Na sala de aula

ABPEducom lança curso online de aperfeiçoamento em Educomunicação

Inscrições já estão abertas com desconto para associados individuais e institucionais

A Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação (ABPEducom) acaba de lançar o Curso EaD de Aperfeiçoamento em Educomunicação: Conceitos e Práticas. As inscrições já estão abertas.

Associados individuais, parceiros (incluindo membros de associados institucionais) e professores das redes públicas de ensino têm direito a desconto especial. Pessoas negras, indígenas, imigrantes, com deficiência, em situação de vulnerabilidade social, LGBTQIA+ ou que exerçam papel de liderança em suas comunidades podem se candidatar a uma bolsa integral. A formação tem apoio do Núcleo de Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo (NCE/USP).

O objetivo do curso é fortalecer os princípios e práticas educomunicativas em prol das transformações sociais, proporcionando a participação e protagonismo dos sujeitos envolvidos nos ecossistemas comunicativos em que se pretende atuar. Transformações que se colocam ainda mais urgentes em meio ao cenário atual de pandemia e desinformação. Com esta formação, será possível dialogar e trocar conhecimentos e experiências com pessoas de todo o Brasil e do mundo.

A equipe docente é composta por professores, pesquisadores, profissionais, ativistas e especialistas reconhecidos pela sua atuação na área da Educomunicação. Entre eles, estão Ismar Soares, presidente da ABPEducom e professor da USP; Claudemir Viana, secretário executivo da Associação e coordenador do NCE/USP; Michele Marques Pereira, diretora de Assuntos Profissionais e Formação Continuada da ABPEducom; Cristina Uchôa, associada ABPEducom, Mestra em Ciências da Comunicação pela ECA-USP, voluntária na Viração Educomunicação, Consultora e Assessora de Comunicação e de Processos; e Paulo Lima, associado ABPEducom, Educomunicador e Especialista em Comunicação pelo Studio Paolino Internazionale di Comunicazione é fundador e diretor internacional da Viração Educomunicação e Empreendedor Social da Ashoka.

Entre outros temas, a programação inclui encontros dedicados às raízes, marcos legais e áreas de intervenção da Educomunicação; aos conceitos de ecossistema educomunicativo, leitura crítica da mídia, expressão educomunicativa por meio da arte, mediação tecnológica na educação e práxis social decolonial e decolonizadora; ao diálogo com a Alfabetização Midiática e Informacional; às experiências educomunicativas de destaque; e às pesquisas contemporâneas no campo da Educomunicação. Estão previstos, ainda, laboratórios de práticas educomunicativas, incluindo expressões por meio das artes e das mídias, como música e dança, histórias em quadrinhos, cinema, fotografia, rádio e podcast, produção de vídeo e mídias digitais e gráficas.

Ao todo, são 22 encontros ao vivo, com exposições teóricas e dinâmicas práticas, de 28 de abril a 7 de julho de 2022, às terças e quintas-feiras, das 19h às 21h30. Atividades e leituras complementares serão disponibilizadas no ambiente virtual de aprendizagem juntamente com a gravação das aulas. O curso também prevê a preparação de um projeto, atividade ou produção artística e/ou midiática de intervenção social, a ser realizado em grupo, com orientação da equipe docente. Haverá emissão de certificado com carga horária de 70 horas para os alunos que obtiverem o mínimo de 75% de presença e tiverem o trabalho final aprovado.

Pessoas negras, indígenas, imigrantes, com deficiência, em situação de vulnerabilidade social, LGBTQIA+ e que exerçam papel de liderança em suas comunidades podem se candidatar a uma bolsa integral.

As inscrições podem ser feitas pelo site do curso.

Dúvidas podem ser tiradas pelo e-mail secretariageral@abpeducom.org.br ou pelo WhatsApp: (11) 95784-9292.

Serviço

Curso EaD de Aperfeiçoamento em Educomunicação: Conceitos e Práticas

Período das aulas: de 28 de abril a 7 de julho de 2022

Realização: ABPEducom

Inscrições: site do curso 

Mais informações: e-mail secretariageral@abpeducom.org.br ou WhatsApp: (11) 95784-9292

Conheça o #PAS – programa de aprendizagem socioemocional

Iniciativa da Secretaria de Educação do Município de Niterói faz parte do Escola da Paz, que integra a política pública de segurança Pacto Niterói Contra a Violência; Formação gratuita para profissionais da rede municipal de ensino de Niterói recebe inscrições para o segundo ciclo em breve

O #PAS é uma iniciativa da Secretaria de Educação do Município de Niterói que tem como objetivo reduzir e prevenir as violências no contexto escolar através do desenvolvimento de competências socioemocionais.

É implementado pela Viração Educomunicação em parceria com a Flacso-Brasil, como parte do Escola da Paz, que integra a política pública de segurança Pacto Niterói Contra a Violência.

O #PAS busca contribuir com o Pacto Niterói Contra a Violência e também com o Projeto Político Pedagógico de cada unidade escolar municipal da cidade de Niterói que, como parte do sistema educacional, deve oferecer um espaço seguro onde os alunos possam finalizar sua educação básica, desenvolver habilidades cognitivas e socioemocionais e competências relevantes para suas vidas.

O ciclo de formação e acompanhamento do trabalho de campo, aberto para profissionais da Rede Municipal de Educação de Niterói, propõe atividades que desenvolvam as competências socioemocionais a partir da arte, da cultura e da corporeidade, em diálogo com a educomunicação. Na prática, professores, estudantes, família e comunidade escolar serão convidados a conhecer e utilizar saberes, linguagens e recursos da comunicação (fotografia, vídeo, jornal, podcast, zine, lambe) para fortalecer o protagonismo de todos os sujeitos na prevenção e enfrentamento das violências no ambiente escolar, e promover a conscientização sobre direitos universais à comunicação e expressão, à educação e à participação cidadã.

O projeto também busca contribuir para aumentar os níveis de resiliência do corpo discente, para que estudantes desenvolvam formas de superar as adversidades que enfrentam diariamente e assim melhorar seus resultados acadêmicos.

Sendo a escola a principal instituição social frequentada por crianças, adolescentes e jovens, onde a aprendizagem e a sociabilidade têm papel primordial. Através da educação, os sujeitos podem aprender e desenvolver inúmeras experiências significativas capazes de subverter as situações de risco e vulnerabilidades sociais que vivenciam.

A escola deve ser o lugar da construção do saber e não da reprodução de violências e desigualdades. Um local que permita a manifestação do estudante em suas dimensões política, social, afetiva, educacional, em seu sentido pleno, tendo em vista o desenvolvimento de uma moral baseada no senso de justiça, no respeito ao grupo e nos princípios básicos dos direitos humanos.

Na busca de soluções para a complexidade do fenômeno da convivência e das violências, os programas socioemocionais vêm sendo cada vez mais utilizados em nível mundial como intervenções de enfrentamento e prevenção da violência. Nesse sentido, o #PAS oferece alternativas pedagógicas para fomentar nas comunidades escolares uma perspectiva educacional que ultrapasse o tradicional foco em transmissão de conteúdos, passando a incluir o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, a educomunicação, a melhoria do clima escolar e a redução das violências mobilizando, ainda, os aspectos cognitivos em associação os aspectos emocionais e relacionais dos educandos.

A partir desse processo formativo, os profissionais da educação deverão reunir instrumentos sociais/pedagógicos para lidar com o cotidiano das escolas por meio do desenvolvimento da autonomia socioemocional dos estudantes, do seu autoconhecimento, manejo das emoções, sociabilidade, respeito às diferenças, violências sofridas, valorização da diversidade e tomada de decisão responsável, em consonância com os Referenciais Curriculares para o Ensino Fundamental do Município de Niterói.

O ciclo formativo conta com 8 encontros temáticos facilitados por profissionais da Viração, da Flacso Brasil e professores convidados, com os seguintes temas:

  1. A função social da escola e a escola possível
  2. Desenvolvimento cognitivo e competências socioemocionais
  3. Escola e família
  4. Violência nas escolas e convivência escolar
  5. Infâncias, adolescências e juventudes na perspectiva dos direitos humanos e da inclusão social
  6. Infâncias, adolescências, juventudes e violências
  7. Violências interseccionais de gênero, raça e sexualidade
  8. Diagnóstico participativo

A primeira fase do programa, implementada em 2021, foi composta pela realização de um estudo sobre a realidade escolar da Rede Municipal de Educação da cidade de Niterói, um ciclo de formação de professores de parte das escolas municipais e acompanhamento do trabalho de campo de cada uma destas unidades escolares .

Em 2022, a nova fase do projeto passará pela realização de um segundo percurso formativo para professores das escolas municipais de 1º e 2º ciclos, criação e implementação de planos de ação nas escolas, encontros de sensibilização e culminância, um ciclo formativo sobre educomunicação com estudantes e educadores, além da produção de um Guia de Boas Práticas, Protocolos de Convivência Escolar e uma edição da Revista Viração especial sobre os temas do #PAS, além de artigos e relatórios técnicos.

Profissionais da rede municipal de ensino de Niterói das escolas selecionadas poderão se inscrever online e gratuitamente no mês de março, através de formulário que será divulgado em breve.

Haverá plantão tira-dúvidas nas escolas selecionadas para o segundo ciclo durante o período de inscrições.

 

Parceiros da Viração no #PAS

Flacso – Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais

Organismo internacional, autônomo e de natureza intergovernamental, fundado em 1957 pelos Estados Latino-Americanos. Com sede na cidade de Brasília e duas unidades, uma no Rio de Janeiro e outra em São Paulo, a Flacso Brasil desenvolve atividades de pesquisa e de formação nas áreas de educação, direitos humanos, saúde, juventude, violência. http://flacso.org.br 

Sobre o Pacto Niterói contra a Violência

Um conjunto de ações intersetoriais integradas para proteção e à redução dos fatores de risco à violência que atingem crianças, adolescentes, jovens e famílias residentes em Niterói, policiamento e justiça, urbanismo, acesso a serviços sociais e de prevenção para redução de comportamentos contrários ao bem viver e pela difusão da cultura de paz e da cidadania. http://pactocontraaviolencia.niteroi.rj.gov.br/

Mais Informações:

Comunicação: Monise Berno – monise@viracao.org

Coordenação: Ellen de Paula – ellen@viracao.org

 

CENTENÁRIO DE PAULO FREIRE É TEMA DE PROGRAMA DO CANAL FUTURA

Episódio do programa Debate celebrou os 100 anos do patrono da educação brasileira, com participação do diretor internacional da Viração. Assista

O programa Debate, da grade do Canal Futura, celebrou o centenário de Paulo Freire em um episódio especial que reuniu Ângela Antunes, diretora pedagógica do Instituto Paulo Freire, Mariana Rosa, ativista pelos direitos PcD’s e o diretor internacional e fundador da Vira, Paulo Lima.

No episódio foram discutidos o legado de Paulo Freire para a educação, a experiência de Angicos e a importância de uma pedagogia que seja coerente com a concepção de mundo e a vida prática das pessoas, para garantirmos uma sociedade cada vez mais democrática e emancipadora. O diretor da Viração apresentou o trabalho da organização e suas interseções com as teorias freireanas presentes na educomunicação.

E como saber se as ideias de Paulo Freire estão presentes na escola? 

Para ser significativa, é preciso que a escola conheça a vida dos educandos. Isso se faz através de uma gestão democrática da escola, da criação de espaços de escuta e participação política dentro da escola e que atendam também toda a comunidade escolar, da valorização da diversidade e da comunicação sem autoritarismos e muitos outros pontos presentes nas ideias de Paulo Freire frequentemente presentes na escola.

O episódio especial foi ao ar por ocasião do aniversário de Freire e está disponível gratuitamente.

Assista aqui e compartilhe:

https://canaisglobo.globo.com/assistir/futura/debate/t/7qDDbrqg8h/

Integração e mapeamento afetivo: primeira etapa da ECA Belém

Após a seleção das e dos jovens oriundos de diversos bairros periféricos da região metropolitana de Belém, foram organizadas duas atividades que tiveram o objetivo maior de integrar estes adolescentes e promover um mapeamento afetivo sobre realidades e pertencimentos pessoais e sociais, preparando-os para os conteúdos das oficinas da Escola de Cidadania.

Integração entre participantes da Escola de Cidadania para adolescentes – Belém

Em uma roda de conversa de apresentação individual, as e os adolescentes puderam trocar ideias e conhecer um pouco sobre suas trajetórias. O eixo temático escolhido para essa atividade passou por estabelecer significados para termos como escola, cidadania e a adolescência.

Essa construção coletiva trouxe informações importantes sobre como aquela juventude desejava ser o espaço físico da escola e seu lugar enquanto adolescente nas suas comunidades, bem como o desejo por acesso a espaços de troca e convivência social amigáveis e didáticos.

A segunda atividade buscou criar um mapeamento afetivo entre as e os adolescentes inscritos no percurso da Escola de Cidadania, num movimento de reflexão sobre suas diversas realidades periféricas. Ao dividi-los de acordo com suas regiões geográficas, foi possível facilitar suas percepções sobre afetividades e interações sociais.

Atividade de mapeamento afetivo – ECA Belém

Nesta etapa, a troca de ideias evidenciou problemas estruturais comuns às periferias não só de Belém como de todo o território nacional: a falta de equipamentos públicos plurais e acessíveis dificulta a manutenção das afetividades, as relações sociais e a permanência das e dos adolescentes em seus territórios. 

 

Como responder às novas demandas do jovem leitor digital?

Por Paula Bonfatti, Analista de Comunicação e Marketing da Viração

As tecnologias da informação e comunicação estão cada vez mais sendo incorporadas às tarefas cotidianas, à educação e ao processo de alfabetização. No entanto, ainda existe uma grande resistência à leitura online e digital, tanto das gerações passadas quanto das instituições de ensino, o que acaba deslegitimando a prática do leitor digital.

A verdade é que não existe uma maneira certa ou errada de leitura, mas sim diferentes formas de acessar diferentes linguagens – digital ou analógica. Observamos então, que o leitor nativo digital – aquele que nasceu e cresceu com as tecnologias digitais – se relaciona de uma forma diferente com a leitura. 

Para entender melhor os hábitos dos leitores digitais e como responder às novas demandas do jovem leitor, conversamos com a Letícia Reina, gestora pedagógica da empresa Guten, especialista em leitura digital.

1- Você acha que os “nativos digitais” (pessoas que nasceram na era digital) têm hábitos de leitura diferentes das gerações anteriores? O leitor que nasceu na era digital tem processos cognitivos diferentes do leitor “analógico”? Existe um melhor ou pior?

Os nativos digitais lidam com a leitura de um modo diferente, sim! A intimidade com a tecnologia e a facilidade de acesso aos diferentes recursos digitais faz com que esse novo leitor seja mais exigente com a dinâmica e o ritmo com que os textos se apresentam. Os novos textos que circulam nos meios digitais como áudios, vídeos, imagens animadas, memes, jogos, etc. têm um apelo multimidiático que desenvolve o multiletramento. Sendo assim, não existe um leitor melhor que o outro, o que existe são jeitos diferentes de acessar os textos com processos de interação com o texto que são mais rápidos e dinâmicos. Não devemos deixar de oferecer, no entanto, enquanto educadores, textos diversos aos nossos alunos nativos digitais. Minha reflexão sobre o tema é que devemos disponibilizar aos nossos alunos “nativos digitais” os mais diversos gêneros de texto, para que eles possam aprender e desenvolver processos cognitivos que os permitam ler um romance de maior fôlego, assim como navegar nos vídeos do Youtube, por exemplo.  

2- Hoje, muitas informações falsas têm um alcance e legitimidade maiores que informações de fontes confiáveis e oficiais. Você acha que a alfabetização digital (ou a falta dela) tem alguma relação com a famosa “era da pós verdade”?

Penso que estar alfabetizado digitalmente é estar preparado para buscar fontes confiáveis. A alfabetização digital deve garantir aos leitores uma postura de criticidade e questionamento do que se lê, atualmente, nas redes sociais. Um leitor proficiente e crítico, alfabetizado digitalmente, confere os fatos para se posicionar frente a um evento. A era da pós-verdade revela sim uma postura atual de pouca criticidade e argumento. As opiniões se formam sem base na história dos fatos e se acalora na emoção. Novamente, como educadora, acredito que os jovens devem ter contato com a diversidade textual que existe na sociedade e com os diferentes meios em que os textos circulam, mas com discernimento. É preciso que se estabeleça nas relações de ensino e aprendizagem estratégias que desenvolvam a competência de distinguir fato de opinião relativa a esse fato. Essa habilidade é fundamental na era da pós-verdade.  

3- Existe uma resistência, principalmente das gerações passadas, em legitimar a leitura digital. Como você acha que diferentes setores, como educação e cultura, respondem à isso?

Acredito que estamos ainda aprendendo a lidar com essa resistência! A resistência existe e fica evidente, por exemplo, em uma escola, entre os pais e os professores. Só há uma maneira de lidar com essa resistência: com o uso frequente dos recursos digitais. É no uso, com propósitos claros e definidos, que as pessoas vão perceber a leitura digital como um processo natural de leitura. A leitura digital é diferente, acessa distintos processos e mexe com a nossa atenção de modo diferente, mas é leitura! Não é menos importante por estar em um veículo digital. A resistência das pessoas passa por uma crença de que a leitura digital acontece em momentos de lazer, por fruição, com objetivo de diversão. E no entanto, é preciso entender que a leitura digital permite a construção de conhecimento e pode, e deve, estar a favor do desenvolvimento da criticidade.

4- Você acredita que a alfabetização digital forma leitores digitais ou isso se dá de maneira informal?

Acredito que um leitor digital se forma autonomamente, no uso e de maneira informal, quando há interesse e fascínio pelos recursos. Mas um leitor alfabetizado digitalmente, crítico, proficiente, que se posiciona diante do que lê, embasado em fatos e fontes confiáveis, esse se desenvolve com formação. Essa formação pode acontecer na escola, entre pares, em casa, na interação com os meios digitais, mas a criticidade se constrói nessa relação. É preciso conhecer as ferramentas digitais, fazer uso, ampliar a capacidade para o potencial que cada recurso digital oferece, para que o leitor possa ler e produzir de modo eficaz.

Tornando espaços educativos mais inclusivos

A deficiência é um tema de direitos humanos e, como tal, obedece o princípio de que todo ser humano tem o direito de desfrutar das condições necessárias para seu desenvolvimento.

Foi a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, promulgada em 2007, que reconheceu o valor de cada indivíduo, independente de sua funcionalidade, e apresentou linhas de ação que permitam que pessoas com deficiência vivam de forma independente e participem plenamente de todos os aspectos da vida.

No Brasil, 23,9% da população total têm algum tipo de deficiência – visual, auditiva, motora e mental ou intelectual. Dessas pessoas – que somam 45.606.048! – 7,53% têm de 0 a 14 anos e 24,94% de 15 a 64 anos. As dificuldades de acesso à educação, saúde, trabalho e mobilidade que enfrentam as pessoas com deficiência revelam a importância de políticas públicas inclusivas.

Na educação, as pessoas com deficiência apresentam taxas de alfabetização menores do que a população total em todas as regiões brasileiras. E apesar de toda pessoa ter direito à educação obrigatória e gratuita, 61,1% das pessoas com deficiência não têm instrução e fundamental completo no Brasil, enquanto a taxa para pessoas sem nenhuma deficiência é de 38,2%. É uma baita diferença, não é?

De acordo com o Relatório da Situação da Infância e Adolescência Brasileira do UNICEF, crianças e adolescentes entre 7 e 14 anos com qualquer tipo de deficiência têm o dobro de chance de estarem fora da escola. Isso é consequência, entre outros fatores, da falta de transporte adaptado, escassez professores treinados, equipamento, material didático e acesso à infraestrutura de ensino adequado.

Entendemos que a educação é essencial para o desenvolvimento sustentável do país, e esse desenvolvimento depende da inclusão de todos e todas!

Com a ajuda do livro “Educação Inclusiva: o que o professor tem a ver com isso?”, selecionamos as dúvidas mais comuns entre educadore/as sobre educação inclusiva. Vamos lá?

1) O que o governo está fazendo para formar os/as educadores/as na temática de educação inclusiva?

Uma das maiores referências em capacitação a nível público nacional é a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi) que, em articulação com os sistemas de ensino, implementa políticas educacionais nas áreas de alfabetização e educação de jovens e adultos, educação ambiental, educação em direitos humanos e educação especial.

O objetivo da Secadi é contribuir para o desenvolvimento inclusivo dos sistemas de ensino, voltado à valorização das diferenças e da diversidade, à promoção da educação inclusiva, dos direitos humanos e da sustentabilidade socioambiental, visando à efetivação de políticas públicas transversais e intersetoriais. Formações como, PROINESP (Programa de Informática Especial), Programa Educação Inclusiva, Formação em braile e libras, são algumas das informações oferecidas pelo Secadi. Materiais didáticos podem ser encontrados aqui.

2) Estes cursos são suficientes para formar o educador?

Na maioria das vezes não, porque não contemplam todos os professores e porque a formação deveria ser permanente, contínua, e não pontual como é hoje. Com as novas tecnologias, este recurso deve estar alinhado com as práticas apreendidas nas formações. Além dos espaços formais de formação de educadores/as, a troca de experiências com colegas de profissão é essencial!

3) O que é um/a professor/a especializado/a em educação especial?

É aquele ou aquela que desenvolveram competências para identificar as necessidades educacionais de cada aluno ou aluna! Esses professores promovem estratégias de flexibilização, adaptação curricular e práticas pedagógicas alternativas de forma a incluir o aluno ou aluna com deficiência.

Além disso, o professor especializado têm um papel muito importante na formação de outros educadores para o atendimento adequado dos alunos e alunas com deficiência.

Para se especializar em educação especial, o educador deve cursar faculdade de pedagogia com formação em cursos de licenciatura em educação especial, complementação de estudos ou pós-graduação em áreas específicas de educação especial.

4) O que fazer quando o/a aluno/a com deficiência é discriminado em espaços educativos?

O aluno com deficiência precisa que sua diferença seja respeitada. E isso não significa que deve ter privilégios em relação aos outros colegas! O educador não pode negar a diferença, mas trabalhar com toda a turma para que a diferença seja compreendida como uma característica do ser humano e que ela não tira a dignidade de ninguém.

É importante lembrar que muitas vezes os recursos existem, mas o acesso a eles é dificultado por preconceitos, discriminação, negligência e falta de conhecimento sobre as dificuldades enfrentadas por pessoas com deficiência. O papel de educadores e educadoras é lutar contra esses fatores que geram desigualdades, promovendo uma educação mais inclusiva e um mundo participativo e plural.

 

Por Jefferson Rozeno*

* Jefferson é estudante de jornalismo e estagiário em comunicação na Viração Educomunicação