Agência Jovem de Notícias: comunicação, criatividade e potência 

Um olhar panorâmico sobre a história do programa internacional de jornalismo colaborativo nos 20 anos de Viração.

Por Monise Berno, coordenadora de Comunicação da Viração e coordenadora da Agência Jovem de Notícias no Brasil

Na esteira dos primeiros anos da Viração surgiu a ideia de criar, com um pequeno grupo de adolescentes e jovens representantes da Viração no Fórum Social Mundial em Porto Alegre, uma proposta de cobertura colaborativa das atividades, em um processo criativo e formativo pensado para oferecer àqueles jovens um espaço de experimentação e exercício do direito à comunicação.  Surgia ali a semente de uma agência de notícias movimentada por jovens comunicadores, pensada como um espaço plural de expressão e que oferecesse oportunidades destes jovens ocuparem espaços de discussão e de participação cidadã: surgia a Agência Virajovem. Era o ano de 2005.

A partir dessa cobertura e do trabalho de mobilização para os diversos projetos que contam a história da Viração, formou-se uma rede de adolescentes e jovens engajados na prática do comunicar aprendendo e do educar comunicando.

As muitas mãos que apoiaram a construção da Agência Jovem ao longo destes 20 anos foram fundamentais para o sucesso do programa: algumas das e dos jornalistas, comunicadores, educomunicadores, designers, entusiastas da tecnologia e jovens comunicadores deixaram sua marca na história da agência ao construir processos e formatos, ao aplicarem seus conhecimentos e sua energia criativa no desenvolvimento de soluções digitais que, em 18 anos de existência, imprimiram à AJN sua principal característica: a pluralidade de vozes, cores e formatos de tratar temas que foram e ainda são relevantes para a juventude.

Entre as célebres coberturas educomunicativas da AJN, algumas merecem destaque, como o Encontro de Adolescentes e Jovens da Amazônia, os Jogos Panamericanos de 2007, a Campus Party e outros eventos de projeção regional e nacional dos quais a Viração sempre participou ativamente. O surgimento da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Comunicadores – Renajoc, naquele ano, também possibilitou nova expansão da agência, que ganhou impulso com a atuação dessa rede no acompanhamento de pautas e nas coberturas de eventos feitas com e para a juventude brasileira em rede.

Desde 2005, portanto, a AJN atravessou fronteiras e se transformou numa rede em quatro idiomas, formada por jovens e parceiros estratégicos que atuam em nome da educomunicação e da comunicação popular em países como Argentina, Colômbia, Portugal e Itália. Há mais de uma década, essa rede diversa e potente trabalha produzindo conteúdos em inglês, espanhol, italiano e português, cobrindo eventos de projeção internacional, como as já históricas coberturas das Conferências do Clima da ONU, as COP, das quais jovens do Brasil e de outros países participam há pelo menos 10 anos, acompanhando as discussões e criando conteúdo de forma educomunicativa para falar sobre a crise climática e seus atravessamentos com outros jovens.

Com o apoio de parceiros, as e os jovens comunicadores participantes da AJN se envolvem em um processo formativo e de produção educomunicativa sobre eventos e pautas – atividades em equipamentos públicos e de cultura, atos políticos, marchas mobilizadas por movimentos sociais, festas e agendas políticas – colocando a mão na massa para fazer registros fotográficos, produzir entrevistas, vídeos, textos jornalísticos e poéticos que marcam a potência que um programa como esse tem na formação do pensamento crítico, no letramento midiático e na prática do exercício do direito à comunicação para a juventude.

A pandemia trouxe inegáveis desafios, e não seria diferente para um programa tão ativo como a AJN. Foi preciso buscar novas estratégias para mobilizar a rede naquele momento totalmente virtual, e garantir condições para que pudessem continuar suas produções e reflexões sobre as pautas que sempre fizeram parte da agência, mas também para aquelas relacionadas ao que estávamos vivendo. As dificuldades da emergência sanitária acabaram se tornando o motor que impulsionou a Agência Jovem para o digital, e abriu ainda mais os horizontes para que  adolescentes e jovens de todo o Brasil se juntassem à rede.

Durante todo o período de isolamento descobrimos, junto com a juventude, formatos de conteúdos que e conduziram a AJN ao momento em que estamos: foram séries de artigos sobre a pandemia no Brasil e no mundo e sobre outros temas, parcerias de conteúdo com outros veículos, organizações e instituições, reportagens, resenhas, podcasts, fotografias, vídeos e, como não podia ser diferente, coberturas educomunicativas de eventos organizados por ativistas pelo clima, eventos políticos e de abrangência mundial, realizadas de forma total ou parcialmente virtual, como a CPI da Covid e a COP26.

A pluralidade das produções trouxe novos formatos, novos leitores, mais seguidores para os canais digitais da AJN, mais criatividade e inventividade e, junto disso, cada vez mais jovens comunicadores dedicados a debater ideias, enfrentar a desinformação, trocar saberes e reflexões relacionadas aos seus direitos e questões estruturais que atravessam as suas realidades – enquanto juventude brasileira, mas também em conexão com adolescentes e jovens comunicadores de todo o mundo.

Em 2023, celebramos os 20 anos da Viração da melhor forma possível: com cada vez mais diversidade de vozes e pautas de todo o país e outros cantos do mundo, com jovens mobilizados nas redes e em presença, para construir coletivamente a bela tarefa de compartilhar inquietações e aprendizados sobre o mundo com outros jovens, enquanto se empoderam do exercício do direito fundamental à comunicação e descobrem as múltiplas formas de imprimir suas digitais na realidade e de participar ativamente dos espaços que ocupam.

Para o futuro, repleto de possibilidades de inovação e tecnologia, fica o desejo de que a AJN amplie, se renove e carregue em seu eixo a energia jovem que movimenta, (re)pensa, cria, (re)constrói e contribui para um novo mundo possível. Que venham os novos novos tempos!

Agradecimento especial à Cristina Uchôa, amiga, parceira da Viração e idealizadora da AJN  junto com outras pessoas, pela rica e inspiradora chamada de vídeo na qual conversamos sobre a história da agência. Nossa conversa foi fundamental para a elaboração deste artigo.

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