33 milhões de pessoas passam fome no Brasil

Fome atingiu 19 milhões de brasileiros na pandemia, segundo pesquisa conduzida pela Rede PENSSAN, com apoio da FES-Brasil, OXFAM Brasil, Action Aid Brasil e Instituto Ibirapitanga

Olhamos para a fome quando os dados (alarmantes) do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil (I VIGISAN) foram publicados em 2021. Naquele contexto, vimos que a fome havia retornado aos patamares de 2004.

Em 2022, a nova edição da pesquisa, desenvolvida pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar (Rede PENSSAN), como parte do projeto VIGISAN, mostrou que a insegurança alimentar se tornou ainda mais presente entre as famílias brasileiras.

O número de domicílios com moradores passando fome saltou de 9% (19,1 milhões de pessoas) para 15,5% (33,1 milhões de pessoas). São 14 milhões de novos brasileiros/as em situação de fome em pouco mais de um ano.

A continuidade do desmonte de políticas públicas, a piora na crise econômica, o aumento das desigualdades sociais e o segundo ano da pandemia da Covid-19 mantiveram mais da metade (58,7%) da população brasileira em insegurança alimentar, nos mais variados níveis de gravidade.

A dinâmica desumana da fome

15,6 MILHÕES DE BRASILEIROS ESTÃO INSERIDOS NUMA ROTINA DESUMANA E INACEITÁVEL PARA OBTENÇÃO DE ALIMENTOS.

A insegurança alimentar moderada e grave está presente em 49,1% dos lares que informaram endividamento, em 48,7% dos que relataram venda de bens ou equipamentos de trabalho e em 55,2% dos que relataram que algum morador parou de estudar para contribuir com a renda familiar.

8,2% das famílias relataram sensação de vergonha, tristeza ou constrangimento para garantir o que comer. Dessas, 24,3% convivem com as manifestações mais severas de insegurança alimentar (moderada e grave).

EM 28,3% DOS DOMICÍLIOS, PELO MENOS UMA PESSOA NÃO CONSUMIU AS 3 REFEIÇÕES (CAFÉ DA MANHÃ, ALMOÇO E JANTAR) DIARIAMENTE.

Cerca de metade das famílias que reduziram a quantidade comprada de arroz, feijão, vegetais e frutas convivem com a insegurança alimentar moderada ou grave. Nas famílias que deixaram de comprar carnes no período de três meses anteriores à pesquisa, em 70,4% há fome. Dados semelhantes foram encontrados nos lares onde seus moradores não haviam comprado frutas (64%) e vegetais (63,6%).

No campo ou na cidade, a fome se alastra

A insegurança alimentar está presente em mais de 60% dos domicílios das áreas rurais. Desses, 18,6% das famílias convivem com a fome, valor maior do que a média nacional. A pobreza das populações rurais, associada ao desmonte das políticas de apoio às populações do campo, da floresta e das águas, continua impondo a fome.

Percentualmente, a situação dos habitantes na área rural é mais grave. E número de pessoas famintas em área urbana — cerca de 27,4 milhões — é estarrecedor.

No Brasil, quem planta tem cada vez menos o que comer

A fome atingiu 21,8% dos lares de agricultores(as) familiares e pequenos produtores(as) rurais. Se olharmos para as formas mais severas de insegurança alimentar (moderada e grave), o total chega a 38% dos domicílios – cenário ainda mais preocupante nas regiões Norte (54,6%) e Nordeste (43,6%).

Sozinhos, os benefícios sociais não são capazes de frear a fome

A insegurança alimentar moderada e grave cresceu mesmo nos domicílios que recebiam auxílio financeiro dos programas Bolsa Família e Auxílio Brasil. Na faixa de renda de menos de meio salário mínimo por pessoa, a fome é uma realidade para 32,7% das famílias que relataram o recebimento dos benefícios e para 29,4% das que não o receberam.

Por outro lado, em domicílios com pelo menos um(a) morador(a) aposentado(a) pelo INSS houve maior percentual de segurança alimentar (46,5%) e menor de fome (11,9%). A fome é mais frequente (16,7%) em moradias onde não há aposentados. A fome está presente em 56,7% dos lares com renda familiar menor ou igual a 1/4 do salário mínimo por pessoa e que não recebiam benefícios como o Auxílio Brasil e o Bolsa Família.

A Viração Educomunicação apoia essa campanha, atuando na divulgação de conteúdos para conscientizar todos os brasileiro sobre a volta da fome no Brasil. Acompanhe as ações nas redes sociais!

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