Juventude e religião: conheça a Virajovem Nicolle

Nicolle Martins tem 19 anos e mora no extremo sul da cidade de São Paulo. Extrovertida, animada e muito determinada, ela estuda psicologia na Universidade de Santo Amaro. Desde criança, ela tem o desejo de entender as pessoas e de ajudá-las de alguma forma.

Nicolle também é evangélica e no ano passado se casou com Gabriel, um jovem de 20 anos. Ela entende o casamento como uma forma de apoio e união, uma oportunidade de crescimento pessoal que não impede de sair pra uma balada, de ter uma vida social ativa, ou de se divertir.

De fato, Nicolle é uma menina que gosta de sair, se divertir, e tem amigos de diferentes religiões (e até sem religião alguma). Ela diz que “isso não interfere na nossa amizade como outros jovens”.

No entender de Nicolle é complicado seguir uma religião com a sua idade, porque geralmente as pessoas não legitimam a sua crença, acham que ela não vai levar nada a sério, ou manter os compromissos e responsabilidades, pela pouca idade.

Para ela, a adolescência e a juventude são momentos da vida em que as pessoas  se questionam muito sobre quem são. “Às vezes a descoberta demora, mas os adultos deveriam respeitar esse momento e a personalidade de cada um, deixando espaço para errar e aprender”. ela conta.

Mas a religião de Nicolle foi uma escolha consciente, feita depois de conhecer diferentes linhas dentro do cristianismo (igreja católica, igreja universal, igreja batista, etc.) até encontrar o ambiente onde ela se sente realmente confortável.

“O meu falecido avô gostava da igreja evangélica e eu o acompanhava para auxiliá-lo. Foi só por volta dos 13 anos que comecei a querer mesmo ir, independente dele, e com 15 anos comecei a seguir a religião de modo completo”, conta.

As amigas e os amigos de Nicolle sempre foram liberais, e ela não sofreu discriminação dentro de seus ciclos sociais por seguir a Igreja Evangélica . Ela acha, inclusive, que a geração de jovens hoje em dia é mais “mente aberta”, aceita o novo e o diverso com menos resistência do que as gerações anteriores.

No entanto, às vezes acontece de alguém estranhar e questionar Nicolle quanto à sua escolha de casar cedo e seguir a religião. Segundo ela, muitas pessoas acham que ela não deveria se comprometer tanto aos 19 anos. Porém, Nicolle conta que, quem a conhece há mais tempo, sabe que nem o casamento, nem a religião a limitaram ao expressar sua personalidade e explorar seus interesses.

E os preconceitos, na experiência de Nicolle, vêm dos maiores, dos adultos religiosos. Ela conta que muitos acusam o seu comportamento, seus hábitos e suas roupas. Quando ela vai a uma festa sendo a única menina, usa roupas curtas e camisetas decotadas, ou fala gírias, é às vezes vista como irresponsável ou “infiel”.

“A roupa que eu uso ou o jeito que eu falo não muda quem é o meu Deus”,  ela argumenta. “A gente tem que respeitar as diferentes escolhas das pessoas, amando o próximo independente do que seja. Cada jovem escolhe o que é melhor para si e isso é o tudo o que importa”.