Juventudes e sociedade civil marcam inovação do G20 Social    

Primeiro dia celebrou a revolução dos encontros entre os vários modos de fazer política na programação inédita do principal fórum de cooperação econômica internacional

Agnes Sofia Guimarães e Abigail Pinheiro

Em novembro, a capital do Rio de Janeiro torna-se o centro do mundo por algumas semanas graças ao G20, principal fórum de cooperação econômica internacional. E durante os dias 14, 15 e 16, a edição brasileira do evento traz uma programação inovadora: o G20 Social, primeiro espaço de articulação do fórum dedicado ao encontro entre política institucional global, e sociedade civil. O primeiro dia, nesta quinta-feira (14), também destacou o peso dos encontros intergeracionais presentes nos movimentos sociais que circulam pelo espaço montado na Praça Mauá para o evento.

Na mesa de abertura, no Museu do Amanhã, a cerimônia contou com a presença da socióloga e primeira-dama Janja Lula da Silva, do prefeito Eduardo Paes, Márcio Macêdo, Ministro de Estado da Secretaria-Geral da Presidência da República; o Ministro das Relações Exteriores, embaixador Mauro Vieira; o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad; e a Ministra da Cultura, Margareth Menezes. Representantes da sociedade civil também marcaram presença, incluindo Morgan Ody, representante da Sociedade Civil Internacional, e Edna Rolland, representante da Sociedade Civil Brasileira.

Na abertura, o prefeito Eduardo Paes saudou todos os movimentos sociais presentes e destacou a força da capital do Rio de Janeiro para simbolizar a contribuição do país em momentos emblemáticos para o debate internacional. “O Rio é a vitrine do Brasil para o mundo e queremos que todo o Brasil se sinta representado”, enfatizou. O prefeito também relembrou momentos históricos que colocaram a cidade no cenário internacional, como as Conferências Pan-americanas, a Eco 99, o Rio Mais 20 e as Olimpíadas, 

Já a primeira-dama do Brasil, Janja Lula da Silva, destacou a pauta da igualdade de gênero.   

“Pra mim, eu não consigo conceber que hoje a gente possa pensar o mundo daqui pra frente sem termos igualdade de gênero, onde a nossa voz seja forte e potente”, comentou.

Mas o que é o G20 Social?

O G20 Social é uma iniciativa inédita para o G20, que historicamente foi um espaço construído para reunir autoridades dos Estados que compõem a cúpula de cooperação econômica internacional. Quando o Brasil foi selecionado para sediar o G20, no final de 2023, o país apresentou a proposta de criar um evento no fórum voltado à participação da sociedade civil, o que resultou na implementação do G20 Social. 

Com uma programação variada de atividades, o G20 Social também propôs uma construção coletiva ao abrir espaço para as atividades autogestionadas, programação conduzida por organizações e movimentos sociais que ajudam a complementar os debates das mesas oficiais do evento. À noite, shows gratuitos marcam o momento de celebração de reunir, nas mesmas ruas, os principais tomadores de decisão do mundo, e as vozes do povo que carregam saberes fundamentais para enfrentar os principais desafios dos nossos tempos.    

Primeiro dia do G20 mostrou a potência dos movimentos sociais brasileiros para inovar política institucional | Foto: Agnes Sofia Guimarães

Grandes expectativas

Do lado de fora da mesa de cerimônia, o jovem Arthur de Souza Nascimento, de apenas 17 anos, percorria a Praça Mauá com um bloquinho na mão e um celular que usava como gravador. Ele participa do projeto Jovem Repórter, dedicado ao ensino da educação midiática para estudantes do Ensino Médio da rede estadual de ensino do Rio de Janeiro. O adolescente chamou a atenção para a contribuição da sociedade civil nos debates, e na oportunidade para que os movimentos sociais possam fortalecer suas lutas ao terem acesso aos mecanismos que direcionam as decisões políticas sobre os principais temas da atualidade:

“Aqui a sociedade tem a oportunidade de falar, mas também de aprender como alguns temas que já são debatidos por ela ganham outro tipo de proposta quando surgem em conversas mais amplas e com movimentos sociais e políticos de outros países”, observa.

Norma Regina Nilde veio de Porto Alegre com diversos movimentos sociais da cidade, como o Movimento do Atingidos por Barragem, do qual participa. Para ela, o G20 Social foi um momento muito esperado para ampliar a luta que já é construída no dia a dia da participação política:

“Aqui é um momento de estar mais perto de garantir que a participação social entregue suas demandas às autoridades que podem transformá-las em PECs e em outros tipos de medida oficial. Vai ser uma oportunidade de transformar em vitórias as nossas tantas batalhas por direitos”, celebra.

Veja a seguir algumas imagens do primeiro dia do G20 Social (Fotos: Agnes Sofia Guimarães)

Este conteúdo foi produzido durante a cobertura educomunicativa do G20 Social, realizada pela Viração Educomunicação e por jovens participantes da RENAJOC (Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Comunicadores). Uma realização da Viração Educomunicação com apoio da Fundação Friedrich Ebert no Brasil.

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