Concurso levará jovens quilombolas para evento no Marrocos

O planeta está ficando mais quente, as calotas polares estão derretendo, o nível do mar está subindo, há escassez de água, espécies de animais estão desaparecendo e novas doenças estão surgindo. Essas são apenas algumas das consequências das mudanças climáticas, causada por ações predatórias do ser humano no planeta, como desmatamento e emissão de gases de efeito estufa.

Para que o futuro seja melhor, é preciso que as pessoas se engajem. Pensando nisso e sabendo que o futuro está em nossas mãos, a ONG Viração e a Enel, por meio de sua subsidiária de energias renováveis Enel Green Power Brasil, levarão três jovens quilombolas para a 12ª Conferência Internacional da Juventude das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas – COY, que acontece em  Marraquexe, no Marrocos, entre os dias 4 e 6 de novembro. O evento é uma etapa preparatória da 22ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas – COP22, e será uma oportunidade para que os jovens discutam o impacto que as mudanças climáticas e a degradação ambiental provocam em suas comunidades. Os resultados dessas discussões darão origem a um posicionamento que será apresentado pelos jovens de vários países aos líderes de suas nações, que participam das negociações da COP.

Os jovens premiados participaram de um concurso promovido pelo projeto Geração Jovem, realizado pela Viração e pela Enel em comunidades quilombolas em três municípios do nordeste onde a empresa de energias renováveis atua. Cada um dos concorrentes fez um vídeo sobre como os jovens podem ajudar a cuidar do planeta. Os vencedores José Aparecido, 22, da comunidade Riacho do Anselmo em São João do Piauí (PI); Flávio Castro, 23, da comunidade Araçá Cariacá, em Bom Jesus da Lapa (BA) e Raíra Ribeiro, 22, de Lage dos Negros, em Campo Formoso também no estado baiano, estiveram em São Paulo nos dias 12 a 15 para participarem de formação e se prepararem para a COY.

Preocupados com o meio ambiente, os jovens expuseram os problemas de suas comunidades e pretendem ajudar a encontrar soluções. Em Riacho do Anselmo, José contou que o tratamento dado ao lixo é um problema. “Sacola plástica e papelão as pessoas pegam e queimam para não ficar jogado, já que não tem coleta. Se não fizerem isso, vem algum animal e come”. O mesmo problema Raíra enfrenta em sua comunidade “A gente poderia fazer mais reciclagem e usar o lixo orgânico no lugar dos produtos químicos nas plantações”. Outras queixas são relacionadas ao desmatamento na região, “Eu gostaria de mudar o desmatamento, a poluição e várias outras coisas que causam mal ao meio ambiente na minha comunidade. Temos queimadas quase todo ano, e muito desmatamento para fazer a roça”, lamenta Flávio.

Para esses jovens, ir para a COY pode ajudá-los a mudar suas comunidades e o planeta. “A gente sempre quer fazer o mundo do nosso jeito, o que a gente acha errado, queremos mudar se tivermos oportunidade. Aí eu quis encarar isso. Ir para Marraquexe é uma enorme oportunidade para mim”, comemora Flávio. Raíra também espera bastante da conferência, “estou muito ansiosa. Eu quero aprender muito lá sobre o meio ambiente para poder aplicar na minha comunidade. É isso, quero buscar o conhecimento para tentar mudar a realidade ruim”, concluiu.

A coordenadora de projetos da ONG Viração, Vânia Correia, acredita que a participação dos jovens quilombolas na COY é de fundamental importância. “Esses jovens vivem uma realidade muito peculiar, em regiões rurais, em um bioma exclusivamente brasileiro, a caatinga. Sentem na pele o impacto das mudanças de clima e degradação ambiental, eles têm muito que contribuir com essa discussão”, avalia.

Alexandra Valença, coordenadora do projeto da Enel Green Power, destaca a importância da participação dos jovens na conferência: “A Enel acredita nesses jovens como protagonistas em suas comunidades, não só em relação às questões ambientais, mas também no fortalecimento de sua cultura e identidade quilombola. Participar deste evento vai abrir a eles e a suas comunidades uma janela para o mundo ”

A iniciativa de levar os jovens para a COY12 contou ainda com a colaboração da ONG Engajamundo, que atua pelo fortalecimento da participação juvenil em conferências sobre meio ambiente e clima. Além de facilitar a realização de uma oficina preparatória dos jovens brasileiros selecionados, realizada em São Paulo, o coletivo também acompanhará a participação dos jovens na COY12. Flávia Martinelli, coordenadora do grupo de mudanças climáticas do Engaja, acredita que os jovens viverão uma experiência de empoderamento e de identificação com os jovens ativistas de todo o mundo. “Lá eles vão entender que podemos mudar nossa realidade através de ações simples, mas poderosas”, destaca.