Igualdade para meninas e mulheres na tecnologia em pauta com as juventudes

Movimento #EDUCASTEM2030 reuniu meninas e meninos para debater sobre a inserção e permanência de mulheres e meninas nas áreas STEM – sigla em inglês para as áreas das Ciências, Tecnologias, Engenharias e Matemática.

Por Camila Alves, estagiária de projetos da Viração e monitora do projeto Líder Jovem 2030

O Líder Jovem 2030, realizado pela UNESCO em parceria com as Secretarias de Estado da Educação dos estados da Bahia e de Pernambuco e implementado pela Viração Educom com jovens, entre os meses de Agosto e Dezembro de 2022, tem como principal objetivo promover debates e atividades com adolescentes e jovens acerca das desigualdades e das barreiras que afetam as meninas e mulheres na educação e no ingresso às áreas de STEM (sigla em inglês para as áreas das Ciências, Tecnologias, Engenharias e Matemática). 

O ciclo formativo constituiu-se em 10 unidades temáticas, abordando Educação de meninas e mulheres em STEM, Igualdade de Gênero, Agenda 2030, Projeto de Vida, Alfabetização Midiática Informacional, Design Thinking e Jogos digitais, com conceituação de conteúdos e com questões disparadoras que convidavam as turmas à reflexão e ao debate. Na Bahia, os jovens foram separados em 4 turmas e, em Pernambuco, 8 turmas, com encontros semanais de 2 horas de duração. 

Como parte complementar da trajetória formativa do projeto, os participantes realizaram atividades dentro da plataforma Moodle, ampliando os aprendizados a partir de textos, vídeos, testes avaliativos e um fórum de debate para que eles trocassem opiniões e reflexões sobre os temas das unidades.

Além das conversas em grupo, entre si e com os educadores, alguns encontros tiveram convidadas – como Eliade Ferreira, Ana Cecília, Luisa Maria, Rita de Cássia e Giulia Silvério, mulheres que atuam nas áreas STEM e que contaram um pouco sobre a trajetória que tiveram que percorrer até ocuparem espaços onde é naturalizada a presença de homens. No final das unidades, as mulheres que compõem a Rede Kunhã Asé apresentaram o “Jogo da Vida de uma Cientista” e o “Jogo da Memória”, desenvolvidos para espalhar mais informações sobre mulheres em STEM, e também o Livro de Colorir – “Histórias inspiradoras de Mulheres em STEM”, que homenageia 10 mulheres e meninas que fizeram ou fazem a diferença em suas carreiras.

Atividades educomunicativas e de integração

Jovem em atividade presencial do projeto na Bahia. Foto: Jéssica Rezende/Viração Educomunicação

Para colocar os aprendizados em prática, as turmas realizaram algumas atividades durante as oficinas. No encontro sobre Mídias e Tecnologias Digitais, por exemplo, eles desenvolveram as habilidades de Educomunicação e Alfabetização Midiática Informacional ao realizar pesquisas sobre as entrevistadas, elaborar coletivamente a pauta e realizar perguntas para as convidadas citadas anteriormente. Após a atividade, criaram um conteúdo para as redes sociais contando um pouco como foi participar desta experiência. 

As turmas foram desafiadas a encontrarem meninas e mulheres que atuam ou desejam seguir carreira em STEM e entrevistá-las sobre sua história e o que a motivou a seguir nessa carreira. Alguns estudantes apresentaram histórias de familiares e amigas, enquanto outros entrevistaram suas professoras. Raiane, participante do projeto, decidiu entrevistar sua professora de Física. Foi possível perceber que o caminho dela até conseguir seu objetivo não foi fácil, mas com o apoio da família ela não desistiu e hoje, além de ser professora, atua em prol do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 15, “Vida Terrestre”, com o projeto “Cidadão planetário: Conhecendo e preservando a Caatinga”.

Um dos temas que mais atravessaram a vida das e dos jovens foi a questão de gênero. Surgiram muitos relatos, principalmente das meninas, que demonstram como a desigualdade está presente em suas vidas e como é importante identificar isso para que não sejam reféns dos estereótipos de gênero. Estes relatos seguiam um padrão trazido na apresentação do conteúdo, onde era esperado que as meninas agissem de certa maneira e os meninos de outra – “Meninas usam rosa e meninos usam azul”. Debater sobre isso foi um ponto de virada que trouxe os conceitos de igualdade e desigualdade para o cotidiano.

Um dos objetivos do projeto é que esse e outros debates ultrapassem os limites da conversa apenas com as meninas. Por isso, houve o incentivo da participação dos meninos nas discussões e compreender que as mudanças que precisam ser feitas em nossa sociedade não podem partir apenas das meninas.

Em Novembro, 150 jovens da Bahia tiveram a oportunidade de viajar para a capital, Salvador, e participar de um encontro presencial, do qual surgiu um manifesto escrito, com todas as exigências que elas e eles identificaram para uma sociedade mais justa e feliz. Além disso, no segundo dia de atividades, as turmas participaram da Feira Literária Internacional de Cachoeira (FLICA).

Para a finalização do projeto, os participantes se dividiram em grupos, planejando e implementando planos de ação em seus territórios a fim de mobilizar familiares e comunidade sobre a importância de incentivar meninas e mulheres na educação e no ingresso às áreas de STEM. As ações ocorreram de forma presencial e on-line, resultando em mais de 2.775 pessoas impactadas.
O projeto registrou, ao final de todo esse processo, 344 jovens certificados. E mesmo que todos estes não sigam alguma carreira STEM, todos foram impactados pelos assuntos abordados e seguirão compartilhando os aprendizados com outras pessoas pelos seus caminhos, continuando com o movimento #EDUCASTEM2030.

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