Meu aluno quer falar sobre sua sexualidade, e agora?

As questões de gênero e sexualidade são transversais a todos os temas, já que se tratam de questões relativas à humanidade. Assim, é comum que meninos e meninas em fase de exploração e descobertas queiram falar com alguém sobre seus sentimentos.

Uma das preocupações mais recorrentes dos jovens gays é em quem confiar para falar sobre sua sexualidade. Como um educador reage quando um dos seus alunos fala que acha que é gay? Ou se tem uma pessoa trans ou travesti em sala de aula?

Assumir a sua própria sexualidade é um grande momento na vida de qualquer pessoa, e requer bem-estar e confiança naqueles que estão apoiando o processo. No entanto, a insegurança e o medo, resultados de uma cultura LGBTfóbica, machista, discriminatória e preconceituosa, podem tornar este processo angustiante e doloroso.

O Grupo Gay da Bahia (GGB), em seu relatório de 2013-2014, mostrou que um gay é morto a cada 28 horas no país – foram 312 assassinatos de pessoas sexualmente diversas em 2013. Além disso, o Brasil é o país que mais mata pessoas trans e travestis no mundo. Em 2016, foram 127 casos, um a cada 3 dias!

Assim, figuras afetivas como amigos(as) e professores(as) são tidas como um referencial para jovens gays e/ou trans que querem falar sobre sua sexualidade.

Com a ajuda do livro “Tá difícil falar sobre sexualidade na escola?”*, pensamos em 5 dicas para ajudar professores e professoras a mediar situações em que um aluno(a) quer conversar sobre sua sexualidade.

Meu aluno quer falar sobre sua sexualidade, e agora?

1- Escute paciente e calmamente o que o(a) jovem tem a dizer, mostre-se aberto ao diálogo e deixe claro que ele(a) pode confiar em você. Apoiar e acolher é fundamental!

2- Não pressione o(a) jovem por mais informações do que aquelas que ele ou ela já está dando;

3- Seja afirmativo(a) e positivo!

4- Explique que você está contente em ser informado sobre aquilo (pois é um sinal de confiança) e mostre que está preparado para ajudar!

5- Divulgue informações sobre Organizações da Sociedade Civil e instituições locais que podem dar apoio a ele ou ela. Assim, aqueles que sentirem que não têm com quem conversar sobre sexualidade, terão acesso a informações úteis e seguras. 🙂

 

* Tá difícil falar sobre sexualidade na escola? – 2ª Edição / Somos Comunicação, saúde e sexualidade. SOMOS; Claudia Penalvo e Luiz Felipe Zago