas monitoradas. A situação já vem gerando consequências severas e a direção do Hospital Sanatório, localizado no bairro do Pinheiro – um dos cinco bairros afetados pelo crime ambiental provocado pela mineradora em Maceió – começou a transferir seus pacientes para outras unidades de saúde na noite do dia 29 de novembro.

Conforme apurou o portal de notícias UOL junto à Defesa Civil de Maceió, o terreno onde se localiza a mina número 18 da Braskem está cedendo aproximadamente 5 centímetros por horae a cratera aberta pelo desabamento pode chegar a 300 metros de diâmetro. A população mais próxima do colapso está há 2 quilômetros de distância, e há risco de tremores de terra no momento do desabamento. A recomendação é que pessoas, veículos e embarcações  evitem transitar na região até nova atualização do órgão.

A exploração inadequada de sal-gema feita pela mineradora Braskem em Maceió deu origem ao que muitos especialistas apontam como o maior crime ambiental do mundo e provocou o afundamento do solo, rachaduras nas casas e abriu crateras pelas ruas de 5 bairros de Maceió Bebedouro, Pinheiro, Mutange, Bom Parto e parte do Farol. São mais de 200 mil pessoas diretamente afetadas em Maceió, sem direito a indenização justa, sem participação nos termos do acordo de compensação financeira, famílias que foram obrigadas a deixar tudo para trás e saírem de suas casas, um desmonte completo na vida dessas pessoas e perda do convívio comunitário.

A Viração e o Pólis repudiam veementemente a exploração irresponsável de sal-gema realizada pela Braskem que levaram a esse crime ambiental. Além disso, fazemos coro com todas as vozes que têm se levantado nesse momento exigindo providências e reiterando a importância de políticas reparatórias justas e que atendam às necessidades específicas das pessoas atingidas, garantindo o direito à cidade e à moradia para as famílias afetadas.

Infelizmente, este é mais um episódio que demonstra como a exploração capitalista desenfreada destrói nosso ecossistema, oprime e sufoca a todos. Para que situações semelhantes não voltem a acontecer é preciso aprimorar a legislação para garantir a proteção dos territórios e dos direitos da população e  fortalecer a fiscalização das empresas mineradoras para prevenir e punir crimes ambientais. É necessário  trabalhar na conscientização da população sobre os impactos da exploração, a organização, a resistência e a luta popular são importantes ferramentas  para enfrentar esse – e outros – projetos predatórios que já impactam fortemente a história da cidade de Maceió, de Alagoas e do nosso país.

Estamos atentos aos desdobramentos da crise e prontos para contribuir com iniciativas que visem à reconstrução e ao suporte à comunidade afetada.  Manifestamos nossa esperança de que, através de ações rápidas e efetivas, seja possível mitigar os impactos e reconstruir as vidas afetadas. A Viração Educomunicação e o Instituto  Pólis reforçam seu compromisso com a defesa dos direitos humanos, a preservação ambiental e a construção de uma sociedade mais justa e sustentável. 

Assinam essa nota:

Viração Educomunicação

Instituto Pólis

EM CASO DE EMERGÊNCIA, CONTATE A DEFESA CIVIL DE MACEIÓ
Secretaria Adjunta Especial de Defesa Civil – Rua Cônego João Barros Pinho, 107 – Pinheiro
CEP 57055-640 // Telefone: (82) 3312-5890 / 199 / 0800 030 6205
Horário de atendimento: segunda a sexta, de 8h às 14h

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