Projeto aposta no combate interseccional do HIV/Aids

Por Redação

O Pra Brilhar, projeto realizado pela Viração Educomunicação em parceria com o Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo, inova na abordagem interseccional do combate ao HIV/Aids na cidade.

Durante seis meses, um grupo de 20 jovens selecionados por critério de classe e cor se encontrará semanalmente para debater sobre gênero, sexualidade e prevenção combinada em intersecção com raça e classe. O objetivo é aperfeiçoar a ação coletiva e as políticas públicas para o combate ao HIV/Aids.

“Apostamos na ideia de que a prevenção perpassa primeiro a educação sexual e o entendimento de que o combate à epidemia precisa ser interseccional, ou seja, ele precisa perpassar o entendimento sobre gênero, sexualidade, raça e classe, porque os mais afetados são LGBTs com esse recorte”, conta o coordenador do Pra Brilhar, Tulio Bucchioni.

Além das oficinas, os participantes são encorajados a produzirem conteúdos em diferentes formatos a partir de um processo educomunicativo. Assim, por meio da educação entre pares e das narrativas de si, do outro e do mundo, Pra Brilhar busca os significados de ser gay, negro e periférico na cidade de São Paulo. Todas as produções e roteiros de oficinas são publicadas no site e página oficial do projeto no Facebook.

Com duração de dois anos, o projeto conta com quatro ciclos presenciais de formação, perpassando por temáticas de gênero e sexualidade, direitos humanos, sexuais e reprodutivos e prevenção combinada ao HIV/Aids e outras ISTs. “As discussões têm sido muito qualitativas, mesclando o compartilhamento de experiências pessoais e o debate sobre conceitos teóricos e militância, que são fundamentais para o entendimento dessas experiências pessoais”, conta Tulio.

O projeto também possibilita um espaço auto-organizado para a população LGBT, além da possibilidade de troca de experiências pessoais e o processo de compreensão das desigualdades estruturais. “O Pra Brilhar está sendo maravilhoso, estou conhecendo coisas novas e as ideias estão se expandindo. As formações vão agregar na minha vida profissional, pessoal e amorosa. No fim, posso transformar todo esse aprendizado em produções e eu acho isso magnífico”, conta Alisson Lourenço, de 19 anos, participante do primeiro ciclo de oficinas.

Os encontros acontecem toda quarta-feira, das 14h às 17h, na sede da Viração, localizada na Rua Araújo, 124, próximo ao metrô República. A seleção de participantes para a segunda turma do projeto se dará no início do segundo semestre de 2018.