Juventudes

Jovens discutem desigualdades e direitos humanos em webinário

O Webinário Juventudes, gênero, raça e o direito à cidade acontece de forma virtual no dia 09 de dezembro, a partir das 15h, com a participação de ativistas convidados

A Viração convida todes para o Webinário Juventudes, Gênero, Raça e o Direito à Cidade, que será realizado no dia 09 de dezembro de 2020, a partir das 15h, ao vivo no canal da Viração no Youtube.

No evento, jovens que participam do projeto Geração que Move SP vão conversar com convidades incríveis sobre alguns dos temas que atravessaram o percurso formativo do projeto durante o ano.

Ativistas participantes

Edijane Alves: mãe, mulher periférica, moradora do Capão Redondo, Educadora Social. Gerente de Serviços – SASF Capão Redondo III pelo Movimento Comunitário de Vila Remo. Graduada em Serviço Social, Integrante da Organização Baobá Fortificando as Raízes/SP, Ativista de Direitos Humanos.

Erica Malunguinho: educadora e agitadora cultural. Mestra em Estética e História da Arte. Tornou-se a primeira deputada estadual trans eleita no Brasil, em 2018, com mais de 55 mil votos no estado de São Paulo pelo PSOL. É titular da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, da Cidadania, da Participação e das Questões Sociais da Assembleia Legislativa do estado. Nascida no Estado de Pernambuco, vive em São Paulo há 17 anos. Antes de entrar na política institucional, trabalhou na educação de crianças e adolescentes, com ampla atuação na formação de professores. Erica é conhecida por ter parido, na região central da cidade de São Paulo, um quilombo urbano de nome Aparelha Luzia, território de circulação de artes, culturas e políticas pretas, visível também como instalação estético-política, zona de afetividade e bioma das inteligências negras.

Pedro Pankararé: ativista do povo PANKARARÉ, dos movimentos indígenas e atualmente Agente Indígena de Saúde AIS Guarulhos.

Jovens mediadores

Gabriel Gonçalves – Jardim Ângela, Thamires Jabbur – Jardim Ângela, Kaique Menezes – Parelheiros, Victor Teixeira – Parelheiros, Samara Garcia – Parelheiros, Matheus Aragão – Grajaú, Júlia Cavalcante – Grajaú, Rafael Ramon – Parelheiros

Confirme presença no evento no Facebook 

O projeto Geração que Move é uma parceria do UNICEF com Fundação Abertis, Arteris e a Viração Educom em São Paulo.

Nota des jovens sobre a violência praticada contra Patrícia Borges

Nota elaborada por jovens participantes do projeto Pra Brilhar! sobre a violência sofrida por Patrícia Borges:

No dia 10 de novembro, Patrícia Borges sofreu um ataque extremamente agressivo e transfóbico enquanto distribuía panfletos na avenida paulista.


Patrícia Borges da Silva é produtora cultural, poetisa e ativista trans, integra a Marcha das Mulheres Negras de São Paulo, coordena o Cursinho Popular Transformação e o Bazar das Poderosas, é apresentadora e produtora do Transarau e integra a turma do Pra brilhar. 


Nós jovens LGBTQIA+ participantes do projeto, repudiamos veementemente a essa agressão através desta nota publicada no site da Viração Educom, e exigimos que os culpados sejam responsabilizados e que haja justiça! 


Num País que lidera há três anos o ranking de país que mais mata pessoas trans no mundo (e 82% delas são negras), a luta contra a transfobia e o racismo tem que ser de todes.


Todo apoio e solidariedade a Patrícia. Transfobia é crime!

“Não aceitaremos ser interrompidas, não aceitaremos ser intimidadas, não iremos nos calar diante dessa barbárie, dessa onda de violência” – Erika Hilton sobre o caso.

Participe da votação popular no Processo de Seleção Global do Chama na Solução

 

O Chama é um projeto do UNICEF implementado no Brasil pela ONG Viração Educomunicação, criado para apoiar o desenvolvimento de iniciativas criadas por jovens, para jovens, em torno de três temas: educação, empregabilidade e engajamento cidadão.

Depois de passarem por uma formação sobre empreendedorismo social em fevereiro, 9 equipes dos estados de SP, RJ e MG deram continuidade à implementação de seus projetos, acompanhados pela equipe da Viração e por mentores.

Agora, duas delas serão escolhidas para o Processo de Seleção Global, onde, além de representar o Brasil junto com adolescentes e jovens de mais 40 países, vão concorrer a um capital-semente de até 20 mil dólares. Conheça os projetos de cada equipe e vote na sua preferida!

A votação começou no dia 17, à meia-noite, e será encerrada no dia 23 de agosto, às 23h59. Acesse agora: http://bit.ly/chamapopular 

Estudar em casa: Quais são os desafios para estudantes de escolas públicas das favelas e periferias?

Adolescentes e jovens que vivem em favelas e periferias responderam à enquete do U-Report Brasil sobre estudar em casa na quarentena.

Estudar em casa é um desafio para todo mundo, posto que exige maior autonomia para organização e a necessidade de criar um ambiente onde se possa ter concentração. Vários fatores que circundam o espaço, como ruídos, qualidade da conexão ao meio pelo qual se estuda, entre outros, também interferem. Quando se fala em estudar em casa morando em uma favela ou periferia, de que forma esses fatores se combinam? Geram quais desafios?

Ao todo, 735 adolescentes e jovens de favelas e periferias responderam à enquete pelo chatbot da plataforma U-Report em redes sociais como o Facebook Messenger e o WhatsApp sobre estudar em casa. As respostas vieram de todas as regiões do país. E os estados mais ativos na enquete foram São Paulo, Maranhão e Bahia. 

Entre a galera que respondeu, 54% está matriculada em uma escola, sendo 81,41% em escolas públicas. E é sobre elas que falaremos por aqui.

Condições para estudar

Em relação à estrutura para acessar a educação remota, quando questionados/as se têm um espaço adequado para estudar em casa – onde possam ficar a sós ou, ao menos, longe de barulhos que os/as desconcentram, 62,69% dos/as adolescentes e jovens responderam que não. Ao responderem se possuem um computador (desktop, notebook, tablet etc.) para estudar, 57% afirma não ter, apesar de 81% ter wi-fi em casa.

Eu tenho recursos básicos para o ensino em casa, mas meus vizinhos não, alguns amigos de escola e parentes também não. E isso acontece muito nas periferias e favelas. A desigualdade social é o nosso maior problema.

Menina, 14 anos, branca, de Maranhão

Ao responderem se sentem que possuem mais condições de estudar neste momento, 62,10% afirma que não. Entre as pessoas que afirmam que sim, a maioria (34,82%) aponta que é porque consegue se concentrar melhor estudando em casa, tem mais tempo pra ler e gosta de estudar pela internet. Entre quem diz que sente que têm menos condições de estudar, a maioria (31,43%) afirma que não está conseguindo se concentrar, não está se sentindo bem emocionalmente para conseguir estudar, tem que cuidar da casa e/ou família e que é difícil acompanhar os conteúdos em aulas online.

Os maiores desafios para adolescentes e jovens de periferias estudarem em casa

Acesso a conexão de internet e acredito que o psicológico de ninguém está totalmente bem neste momento, todos estão aflitos com tudo que vem acontecendo. Aqui em minha cidade está uma situação bem crítica. Vejo adolescentes do meu bairro que nem tem um celular ou tablet, que não tem condições de comprar. E. infelizmente, as aulas não param, os conteúdos avançam. E eles, infelizmente, ficaram para trás. Como sempre.

Menina, Ceará, 15 anos, negra

A enquete finalizou com uma pergunta aberta aos respondentes sobre qual seria, para eles/as, o maior desafio para crianças, adolescentes e jovens das periferias e favelas estudarem em casa. Entre as respostas, se destacam: (i) questões de infraestrutura, como a falta de ambiente próprio para estudo, carência de aparelhos eletrônicos e acesso à internet, além das escolas que não estão disponibilizando meios de ensino a distância; (ii) questões emocionais, como a preocupação com a própria saúde e a de familiares, ansiedade diante deste momento e implicações na saúde mental; e (iii) questões relacionadas à qualidade do ensino, do afastamento da escola e falta de orientação de professores às dificuldades de se adaptar a estudar online.

Confira outras respostas sobre os desafios:

Ter que escolher entre estudar ou trabalhar. Estudar fica difícil porque não tem estrutura e, ao trabalhar, pelo menos tem uma renda pra ajudar a família nesse momento tão difícil

Menina, 15 anos, raça não-declarada, Mato Grosso

“Se concentrar nos estudos e ‘esquecer’ o caos: falta de dinheiro, conhecidos doentes, ministros que não tem a juventude periférica como pauta, desespero pela incerteza de até quando isso irá durar…

Menina, 17 anos, branca, de São Paulo

Muitos tem que trabalhar para arrumar um alimento, porque antes comiam na escola e agora não tem mais esse alimento.

Menina, 14 anos, branca, Ceará

U-Oquê?

O U-Report é um projeto do escritório de inovação global do Unicef implementado pela Viração Educomunicação no Brasil. Funciona como uma ferramenta de participação social no meio digital, que tem como objetivo mobilizar e envolver a juventude em discussões sobre seus próprios direitos.

Basicamente, o projeto atua por meio de um chatbot social (um robô) que troca ideia com adolescentes e jovens.  Os conteúdos são distribuídos na forma de enquetes, infocentros, materiais educativos, desafios temáticos, transmissões ao vivo, entre outros, e chegam aos jovens por meio de aplicativos que fazem parte do cotidiano.

Você pode fazer parte do U-Report através do Facebook ou do WhatsApp.

Imagem destacada: ‘Mesa de estudos de Luciano Alves que investe nos livros, já que não tem acesso à internet | Foto: arquivo pessoal’ / Reprodução Ponte Jornalismo

Estudo, trabalho e renda: O que mudou com a pandemia?

Enquetes mapeiam mudanças e desafios enfrentados por adolescentes e jovens.

Na metade do mês de junho, o Unicef e a Viração realizaram enquetes através do U-Report sob o objetivo de mapear os desafios que estão sendo enfrentados e as mudanças que aconteceram nas vidas de adolescentes e jovens diante da pandemia quando os assuntos são estudo, trabalho e renda. 

Ao todo, 3.831 pessoas de todos os estados do país toparam responder – 64% das respostas vieram de meninas e 36% de meninos. As regiões mais ativas foram Ceará e Bahia, estados da região nordeste.

O questionário mapeou dados importantes para entender a atual realidade de adolescentes e jovens, como:

 

1) Em relação aos estudos

 

Entre quem está no ensino básico e superior:

64% está estudando em casa;

24% parou de estudar. Deste número, 5% afirmou que desistiu deste ano letivo.

 

Entre quem estudava por conta própria antes da quarentena:

55% parou de estudar. Deste número, 44% afirma que voltará quando as coisas melhorarem.

 

Entre quem não estudava:

24% voltou a estudar neste momento; 18% decidiu que voltará.

 

Em relação ao ENEM e outros vestibulares:

65% está achando mais difícil para se preparar;

– Entre as pessoas que desistiram de tentar neste ano, 87% não está conseguindo estudar, talvez não conseguirá pagar a taxa de inscrição e/ou perdeu o ânimo para tentar.

 

2) Em relação ao trabalho

40% ficou sem trabalho, mudou ou decidiu parar por conta da pandemia;

27% começou a trabalhar em casa;

44% teve o salário reduzido.

 

3) Em relação à renda

44% afirma que a renda de sua família diminuiu;

14% deixou de fazer alguma refeição porque faltou dinheiro;

24% chegou a um momento onde os alimentos em casa acabaram, mas não tinha grana pra comprar mais;

19% não recebe, mas está precisando de um programa de distribuição de alimentos.

 

Alguns desses resultados foram discutidos na Live “Juventude, trabalho e renda”, que ocorreu no dia 18 de junho e está gravada no canal do Youtube do Unicef Brasil. Você também pode conferir os dados completos nos seguintes links: Estudos, Trabalho e Grana.

Jovens em distanciamento: ansiedade, tédio e saudades de crushs

Ao todo, 3.933 pessoas de todo o Brasil responderam à enquete da plataforma U-Report Brasil sobre a pandemia de covid-19

Por Silvana Salles, para a Agência Jovem de Notícias

A ansiedade com o coronavírus, o tédio, as saudades de amigues e crush, o interesse em conhecer formas de organizar os estudos. Tudo isso faz parte do cotidiano da maioria de adolescentes e jovens que responderam à enquete do U-Report Brasil sobre a pandemia de covid-19. Ao todo, 3.933 pessoas responderam à enquete pelo chatbot da plataforma em redes sociais como o Facebook Messenger e o WhatsApp. As respostas vieram de todos os estados do Brasil, 79% delas de fora das capitais. O estado mais ativo na enquete foi o Ceará – justamente um dos mais afetados pela epidemia de coronavírus.

As pessoas que participaram da enquete tiveram de responder a quatro perguntas sobre distanciamento social e como se sentem em meio à pandemia. Jovens de até 19 anos representam a vasta maioria das que responderam. Juntos e juntas, somam 78% da amostra da pesquisa, segundo a tabulação da equipe do U-Report.

A diferença de percepção entre quem mora ou não em uma capital

Na opinião dos/as participantes, o maior desafio em meio à pandemia tem sido lidar com a preocupação e a ansiedade em relação ao coronavírus. Essa preocupação foi um pouco mais frequente entre moradores de capitais do que entre aqueles/as que moram em outras cidades, mas foi a mais citada em ambos os grupos.

No primeiro, representa 29% das respostas. No segundo, 23%. Os outros desafios variam um pouco conforme a faixa etária. Entre as crianças e adolescentes de até 14 anos que moram em capitais, o maior desafio é ficar longe de amigues e crush. Nas outras cidades, o tédio foi o mais citado.

A enquete foi realizada no dia 14 de abril. Naquela data, a grande maioria dos/as participantes declarou que estava cumprindo o distanciamento social: o índice passou de 80% tanto nas capitais quanto nas outras cidades brasileiras.

Quando questionadas sobre como estão se sentindo, mais pessoas marcaram as respostas “estou bem, mas varia”, “me sinto confiante” e “tenho bastante ansiedade”. A resposta menos frequente foi “estou feliz, tenho aprendido muito”.

Essas respostas sobre sentimentos variaram levemente dependendo do local de moradia dos/as participantes. Nas capitais, “estou bem, mas varia” liderou com 30%. Fora delas, “me sinto confiante” passou na frente, também com 30% das respostas.

A diferença de percepção entre gêneros

Além das diferenças entre localidades, há também algumas entre gêneros. Entre os meninos e homens que não moram em capitais, o tédio foi mais frequente do que nas respostas das meninas e mulheres.

A enquete também perguntou aos jovens o que eles gostariam de acessar para ajudar a passar o tempo. As meninas e mulheres, tanto das capitais quanto fora delas, querem principalmente acesso a conteúdos sobre cuidados com saúde mental e aprender a organizar os estudos.Os meninos e homens das capitais também querem informações confiáveis sobre a Covid-19.

Já os que vivem em outras cidades têm interesse em saber como organizar estudos, em formas de interagir com outros jovens e em ferramentas para construir projetos. No índice geral, jovens das capitais estão mais interessados em cuidados com saúde mental e os/as do interior, em saber como organizar os estudos.

Aliás, falando em gênero, as meninas e mulheres foram as mais engajadas na enquete. Entre as pessoas que declararam gênero na enquete, 38% se identificam com o gênero masculino e 62% com o feminino. Elas também aderiram mais ao distanciamento social. Nas capitais, 84% disseram estar cumprindo o distanciamento, enquanto 77% dos homens e meninos declararam o mesmo. Fora das capitais, as respostas foram 84% e 76%, respectivamente.

U-Oquê?

O U-Report é um projeto do escritório de inovação global do Unicef implementado pela Viração Educomunicação no Brasil. Funciona como uma ferramenta de participação social no meio digital, que tem como objetivo mobilizar e envolver a juventude em discussões sobre seus próprios direitos.

Basicamente, o projeto atua por meio de um chatbot social (um robô) que troca ideia com adolescentes e jovens.  Os conteúdos são distribuídos na forma de enquetes, infocentros, materiais educativos, desafios temáticos, transmissões ao vivo, entre outros, e chegam aos jovens por meio de aplicativos que fazem parte do cotidiano.

Você pode juntar-se ao U-Report através do Facebook ou do WhatsApp.

Texto publicado originalmente no site da Agência Jovem de Notícias, em 03 de junho de 2020.

Embalagem jovem – ensaio discute o corpo na sociedade do consumo

Já parou pra pensar o quanto nossos corpos jovens estão cotidianamente sendo moldados? Rotulados e prensados por essa sociedade que pensa poder vender tudo?

Por Redação AJN

O que te embala? Uma canção de resistência ou o plástico filme que envolve as carnes no mercado da vida? O que te veste? O que te forçam a vestir? O que há por cima ou abaixo da pele? Quanta dor, quanto amor, quanta solidão, quanto preconceito, quanto silêncio? Qual o peso destes tempos sobre o corpo da juventude brasileira?

A busca pela saúde, bem-estar, o corpo tratado como uma máquina de alta performance e as buscas incessantes para alcançar marcadores sem considerar as diferenças entre biótipos, acesso e vivências, a heteronormatividade e os padrões de gênero, a cor da pele e o racismo estrutural, o tamanho dos corpos e os padrões de beleza determinados pela indústria da moda.

Estas são algumas das grandes inquietações que permeiam a relação das juventudes com seus corpos e com os espaços sociais que ocupam ou não ocupam. Jovens que integram os projetos da Viração Educomunicação discutiram o corpo na sociedade do consumo no ensaio fotográfico Embalagem Jovem, que você confere aqui na Agência Jovem de Notícias.

 

Fotos: Bruno Samuel, Julia Cavalcante, Jenny Nicássio, Julia de Lucca e Jazz Martins – Virajovens de São Paulo (SP).

Jovens modelos: Luccas Rizzi, Jazz Martins, Joyce Serafim, Lucas JK, Flora Guazzelli, Julia de Lucca, Julia Cavalcante, Giovanna Feliciano e Dandara Felippe Moreira.

Ensaio originalmente publicado na Revista Viração – Ano 16 – Edição 115 – Jul/Dez 2019.

Empresas e jovens profissionais: é preciso melhorar esse diálogo

A antiga crise econômica, ampliada pela pandemia, não é a única responsável pela difícil inserção dos mais jovens no mercado de trabalho. Há muito tempo a juventude das periferias enfrenta essa exclusão, mas por outros motivos.

Por United Way Brasil

Baixa escolaridade, fragilidade da formação educacional, longas distâncias entre periferia e centros urbanos, falta de recursos econômicos e preconceitos. Estes são os principais problemas enfrentados pela juventude brasileira que mora no entorno dos grandes centros econômicos.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad-2011), o percentual de jovens entre 15 e 24 que fazem parte do mercado de trabalho, diminuiu de 57,7% em 2001 para 53,6% em 2011, diferentemente da taxa de atividade da população em geral, que permaneceu relativamente estável nesse período.

O contingente de jovens é o maior que o Brasil já teve, somando 47,3 milhões de brasileiros com 15 a 29 anos. É justamente entre eles que as desigualdades de renda aumentaram nos últimos cinco anos (Pnad-2019).

Em grande parte dos casos de inserção precoce no mercado, os jovens acabam alocados em postos precários em que as chances de crescimento profissional quase inexistem.

A escola, que deveria melhor prepará-los para uma vida profissional ativa, está ainda distante disso, embora tenha obtido alguns avanços nos últimos anos, no Ensino Médio. Segundo a pesquisa Juventude, Educação e Projeto de Vida (Plano CDE e Fundação Roberto Marinho), questões como desorganização, falta de infraestrutura, existência de bullying, violência e preconceito, aulas monótonas, materiais didáticos ruins são alguns dos empecilhos que os jovens apontam para não se sentirem estimulados a estudar. Obstáculos que acabam prejudicando não só a formação para o mundo do trabalho como a permanência do jovem na escola.

Como país, ainda estamos longe de inserir a mão de obra jovem no mercado de trabalho. Políticas públicas se mostram pouco eficientes nesse sentido diante da urgente demanda. Por isso, o papel das organizações da sociedade civil, que fazem a ponte entre a juventude das periferias e as empresas, buscando essa inserção, tem se tornado essencial para mudar o cenário.

Desafios para garantir o primeiro emprego

Muitas empresas se mostram interessadas em abrir espaços para os jovens nos seus quadros de colaboradores. No entanto, ainda existe um descompasso entre o que elas querem e o que os jovens têm a oferecer.

O primeiro obstáculo, que acaba barrando uma boa parte dos candidatos, é o conhecido ‘CEP’: “A distância da casa do jovem até a empresa parece ser intransponível para aqueles que contratam”, explica Elaine Souza, assistente social e coordenadora geral de projetos no Brasil da organização social Viração, parceria da United Way Brasil. Para ela, é preciso entender que a conjuntura estrutural da cidade foi concebida com base em um processo social que excluiu as periferias do dia a dia dos grandes centros. “O CEP coloca os jovens nesse lugar, no lado de fora”, complementa.

Para ela, outras questões antigas, que ainda influenciam muito a escolha dos profissionais para uma vaga, são a cor da pele e o gênero. “Mulheres jovens, negras, da periferia são as que encontram maior dificuldade de inserção”, afirma Elaine.

Um aspecto alegado nas seleções de diferentes RHs para não contratar jovens é a falta de experiência anterior. “Acho que é preciso melhorar esse diálogo entre a empresa e o jovem para entender quais habilidades ele possui. O que vejo nas periferias, especialmente onde o Viração atua, no Grajaú (SP), é um lado empreendedor bastante ativo dos jovens do território. Eles acabam empreendendo porque percebem o quanto é difícil entrar no tradicional mercado de trabalho”, explica Elaine.

Para Benigna Alves Siqueira, Coordenadora Pedagógica da Associação Pró-Morato, em Francisco Morato (SP), parceira da United Way Brasil, existem faixas etárias na juventude que sofrem ainda mais com o desemprego. “A realidade do jovem da periferia é muito diferente, por exemplo, da do jovem da classe média. Aos 15 anos, ele sofre a pressão da família para colaborar com as finanças da casa. Essa faixa de idade é a que menos consegue emprego nas empresas, que buscam por jovens mais velhos”. E complementa: “Aos 18 anos, muitos deles já moram sozinhos ou são pais e têm de dar conta de demandas de adultos”.

Benigna também acredita que, em algumas situações, existe uma desconexão entre empresa e o jovem da periferia. “Já encaminhamos dezenas de jovens para uma vaga. Nenhum foi aceito e eu sei que naquele grupo existiam ótimos candidatos, com grandes potenciais. As empresas poderiam considerar que o jovem que mora longe dos grandes centros vive uma realidade diferente por uma série de circunstâncias. Muitos deles têm dificuldades  para  falar o português corretamente, têm vícios de linguagem, de postura… questões contornáveis, que a empresa pode trabalhar e mudar, porque esse jovem traz diferenciais que muitos não têm: vontade de fazer parte, desejo de superação, resiliência… São pessoas que lutam todos os dias para vencer desafios”, afirma a pedagoga.

Para ela, é preciso que as empresas revejam a abordagem, incluam a exclusão econômica no campo das diversidades e possam, a partir daí, adequar as seleções de RH para que façam sentido ao jovem. “As corporações têm muito a ganhar. Esses jovens são os mais motivados, porque desejam virar o jogo da realidade difícil de suas famílias”, conclui.

Investir em treinamentos, em mentorias, em vivências cotidianas com outros profissionais para compartilhar experiências, também são maneiras de preparar esse jovem para os desafios do trabalho.

A United Way Brasil, com seus parceiros, realiza o programa Competências para a Vida, cujo objetivo é justamente apoiar os jovens no seu projeto de vida e na carreira profissional. Isto porque acredita que a juventude é um dos pilares essenciais para a sustentabilidade e o desenvolvimento do país, assim como representa uma das forças mais ativas e criativas no combate às desigualdades.

Acompanhe o trabalho da United Way Brasil através da sua página no Facebook e de seu perfil no Instagram.

Integração e mapeamento afetivo: primeira etapa da ECA Belém

Após a seleção das e dos jovens oriundos de diversos bairros periféricos da região metropolitana de Belém, foram organizadas duas atividades que tiveram o objetivo maior de integrar estes adolescentes e promover um mapeamento afetivo sobre realidades e pertencimentos pessoais e sociais, preparando-os para os conteúdos das oficinas da Escola de Cidadania.

Integração entre participantes da Escola de Cidadania para adolescentes – Belém

Em uma roda de conversa de apresentação individual, as e os adolescentes puderam trocar ideias e conhecer um pouco sobre suas trajetórias. O eixo temático escolhido para essa atividade passou por estabelecer significados para termos como escola, cidadania e a adolescência.

Essa construção coletiva trouxe informações importantes sobre como aquela juventude desejava ser o espaço físico da escola e seu lugar enquanto adolescente nas suas comunidades, bem como o desejo por acesso a espaços de troca e convivência social amigáveis e didáticos.

A segunda atividade buscou criar um mapeamento afetivo entre as e os adolescentes inscritos no percurso da Escola de Cidadania, num movimento de reflexão sobre suas diversas realidades periféricas. Ao dividi-los de acordo com suas regiões geográficas, foi possível facilitar suas percepções sobre afetividades e interações sociais.

Atividade de mapeamento afetivo – ECA Belém

Nesta etapa, a troca de ideias evidenciou problemas estruturais comuns às periferias não só de Belém como de todo o território nacional: a falta de equipamentos públicos plurais e acessíveis dificulta a manutenção das afetividades, as relações sociais e a permanência das e dos adolescentes em seus territórios. 

 

Viração realiza ciclo de oficinas da Escola de Cidadania em São Paulo

A Viração realizou um ciclo de atividades de formação no âmbito do projeto de cooperacão internacional Escola de Cidadania para Adolescentes, co-financiado pela Província Autonoma de Trento e a Associação Viração&Jangada de Trento, na Itália.

Foram realizadas na sede da Viração, em São Paulo, 12 oficinas para 40 adolescentes de diversas regiões da cidade com duração de 4 horas cada. Os encontros visaram promover uma sensibilização e formação a respeitos dos temas contemplados no projeto: democracia, direitos humanos, juventudes, participação e meio ambiente, além da capacitação para o uso de técnicas de mobilização social e produção de comunicação.

O projeto Escola de Cidadania para Adolescente também buscou fortalecer o ativismo juvenil e o enredamento de adolescentes em iniciativas participativas, para isso parte dos encontros contou com a articulação com movimentos e ativistas em diferentes áreas, relacionadas aos temas do projeto para rodas de conversas com os adolescentes.

Além disso, foram realizadas visitas em organizações que atuavam com o tema do meio ambiente, nas quais os adolescentes puderam refletir sobre proteção ambiental, aprender técnicas e trabalhos de reciclagem e permacultura urbana, além de conhecerem experiências de ativismo ambiental.

Os encontros foram subsidiados pelos conteúdos multimídia produzidos no âmbito do projeto disponíveis na plataforma.