Intolerável e criminoso: O racismo mata e precisa ser punido e combatido

Mais de 130 organizações assinam uma nota em solidariedade à família de João Alberto e cobram a responsabilização da empresa e das pessoas envolvidas e ações afirmativas que combatam a desigualdade racial em nosso País.

No país da desigualdade e do racismo genocida, o Dia da Consciência Negra começa assim: abrindo os jornais, tomamos conhecimento de que João Alberto Silveira Freitas, um homem negro, morreu espancado por seguranças terceirizados de um supermercado multinacional – o Carrefour.

Trata-se, sem dúvida, de um assassinato criminoso, que deixa um rastro de dor e trauma para quem fica e luta. Mas devemos ter a responsabilidade de olhar além. No caso em questão, o que grita é um padrão: o padrão racista de uma sociedade que dirige violência moral, física e simbólica contra a sua população negra cotidianamente. Não se trata de um “caso isolado”, há um histórico de violência racista – e, portanto, criminosa – dentro da mesma cadeia de supermercados Carrefour.

As redes, organizações e movimentos abaixo assinados solidarizam-se com a família de João Alberto e com todas as pessoas negras de nosso país, sujeitas diariamente à violência ocasionada pelo racismo. 

O racismo, apesar de ser crime, é estrutural no Brasil, e precisamos agir estruturalmente para combatê-lo – por meio de ações afirmativas e de reparação, além da adoção de outras políticas públicas que combatam a desigualdade racial. Mas o racismo estrutural se manifesta também individualmente. Quem sofre essa violência são pessoas, e são pessoas que a cometem. 

Por isso, clamamos todas as cidadãs e cidadãos do Brasil a se unir ao movimento negro em sua luta de séculos pelo fim do racismo. Exigimos que providências jurídicas sejam tomadas contra os seguranças que mataram João Alberto e contra quem assistiu ao crime sem nada fazer. Exigimos que o Carrefour seja responsabilizado pelas ações de seus prepostos que estão matando pessoas negras. Exigimos que os acionistas do Carrefour se posicionem e exijam políticas afirmativas internas que promovam o antirracismo em todos os âmbitos da empresa. 

A adesão da sociedade civil a essa pauta é fundamental, pois, como salienta a Coalizão Negra Por Direitos, enquanto houver racismo não haverá democracia. 

 

Assinam esta nota: 

  1. Ação Brasileira de Combate às Desigualdades

  2. Ação Educativa

  3. Articulação Justiça e Direitos Humanos – JusDh

  4. ARTIGO 19

  5. Associação A Mulher e o Movimento Hip Hop

  6. Associação Brasileira de ONGs, Abong

  7. Associação Brasileira de Saúde Mental – ABRASME

  8. Associação Cidade Escola Aprendiz

  9. Associação Cultural de Estudos Contemporâneos (O Instituto)

  10. Associação Escola da Cidade

  11. Associação de Saúde da Periferia do Maranhão

  12. Avante – Educação e Mobilização social.

  13. Bancada Ativista

  14. Campanha Nacional pelo Direito à Educação

  15. Casa da Cultura da Baixada Fluminense

  16. Cátedra Paulo Freire da Amazônia

  17. Católicas pelo Direito de Decidir

  18. CEBI – Centro de Estudos Bíblicos

  19. CECUP-Centro de Educação e Cultura Popular

  20. CEERT – Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades

  21. Central de Cooperativas Unisol Brasil

  22. Central de movimentos Populares – CMP

  23. Centro da Juventude Santa Cabrini

  24. Centro de Defesa da Vida Herbert de Souza

  25. Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis

  26. CFEMEA – Centro Feminista de Estudos e Assessoria

  27. Centro de Educação em Direitos Humanos da Unifesp Baixada Santista (CEDH-Unifesp)

  28. Centro Nacional Fé e Política Dom Helder Câmara

  29. Collectif Alerte France Brésil

  30. Coletivo Por Um Brasil Democrático – Los Angeles (EUA)

  31. Coletivo Professores Contra o Escola Sem Partido

  32. Comissão Brasileira Justiça e Paz da CNBB

  33. Comissão Justiça e Paz – Tucumã

  34. Comissão Pastoral da Terra – Anapu (Pará)

  35. Comissão Regional de Justiça e Paz de Mato Grosso do Sul – CRJPMS

  36. Comitê da América Latina e do Caribe para a Defesa dos Direitos das Mulheres (CLADEM Brasil)

  37. Conectas Direitos Humanos

  38. Conselho de Educação Popular da América Latina e do Caribe (CEAAL)

  39. Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil – CONIC

  40. Conselho Nacional da Pastoral dos Pescadores

  41. Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN)

  42. Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE)

  43. Criola

  44. Curso de Serviço Social  da Unifesp – BS

  45. Delibera Brasil

  46. Democracy for Brazil – UK

  47. DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos

  48. Editora Confiança – Revista Carta Capital

  49. ENFOC – Escola Nacional de Formação da Contag

  50. Escola de Ativismo

  51. Escola de Políticas Públicas e Cidadania Ativa – EPUCA

  52. Escola Fé e Política Pe. Humberto Plummen

  53. Evangélicas pela Igualdade de Gênero

  54. FAOR – Fórum da Amazônia Oriental

  55. FIAN BRASIL

  56. Fórum Baiano de Economia Solidária

  57. Fórum Ecumênico Act Brasil – FE ACT BRASIL

  58. Fórum Nacional da reforma Urbana – FNRU

  59. Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito

  60. Frente Nacional em Defesa do SUAS

  61. Fundação Avina

  62. Fundação Itaú para Educação e Cultura

  63. Fundação Luterana de Diaconia – FLD

  64. Fundação Tide Setubal

  65. Gambá – Grupo Ambientalista da Bahia

  66. Geledés – Instituto da Mulher Negra  

  67. GESTOS – Soropositividade, Comunicação e Gênero

  68. Girl Up Brasil

  69. Grupo de Estudos e Pesquisa Fundamentos do Serviço Social: Ética, Trabalho e Formação – UNIFESP

  70. Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Superior (GEPES) – UNIR

  71. Grupo de Estudos, Pesquisa e Extensão sobre Crianças, Adolescentes e Famílias (GCAF) UNIFESP

  72. Grupo Gênero, Educação e Cultura Sexual (EdGES – CNPq- Feusp)

  73. Ibase

  74. Idec – Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor

  75. INESC Instituto de Estudos Socioeconômicos

  76. Instituto Cidades Sustentáveis

  77. Instituto de Defesa do Direito de Defesa – IDDD

  78. Instituto de Desenvolvimento e Direitos Humanos – IDDH

  79. Instituto de Desenvolvimento Sustentável Baiano- IDSB

  80. Instituto de Governo Aberto

  81. Instituto Humanidade, Direitos e Democracia

  82. Instituto de Referência Negra Peregum

  83. Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social

  84. Instituto Ibirapitanga

  85. Instituto Igarapé

  86. Instituto Lidas

  87. Instituto Paulo Freire

  88. Instituto Pólis

  89. Instituto Procomum

  90. Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN)

  91. Instituto Socioambiental – ISA

  92. Instituto Sou da Paz

  93. Instituto Talanoa

  94. Instituto Terra, Trabalho e Cidadania – ITTC

  95. Instituto Terramar

  96. Instituto Unibanco

  97. Instituto Vladimir Herzog

  98. Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social

  99. Laboratório de Estudos em Atenção Primária – UFRJ

  100. Movimento Educação Democrática

  101. Núcleo de Ciências Humanas da Fundação Universidade Federal de Rondônia – UNIR

  102. Núcleo de Estudos do Trabalho e Gênero – NETeG Unifesp

  103. Núcleo de Estudos, Pesquisa e Extensão em Saúde Sócio Ambiental (NEPSSA-Unifesp/BS)

  104. Núcleo de Estudos Reflexos de Palmares – Universidade Federal de São Paulo

  105. Núcleo Educação em Direitos Humanos e prevenção de violências – ESS/UFRJ

  106. Observatório Nacional de Justiça Socioambiental Luciano Mendes de Almeida (OLMA)

  107. Ocupação Cultural Jeholu

  108. Oxfam Brasil

  109. PAD – Processo de Articulação e Diálogo entre Agências de Cooperação e Parceiros Brasileiros

  110. Pastoral Fé e Política – Regional Sul 1 da CNBB

  111. Pastoral Operária Nacional

  112. Plataforma DHESCA

  113. Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político

  114. Política eu me importo e participo – Parintins (AM)

  115. ponteAponte

  116. Programa de Pós-Graduação em Serviço Social e Políticas Sociais da Unifesp-BS

  117. Projeto Saúde e Alegria

  118. Quilombo Novas Histórias

  119. RBdC – Rede Brasileira de Conselhos

  120. Rede Conhecimento Social

  121. Rede de Pesquisa sobre Pedagogias Decoloniais na Amazônia

  122. Rede Um Grito pela Vida

  123. Redes da Maré

  124. STAP – Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública Municipal de Guarulhos

  125. Terra de Direitos

  126. The Auschwitz Institute for the Prevention of Genocide and Mass Atrocities

  127. Transparência Capixaba

  128. Transparência Eleitoral Brasil

  129. Uneafro Brasil

  130. URBEM – Instituto de Urbanismo e Estudos para a Metrópole

  131. Vida Brasil

  132. Viração Educomunicação

  133. WWF – Brasil