Geral

Jovens em distanciamento: ansiedade, tédio e saudades de crushs

Ao todo, 3.933 pessoas de todo o Brasil responderam à enquete da plataforma U-Report Brasil sobre a pandemia de covid-19

Por Silvana Salles, para a Agência Jovem de Notícias

A ansiedade com o coronavírus, o tédio, as saudades de amigues e crush, o interesse em conhecer formas de organizar os estudos. Tudo isso faz parte do cotidiano da maioria de adolescentes e jovens que responderam à enquete do U-Report Brasil sobre a pandemia de covid-19. Ao todo, 3.933 pessoas responderam à enquete pelo chatbot da plataforma em redes sociais como o Facebook Messenger e o WhatsApp. As respostas vieram de todos os estados do Brasil, 79% delas de fora das capitais. O estado mais ativo na enquete foi o Ceará – justamente um dos mais afetados pela epidemia de coronavírus.

As pessoas que participaram da enquete tiveram de responder a quatro perguntas sobre distanciamento social e como se sentem em meio à pandemia. Jovens de até 19 anos representam a vasta maioria das que responderam. Juntos e juntas, somam 78% da amostra da pesquisa, segundo a tabulação da equipe do U-Report.

A diferença de percepção entre quem mora ou não em uma capital

Na opinião dos/as participantes, o maior desafio em meio à pandemia tem sido lidar com a preocupação e a ansiedade em relação ao coronavírus. Essa preocupação foi um pouco mais frequente entre moradores de capitais do que entre aqueles/as que moram em outras cidades, mas foi a mais citada em ambos os grupos.

No primeiro, representa 29% das respostas. No segundo, 23%. Os outros desafios variam um pouco conforme a faixa etária. Entre as crianças e adolescentes de até 14 anos que moram em capitais, o maior desafio é ficar longe de amigues e crush. Nas outras cidades, o tédio foi o mais citado.

A enquete foi realizada no dia 14 de abril. Naquela data, a grande maioria dos/as participantes declarou que estava cumprindo o distanciamento social: o índice passou de 80% tanto nas capitais quanto nas outras cidades brasileiras.

Quando questionadas sobre como estão se sentindo, mais pessoas marcaram as respostas “estou bem, mas varia”, “me sinto confiante” e “tenho bastante ansiedade”. A resposta menos frequente foi “estou feliz, tenho aprendido muito”.

Essas respostas sobre sentimentos variaram levemente dependendo do local de moradia dos/as participantes. Nas capitais, “estou bem, mas varia” liderou com 30%. Fora delas, “me sinto confiante” passou na frente, também com 30% das respostas.

A diferença de percepção entre gêneros

Além das diferenças entre localidades, há também algumas entre gêneros. Entre os meninos e homens que não moram em capitais, o tédio foi mais frequente do que nas respostas das meninas e mulheres.

A enquete também perguntou aos jovens o que eles gostariam de acessar para ajudar a passar o tempo. As meninas e mulheres, tanto das capitais quanto fora delas, querem principalmente acesso a conteúdos sobre cuidados com saúde mental e aprender a organizar os estudos.Os meninos e homens das capitais também querem informações confiáveis sobre a Covid-19.

Já os que vivem em outras cidades têm interesse em saber como organizar estudos, em formas de interagir com outros jovens e em ferramentas para construir projetos. No índice geral, jovens das capitais estão mais interessados em cuidados com saúde mental e os/as do interior, em saber como organizar os estudos.

Aliás, falando em gênero, as meninas e mulheres foram as mais engajadas na enquete. Entre as pessoas que declararam gênero na enquete, 38% se identificam com o gênero masculino e 62% com o feminino. Elas também aderiram mais ao distanciamento social. Nas capitais, 84% disseram estar cumprindo o distanciamento, enquanto 77% dos homens e meninos declararam o mesmo. Fora das capitais, as respostas foram 84% e 76%, respectivamente.

U-Oquê?

O U-Report é um projeto do escritório de inovação global do Unicef implementado pela Viração Educomunicação no Brasil. Funciona como uma ferramenta de participação social no meio digital, que tem como objetivo mobilizar e envolver a juventude em discussões sobre seus próprios direitos.

Basicamente, o projeto atua por meio de um chatbot social (um robô) que troca ideia com adolescentes e jovens.  Os conteúdos são distribuídos na forma de enquetes, infocentros, materiais educativos, desafios temáticos, transmissões ao vivo, entre outros, e chegam aos jovens por meio de aplicativos que fazem parte do cotidiano.

Você pode juntar-se ao U-Report através do Facebook ou do WhatsApp.

Texto publicado originalmente no site da Agência Jovem de Notícias, em 03 de junho de 2020.

Um mapa dos equipamentos públicos na quebrada

A equipe do projeto Geração que Move fez um mapa dos equipamentos públicos, comunitários e alternativos para as juventudes das quebradas da Zona Sul de São Paulo

Por Redação AJN

Ter direito à cidade, ter acesso a ela com mobilidade e segurança é um direito humano. As desigualdades do Brasil se tornam evidentes também pelo viés do direito à cidade, pois se tornam visíveis as diferenças de intensidade de planejamento urbano nas regiões centrais e nas periféricas.

Em cidades como São Paulo, as regiões centrais concentram a imensa maioria das oportunidades de trabalho, habitação, equipamentos de cultura e opções de lazer, enquanto o planejamento quase nulo dedicado às periferias determina que estes territórios contem com pouca ou nenhuma estrutura.

As longas distâncias, a péssima oferta e qualidade dos serviços de transporte público, a insegurança crescente de exercer o direito de ir e vir com tranquilidade e a baixa renda são apenas alguns dos pontos que aumentam a separação territorial das populações que habitam a cidade no centro e nas periferias. Essa pouca oferta de equipamentos públicos nas periferias marca ainda mais as lutas da população de baixa renda pela conquista e manutenção destes direitos básicos.

Diante deste cenário, o projeto Geração que Move, idealizado pelo UNICEF e Fundação Abertis e desenvolvido com a parceria técnica da Viração Educomunicação, vem promovendo uma série de atividades que buscam promover a mobilidade urbana segura e igualitária de crianças e adolescentes que habitam territórios periféricos de São Paulo através de uma série de oficinas, encontros, intervenções urbanas, jornadas de conhecimento pela cidade e diálogos com o poder público.

Em tempos de isolamento social provocado pela pandemia do coronavírus, as atividades do projeto tiveram que sofrer adaptações, como medida de prevenção. A equipe do Geração que Move continua trabalhando e desenvolveu um mapa dos equipamentos públicos existentes nas regiões do Jardim Ângela e do Grajaú, extremo sul de São Paulo.

O objetivo da criação do mapa é elencar e oferecer opções de serviços de educação, saúde, proteção, cultura, esporte, lazer e demais equipamentos fundamentais acessíveis dentro destes territórios – uma iniciativa de utilidade pública voltada não apenas aos e às jovens participantes do projeto, mas para toda a comunidade.

Enquanto a circulação pela cidade está comprometida, fica o convite para aproveitar o tempo livre navegando pelo mapa customizado e preparar uma lista de lugares para conhecer quando for possível. Clique no card, acesse o mapa e compartilhe com a sua rede!

Inscrições abertas para o curso “Aperfeiçoamento em juventudes, espaço escolar e violências: uma proposta de intervenção social” 

A Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais (Flacso Brasil), em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) está com inscrições abertas para o curso “Aperfeiçoamento em juventudes, espaço escolar e violências: uma proposta de intervenção social” – uma oportunidade imperdível para aprimorar os processos educativos para as juventudes – de forma colaborativa e com um time de professores especialistas, entre ele Paulo Lima, jornalista e educomunicador, fundador e diretor executivo da Viração Educomunicação.

O curso busca atender as demandas de formação continuada de profissionais da educação, da saúde, da segurança, da assistência social, entre outros; pesquisadores; gestores em políticas públicas; profissionais vinculados à área social e/ou da sociedade civil organizada; ativistas e militantes de organizações, movimentos sociais e partidos políticos, de modo integrado e intersetorial. Pretende-se convidar os participantes a conhecer o panorama conceitual e empírico sobre juventudes no Brasil e na América Latina, escola e seus desafios, as violências nas escolas, diagnóstico participativo e plano de ação, a fim de aprofundar leituras, análises, debates para uma melhor compreensão de temas contemporâneos.

A modalidade do curso será a distância, via internet, através da Plataforma de Educação Virtual da Flacso Brasil. As atividades serão assíncronas, de modo que os estudantes possam acessar aulas, tarefas, vídeos, textos e demais materiais nas datas, horários e locais de acordo com sua disponibilidade, dentro do cronograma previsto. Terão acompanhamento de tutores e da coordenação acadêmica.

Clique aqui e acesse o site da Flacso para conhecer mais informações sobre as professoras e professores e todos os detalhes sobre o curso.

Realização: Flacso Brasil
Instituição parceira: Unesco
Coordenação Acadêmica: Miriam Abramovay
Curso de Aperfeiçoamento, 150 horas, a distância
Duração: 6 meses
Início: Setembro de 2020
Inscrições: de 15 de abril a 20 de agosto de 2020
Certificação: Aperfeiçoamento em Educação e Juventudes

Investimento

À vista: R$ 350,00 (trezentos e cinquenta reais)
Em 2 x de R$ 250,00 (duzentos e cinquenta reais) = R$ 500,00 (quinhentos reais)

Pagamento por boleto ou transferência bancária