Jovens produzem mídias sobre cultura e identidade quilombola

Com o objetivo de registrar e preservar a memória das comunidades quilombolas a Viração realizou, entre os dias 9 e 12 de maio, a oficina educomunicativa sobre identidade cultura e produção de mídias. A atividade compõe o Plano Básico Ambiental Quilombola, projeto da empresa de energia renovável Enel Green Power, coordenado pela Arcadis, empresa de consultoria ambiental.

Os encontros foram sediados na Escola Quilombola de Araçá/Cariacá, na Bahia, e reuniram cerca de 40 adolescentes de 12 a 17 anos, das comunidades de Araçá/Cariacá e Lagoa do Peixe.

Durante quatro dias, foram realizadas atividades de reflexão sobre a cultura e a identidade quilombola e os jovens foram provocados a pensar sobre a história de suas comunidades e a importância de mantê-la viva para as novas e futuras gerações. Para isso, aprenderam técnicas básicas para a produção de fotografias e de jornal mural.

“A formação educomunicativa é importante por possibilitar a valorização da cultura dos jovens quilombolas ao promover o olhar, a reflexão e o registro de aspectos da história e da cultura das comunidades por meio de suportes midiáticos diversos, produzidos de forma colaborativa pelos próprios jovens.” explica Vânia Correia, coordenadora executiva de projetos da Viração.

A educomunicação também desenvolve o espírito crítico dos usuários dos meios de comunicação “o projeto permite uma visão crítica em relação aos meios tradicionais que invisibilizam o povo negro e toda a diversidade no Brasil, e criam padrões que não dialogam com nossa realidade.” conclui Vânia.

Os ensaios fotográficos produzidos pelos jovens abordaram temas como brincadeiras, trabalho e paisagens das comunidades. O jornal mural trouxe entrevistas sobre a história da comunidade de Araçá/Cariacá, textos sobre a resistência de zumbi e aspectos da cultura de quilombo. Todos os produtos farão parte da exposição que acontecerá em julho.

Dando sequência às atividades educomunicativas, entre os dias 5 e 10 de junho acontecem as oficinas de vídeo e rádio para os jovens. Em julho, acontece uma formação com professores sobre como utilizar a educomunicação na aplicação da lei 10.639, que exige o ensino sobre História e cultura Afro-Brasileira nas escolas da rede pública.