Geral

Enquetes mapeiam o uso da internet entre adolescentes e jovens

Entre os meses de abril e junho, a Viração, por meio dos projetos Consulta Brasil e U-Report Brasil, realizou quatro enquetes com adolescentes e jovens sobre o uso da internet; do acesso à rede e à educação remota diante da pandemia, às relações por meio das redes sociais e segurança de dados pessoais. 

 

As enquetes fazem parte do projeto Consulta Brasil, que consiste na realização de pesquisa participativa com o público infanto-juvenil a respeito do uso das TICs como estratégia para formação, mobilização e sensibilização sobre o tema; prevê também a criação de produtos de comunicação e materiais didáticos com diretrizes e metodologias para trabalhar o uso seguro e cidadão das TICs, voltados aos operadores do Sistema de Garantia de Direitos e às crianças e adolescentes.

 

A Viração em parceria com a Rede Conhecimento Social co-criou um questionário com as crianças e adolescentes participantes das oficinas – o qual foi aplicado presencialmente e por meio de plataforma online no ano passado e, agora, foi adaptado para U-Report, de acordo com as demandas específicas deste momento de distanciamento social onde o uso de Tecnologias da Comunicação e Informação (TICs) assumiram um espaço maior no cotidiano. 

 

O questionário mapeou dados e opiniões de adolescentes e jovens de todo o país. Ao todo, foram mais de 2.000 respostas. Os resultados serão utilizados para a criação de dois guias a respeito do uso consciente e cidadão das TICs por crianças e adolescentes, sendo um volume para familiares, educadores e demais operadores do Sistema de Garantia de Direitos (SGD) e um para crianças e adolescentes.

Confira os detalhes da pesquisa nos links:

Estudar em casa: Quais são os desafios para estudantes de escolas públicas das favelas e periferias?

Adolescentes e jovens que vivem em favelas e periferias responderam à enquete do U-Report Brasil sobre estudar em casa na quarentena.

Estudar em casa é um desafio para todo mundo, posto que exige maior autonomia para organização e a necessidade de criar um ambiente onde se possa ter concentração. Vários fatores que circundam o espaço, como ruídos, qualidade da conexão ao meio pelo qual se estuda, entre outros, também interferem. Quando se fala em estudar em casa morando em uma favela ou periferia, de que forma esses fatores se combinam? Geram quais desafios?

Ao todo, 735 adolescentes e jovens de favelas e periferias responderam à enquete pelo chatbot da plataforma U-Report em redes sociais como o Facebook Messenger e o WhatsApp sobre estudar em casa. As respostas vieram de todas as regiões do país. E os estados mais ativos na enquete foram São Paulo, Maranhão e Bahia. 

Entre a galera que respondeu, 54% está matriculada em uma escola, sendo 81,41% em escolas públicas. E é sobre elas que falaremos por aqui.

Condições para estudar

Em relação à estrutura para acessar a educação remota, quando questionados/as se têm um espaço adequado para estudar em casa – onde possam ficar a sós ou, ao menos, longe de barulhos que os/as desconcentram, 62,69% dos/as adolescentes e jovens responderam que não. Ao responderem se possuem um computador (desktop, notebook, tablet etc.) para estudar, 57% afirma não ter, apesar de 81% ter wi-fi em casa.

Eu tenho recursos básicos para o ensino em casa, mas meus vizinhos não, alguns amigos de escola e parentes também não. E isso acontece muito nas periferias e favelas. A desigualdade social é o nosso maior problema.

Menina, 14 anos, branca, de Maranhão

Ao responderem se sentem que possuem mais condições de estudar neste momento, 62,10% afirma que não. Entre as pessoas que afirmam que sim, a maioria (34,82%) aponta que é porque consegue se concentrar melhor estudando em casa, tem mais tempo pra ler e gosta de estudar pela internet. Entre quem diz que sente que têm menos condições de estudar, a maioria (31,43%) afirma que não está conseguindo se concentrar, não está se sentindo bem emocionalmente para conseguir estudar, tem que cuidar da casa e/ou família e que é difícil acompanhar os conteúdos em aulas online.

Os maiores desafios para adolescentes e jovens de periferias estudarem em casa

Acesso a conexão de internet e acredito que o psicológico de ninguém está totalmente bem neste momento, todos estão aflitos com tudo que vem acontecendo. Aqui em minha cidade está uma situação bem crítica. Vejo adolescentes do meu bairro que nem tem um celular ou tablet, que não tem condições de comprar. E. infelizmente, as aulas não param, os conteúdos avançam. E eles, infelizmente, ficaram para trás. Como sempre.

Menina, Ceará, 15 anos, negra

A enquete finalizou com uma pergunta aberta aos respondentes sobre qual seria, para eles/as, o maior desafio para crianças, adolescentes e jovens das periferias e favelas estudarem em casa. Entre as respostas, se destacam: (i) questões de infraestrutura, como a falta de ambiente próprio para estudo, carência de aparelhos eletrônicos e acesso à internet, além das escolas que não estão disponibilizando meios de ensino a distância; (ii) questões emocionais, como a preocupação com a própria saúde e a de familiares, ansiedade diante deste momento e implicações na saúde mental; e (iii) questões relacionadas à qualidade do ensino, do afastamento da escola e falta de orientação de professores às dificuldades de se adaptar a estudar online.

Confira outras respostas sobre os desafios:

Ter que escolher entre estudar ou trabalhar. Estudar fica difícil porque não tem estrutura e, ao trabalhar, pelo menos tem uma renda pra ajudar a família nesse momento tão difícil

Menina, 15 anos, raça não-declarada, Mato Grosso

“Se concentrar nos estudos e ‘esquecer’ o caos: falta de dinheiro, conhecidos doentes, ministros que não tem a juventude periférica como pauta, desespero pela incerteza de até quando isso irá durar…

Menina, 17 anos, branca, de São Paulo

Muitos tem que trabalhar para arrumar um alimento, porque antes comiam na escola e agora não tem mais esse alimento.

Menina, 14 anos, branca, Ceará

U-Oquê?

O U-Report é um projeto do escritório de inovação global do Unicef implementado pela Viração Educomunicação no Brasil. Funciona como uma ferramenta de participação social no meio digital, que tem como objetivo mobilizar e envolver a juventude em discussões sobre seus próprios direitos.

Basicamente, o projeto atua por meio de um chatbot social (um robô) que troca ideia com adolescentes e jovens.  Os conteúdos são distribuídos na forma de enquetes, infocentros, materiais educativos, desafios temáticos, transmissões ao vivo, entre outros, e chegam aos jovens por meio de aplicativos que fazem parte do cotidiano.

Você pode fazer parte do U-Report através do Facebook ou do WhatsApp.

Imagem destacada: ‘Mesa de estudos de Luciano Alves que investe nos livros, já que não tem acesso à internet | Foto: arquivo pessoal’ / Reprodução Ponte Jornalismo

Jovens em distanciamento: ansiedade, tédio e saudades de crushs

Ao todo, 3.933 pessoas de todo o Brasil responderam à enquete da plataforma U-Report Brasil sobre a pandemia de covid-19

Por Silvana Salles, para a Agência Jovem de Notícias

A ansiedade com o coronavírus, o tédio, as saudades de amigues e crush, o interesse em conhecer formas de organizar os estudos. Tudo isso faz parte do cotidiano da maioria de adolescentes e jovens que responderam à enquete do U-Report Brasil sobre a pandemia de covid-19. Ao todo, 3.933 pessoas responderam à enquete pelo chatbot da plataforma em redes sociais como o Facebook Messenger e o WhatsApp. As respostas vieram de todos os estados do Brasil, 79% delas de fora das capitais. O estado mais ativo na enquete foi o Ceará – justamente um dos mais afetados pela epidemia de coronavírus.

As pessoas que participaram da enquete tiveram de responder a quatro perguntas sobre distanciamento social e como se sentem em meio à pandemia. Jovens de até 19 anos representam a vasta maioria das que responderam. Juntos e juntas, somam 78% da amostra da pesquisa, segundo a tabulação da equipe do U-Report.

A diferença de percepção entre quem mora ou não em uma capital

Na opinião dos/as participantes, o maior desafio em meio à pandemia tem sido lidar com a preocupação e a ansiedade em relação ao coronavírus. Essa preocupação foi um pouco mais frequente entre moradores de capitais do que entre aqueles/as que moram em outras cidades, mas foi a mais citada em ambos os grupos.

No primeiro, representa 29% das respostas. No segundo, 23%. Os outros desafios variam um pouco conforme a faixa etária. Entre as crianças e adolescentes de até 14 anos que moram em capitais, o maior desafio é ficar longe de amigues e crush. Nas outras cidades, o tédio foi o mais citado.

A enquete foi realizada no dia 14 de abril. Naquela data, a grande maioria dos/as participantes declarou que estava cumprindo o distanciamento social: o índice passou de 80% tanto nas capitais quanto nas outras cidades brasileiras.

Quando questionadas sobre como estão se sentindo, mais pessoas marcaram as respostas “estou bem, mas varia”, “me sinto confiante” e “tenho bastante ansiedade”. A resposta menos frequente foi “estou feliz, tenho aprendido muito”.

Essas respostas sobre sentimentos variaram levemente dependendo do local de moradia dos/as participantes. Nas capitais, “estou bem, mas varia” liderou com 30%. Fora delas, “me sinto confiante” passou na frente, também com 30% das respostas.

A diferença de percepção entre gêneros

Além das diferenças entre localidades, há também algumas entre gêneros. Entre os meninos e homens que não moram em capitais, o tédio foi mais frequente do que nas respostas das meninas e mulheres.

A enquete também perguntou aos jovens o que eles gostariam de acessar para ajudar a passar o tempo. As meninas e mulheres, tanto das capitais quanto fora delas, querem principalmente acesso a conteúdos sobre cuidados com saúde mental e aprender a organizar os estudos.Os meninos e homens das capitais também querem informações confiáveis sobre a Covid-19.

Já os que vivem em outras cidades têm interesse em saber como organizar estudos, em formas de interagir com outros jovens e em ferramentas para construir projetos. No índice geral, jovens das capitais estão mais interessados em cuidados com saúde mental e os/as do interior, em saber como organizar os estudos.

Aliás, falando em gênero, as meninas e mulheres foram as mais engajadas na enquete. Entre as pessoas que declararam gênero na enquete, 38% se identificam com o gênero masculino e 62% com o feminino. Elas também aderiram mais ao distanciamento social. Nas capitais, 84% disseram estar cumprindo o distanciamento, enquanto 77% dos homens e meninos declararam o mesmo. Fora das capitais, as respostas foram 84% e 76%, respectivamente.

U-Oquê?

O U-Report é um projeto do escritório de inovação global do Unicef implementado pela Viração Educomunicação no Brasil. Funciona como uma ferramenta de participação social no meio digital, que tem como objetivo mobilizar e envolver a juventude em discussões sobre seus próprios direitos.

Basicamente, o projeto atua por meio de um chatbot social (um robô) que troca ideia com adolescentes e jovens.  Os conteúdos são distribuídos na forma de enquetes, infocentros, materiais educativos, desafios temáticos, transmissões ao vivo, entre outros, e chegam aos jovens por meio de aplicativos que fazem parte do cotidiano.

Você pode juntar-se ao U-Report através do Facebook ou do WhatsApp.

Texto publicado originalmente no site da Agência Jovem de Notícias, em 03 de junho de 2020.

Um mapa dos equipamentos públicos na quebrada

A equipe do projeto Geração que Move fez um mapa dos equipamentos públicos, comunitários e alternativos para as juventudes das quebradas da Zona Sul de São Paulo

Por Redação AJN

Ter direito à cidade, ter acesso a ela com mobilidade e segurança é um direito humano. As desigualdades do Brasil se tornam evidentes também pelo viés do direito à cidade, pois se tornam visíveis as diferenças de intensidade de planejamento urbano nas regiões centrais e nas periféricas.

Em cidades como São Paulo, as regiões centrais concentram a imensa maioria das oportunidades de trabalho, habitação, equipamentos de cultura e opções de lazer, enquanto o planejamento quase nulo dedicado às periferias determina que estes territórios contem com pouca ou nenhuma estrutura.

As longas distâncias, a péssima oferta e qualidade dos serviços de transporte público, a insegurança crescente de exercer o direito de ir e vir com tranquilidade e a baixa renda são apenas alguns dos pontos que aumentam a separação territorial das populações que habitam a cidade no centro e nas periferias. Essa pouca oferta de equipamentos públicos nas periferias marca ainda mais as lutas da população de baixa renda pela conquista e manutenção destes direitos básicos.

Diante deste cenário, o projeto Geração que Move, idealizado pelo UNICEF e Fundação Abertis e desenvolvido com a parceria técnica da Viração Educomunicação, vem promovendo uma série de atividades que buscam promover a mobilidade urbana segura e igualitária de crianças e adolescentes que habitam territórios periféricos de São Paulo através de uma série de oficinas, encontros, intervenções urbanas, jornadas de conhecimento pela cidade e diálogos com o poder público.

Em tempos de isolamento social provocado pela pandemia do coronavírus, as atividades do projeto tiveram que sofrer adaptações, como medida de prevenção. A equipe do Geração que Move continua trabalhando e desenvolveu um mapa dos equipamentos públicos existentes nas regiões do Jardim Ângela e do Grajaú, extremo sul de São Paulo.

O objetivo da criação do mapa é elencar e oferecer opções de serviços de educação, saúde, proteção, cultura, esporte, lazer e demais equipamentos fundamentais acessíveis dentro destes territórios – uma iniciativa de utilidade pública voltada não apenas aos e às jovens participantes do projeto, mas para toda a comunidade.

Enquanto a circulação pela cidade está comprometida, fica o convite para aproveitar o tempo livre navegando pelo mapa customizado e preparar uma lista de lugares para conhecer quando for possível. Clique no card, acesse o mapa e compartilhe com a sua rede!

Inscrições abertas para o curso “Aperfeiçoamento em juventudes, espaço escolar e violências: uma proposta de intervenção social” 

A Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais (Flacso Brasil), em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) está com inscrições abertas para o curso “Aperfeiçoamento em juventudes, espaço escolar e violências: uma proposta de intervenção social” – uma oportunidade imperdível para aprimorar os processos educativos para as juventudes – de forma colaborativa e com um time de professores especialistas, entre ele Paulo Lima, jornalista e educomunicador, fundador e diretor executivo da Viração Educomunicação.

O curso busca atender as demandas de formação continuada de profissionais da educação, da saúde, da segurança, da assistência social, entre outros; pesquisadores; gestores em políticas públicas; profissionais vinculados à área social e/ou da sociedade civil organizada; ativistas e militantes de organizações, movimentos sociais e partidos políticos, de modo integrado e intersetorial. Pretende-se convidar os participantes a conhecer o panorama conceitual e empírico sobre juventudes no Brasil e na América Latina, escola e seus desafios, as violências nas escolas, diagnóstico participativo e plano de ação, a fim de aprofundar leituras, análises, debates para uma melhor compreensão de temas contemporâneos.

A modalidade do curso será a distância, via internet, através da Plataforma de Educação Virtual da Flacso Brasil. As atividades serão assíncronas, de modo que os estudantes possam acessar aulas, tarefas, vídeos, textos e demais materiais nas datas, horários e locais de acordo com sua disponibilidade, dentro do cronograma previsto. Terão acompanhamento de tutores e da coordenação acadêmica.

Clique aqui e acesse o site da Flacso para conhecer mais informações sobre as professoras e professores e todos os detalhes sobre o curso.

Realização: Flacso Brasil
Instituição parceira: Unesco
Coordenação Acadêmica: Miriam Abramovay
Curso de Aperfeiçoamento, 150 horas, a distância
Duração: 6 meses
Início: Setembro de 2020
Inscrições: de 15 de abril a 20 de agosto de 2020
Certificação: Aperfeiçoamento em Educação e Juventudes

Investimento

À vista: R$ 350,00 (trezentos e cinquenta reais)
Em 2 x de R$ 250,00 (duzentos e cinquenta reais) = R$ 500,00 (quinhentos reais)

Pagamento por boleto ou transferência bancária