Meu aluno fez um comentário discriminatório, e agora?

O ambiente escolar, como parte da sociedade, reproduz relações de desigualdade, muitas vezes reiterando discursos machistas, racistas e homofóbicos. Assim, os educadores e educadoras têm um papel fundamental no combate às desigualdades e na promoção de um espaço educativo democrático e inclusivo, para todos e todas!

De acordo com a pesquisa “Relações raciais na escola: reprodução de desigualdades em nome da igualdade”, realizada pela socióloga Mary Garcia Castro, a discriminação, mesmo que sutil, afeta a formação de estudantes negros, influindo negativamente no aprendizado de meninas e meninos negros.

As diferentes formas de crianças e adolescentes expressarem sua sexualidade também é alvo de discriminação. Uma pesquisa feita pela FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo), em 2009, mostrou que 87% da comunidade escolar de escolas públicas brasileiras têm algum grau de preconceito contra homossexuais.

Tudo isso evidencia a importância da intervenção e da mediação de educadores e educadoras em situações de preconceito e discriminação na escola!

Assim, com a ajuda do livro “Tá difícil falar sobre sexualidade na escola?”*, pensamos em 5 passos para mediar comentários discriminatórios ou preconceituosos em sala de aula.

1- Uma das formas mais imediatas e efetivas de enfrentar a discriminação na cultura escolar é acabar com a linguagem discriminatória! Crie regras de convívio com a turma e deixe claro por que expressões preconceituosas são um problema.

2- Ao ouvir um comentário discriminatório, responda imediatamente, de forma cuidadosa, mas firme! Não deixe que o episódio caia no esquecimento ou seja tido como normal.

3- Assinale a expressão preconceituosa ou discriminatória e deixe claro: “Aqui está o problema”.

4- Refira-se às normas de convívio em grupo acordadas anteriormente: “Nossas regras não permitem que isso seja dito desta forma”.

5- Aponte as consequências de tal fala.

VAMOS USAR UM EXEMPLO PRÁTICO?

Durante a aula, levanta-se a questão de que “mulheres fazem mais tarefas domésticas do que os homens”. Um menino concorda exaltadamente. Você pergunta porquê. Ele responde que “mulheres devem cuidar da casa e dos filhos e homens devem trabalhar e ganhar dinheiro”.

E agora?

 Responda imediatamente.

 Discuta o comentário com todo grupo de alunos, explorando e questionando os alunos sobre as implicações do comentário para todos os envolvidos.

 Aproveite tal comentário para falar sobre as construções sociais que determinam as tarefas, habilidades e tendências de homens e mulheres.

A escola é um dos espaços em que crianças e adolescentes passam um bom tempo das suas vidas, e por isso é responsável pela formação de cidadãos conscientes e capazes de participar e transformar a realidade em que estão inseridos.

Para que a escola seja do jeito que a gente sonha, inclusiva e livre das desigualdades, é preciso o envolvimento de todos: alunos, pais, gestores e, claro, vocês, educadores e educadoras!

 

* Tá difícil falar sobre sexualidade na escola? – 2ª Edição / Somos Comunicação, saúde e sexualidade. SOMOS; Claudia Penalvo e Luiz Felipe Zago