Juventude e engajamento social: conheça o virajovem Wesley

Wesley Matos tem 17 anos e mora em São Paulo, onde atua junto a diversos coletivos e projetos sociais. O curso técnico de química em que se matriculou é até interessante, mas para ele nada se compara ao universo do empreendedorismo social!

Desde muito novo, Wesley se encantou com o envolvimento das juventudes nas transformações sociais. “Tudo começou quando eu tinha 13 anos de idade. Um dia uma amiga me convidou para uma ação de revitalização de espaço, acabei indo e me encantei. Um terreno baldio onde só tinha lixo se transformou numa praça!” Ele conta.

Daí em diante, Wesley começou a pesquisar sobre outras formas de participação e engajamento. Por volta dos 15 anos de idade ele participava de mutirões de ações sociais dos mais diversos temas. Com 16 anos, entrou para o grêmio estudantil em sua escola e se tornou vice-presidente.

Atualmente, Wesley faz parte das organizações Engajamundo,que incide na formação e participação efetiva de jovens em processos políticos e de mudanças, e Semeare, que atua junto a comunidades indígenas no estado de São Paulo.

Além disso, Wesley também compõe o coletivo Oasis Sampa, uma ferramenta de mobilização cidadã criada pelo Instituto Elos para a realização de sonhos coletivos. Este ano, ele entrou para o projeto Agência Jovem de Notícias, na Viração.

Uma das causas sociais que sensibiliza Wesley é a garantia dos direitos indígenas. No ano passado, ele conheceu o porta voz da Semeare, que o convidou a participar de uma ação em uma aldeia indígena.

“Foi uma experiência impactante numa época difícil da minha vida. Lembro que tinha uma criança que não queria sair de perto de mim, me abraçava e até dormiu no meu colo, tanto que tive que acorda-la para eu ir embora. Isso me fez pensar: O que é que ela viu em mim? Porque quis ficar comigo mesmo? Sai renovado e com muita vontade de voltar.” Conta Wesley

A Semeare trabalha na erradicação da fome e do frio nas aldeias do estado de São Paulo. A longo prazo, a organização visa tratar o solo para possibilitar o plantio e realizar capacitações de artesanato indígena. Tudo isso sem interferir na cultura. Por enquanto, as aldeias ainda são precárias, falta o saneamento básico e só em algumas casas chega energia elétrica.

Wesley começou a trabalhar como voluntário e não conseguiu mais parar. Criou uma relação de afeto e conexão na comunidade, se surpreendendo ao perceber que sempre recebia mais do que oferecia.

Por outro lado, sabe-se que Wesley é uma exceção. O preconceito contra indígenas no Brasil é real. Muitas pessoas ainda têm uma visão estereotipada do indígena brasileiro e acreditam que os índios hoje não são indígenas “de verdade”, simplesmente porque não usam as roupas tradicionais, ou não caçam nas florestas. É como se a identidade indígena estivesse presa no passado.

“É preciso conhecer antes de julgar para conseguir enxergar o outro lado. Temos que considerar que eles [os indígenas] fazem parte de uma história que é nossa também, mas que a gente não conhece e seria bom aprender”, explica Wesley.

Diante de todo o histórico de violência e discriminação que sofreram os povos indígenas no Brasil, Wesley aponta que percebe certa resistência dentro da aldeia.“A troca que poderia acontecer se todo mundo deixasse de ter preconceitos seria de afeto, carinho, acolhimento, amor, energia positiva, conhecimento e autoconhecimento.”

Nesse contexto, os livros escolares não ajudam muito. “Eles [os livros didáticos] até falam de indígenas, da exploração e da colonização, mas não contam da sua cultura e parece que eles não contribuíram para nada”, conta Wesley.

Além disso, a representação e participação política indígena ainda é baixa. Na mídia,a questão também não ganha espaço, a não ser quando relacionada às demarcações territoriais. Wesley acredita que isso é reforçado pelo difícil acesso a computadores e internet nas aldeias.

“Só alguns líderes têm telefone celular e o usam para comunicar entre eles e não como instrumento de fortalecimento, nem para mostrar para o mundo como é a vida deles”, ele conta.

Hoje, comunicar e disseminar conhecimentos sobre a cultura indígenas e tornou o objetivo de algumas organizações sociais e coletivos. Wesley reparou, infelizmente, que não é comum jovens participarem ou se interessarem por iniciativas como essas.

Na época do colégio, Wesley tentou mobilizar alguns dos seus amigos para acompanhá-lo, mas não conseguiu. Talvez porque todos estavam muito atarefados, mas também porque “a escola não incentiva os jovens a participarem de ações sociais, nem a se apropriarem de espaços públicos e culturais para fazer coisas legais”, afirma.

Com certeza, a experiência de Wesley é única e o seu engajamento pode mobilizar outros jovens a fazerem o mesmo. A história dele mostra que quando há envolvimento emocional e vontade sincera de integrar um mundo mais justo, é possível encontrar uma forma de contribuir, recebendo em troca muita satisfação pessoal e amor.