Por que falar sobre direitos da mulher em espaços educativos

Por Thaís Santos, Analista de Mobilização Social e Advocacy da Viração

Já há alguns anos o Dia Internacional de Luta da Mulher, celebrado no dia 8 de março, vem deixando de ser o dia das flores e bombons para ser tratado como aquilo que lhe originou: um dia de reivindicações e celebração de conquistas das mulheres por todo o mundo.

Em 2015, com a primavera feminista, milhares de mulheres foram às ruas de todo o Brasil, tomando também as redes sociais para discutir a violência doméstica, primeiros assédios, relacionamentos abusivos, direito ao próprio corpo, entre outras pautas que se tornaram compreensões correntes na boca de meninas e mulheres.

Em 2017, sob a chamada de intelectuais e ativistas estadunidenses, mulheres do mundo todo se mobilizaram em uma greve geral, deixando de cumprir atividades domésticas, ir ao trabalho e enfim, demonstrando a importância política e econômica que têm para mover nossas sociedades.

E agora, o que é relevante discutir sobre as lutas feministas e com quem?

Não é novidade que o cenário político nacional tem reverberado em instabilidade econômica e perda de direitos básicos para toda a população, mas é inevitável que grupos historicamente colocados em desvantagem sofram as consequências dessas mudanças.

São as mulheres e negros/as os principais prejudicados com as crescentes taxas de desemprego; são as mulheres as principais vítimas das propostas de restrições cada vez maiores na Lei do Aborto; e certamente serão as mulheres as principais prejudicadas nas reformas do Ensino Médio e das políticas de Escola Sem Partido. Esses, por si só, já são excelentes motivos pelos quais ainda devemos falar sobre direitos da mulher.

Para este ano, as mesmas intelectuais e ativistas que propuseram a greve geral em 2017 têm um apelo: Um feminismo para os 99%! Pensar essa proposta no contexto brasileiro é refletir sobre como um projeto econômico que não pensa maneiras de equiparar as desigualdades entre homens e mulheres pode fortalecer e aprofundar os distanciamentos, concretamente, através da perda de direitos como a diminuição da licença maternidade, os contratos informais e a terceirização.

Mas para além disso, uma das principais preocupações são os retrocessos ideológicos. Não é só que a crise afeta o desenvolvimento econômico das mulheres, afeta também seus direitos sexuais e reprodutivos. As ideias de que a mulher é um ser inferior e, portanto, pode ser tratada de maneira violenta e agressiva é o maior dos problemas. Trata-se dos índices de feminicídio e de sua naturalização, da violência sexual contra a mulher e da dificuldade de denúncia, enfim, da disseminação de ideias que pouco são discutidas, mas que vão criando raízes no pensamento coletivo!

Como falar sobre direitos da mulher em espaços educativos?

Alguns vão a manifestação do dia 8 em suas cidades, outros farão textos em suas redes sociais, o mais importante é utilizar os espaços que ocupamos para falar sobre coisas simples que acreditamos. É necessário conversar com mulheres e meninas sobre nossos direitos e problemas. Tratar espaços de educação informal, onde sempre há uma oportunidade de debater o que é ser mulher e como nos organizarmos, para ter cada vez mais vitórias nas agendas públicas.

Quando se reivindica a noção de “igualdade de gênero” na educação, a demanda é por um sistema escolar inclusivo, que tenha ações específicas de combate às discriminações e que não contribua para a reprodução das desigualdades que persistem em nossa sociedade. Falar em uma educação que promova a igualdade de gênero, portanto, significa garantir um espaço democrático onde nossas diferenças não se desdobrem em desigualdades.

A Viração produziu o Guia de Gênero e Sexualidade para Educadores/as, que discute conceitos e traz exemplos simples e práticos pra trabalhar a temática em espaços educativos. Baixe o guia aqui.

                                       

Em um país em que 12 mulheres são assassinadas diariamente, o trabalho deve começar cedo. É preciso tratar o feminicídio, o machismo e outras expressões de violência como um problema comum a toda sociedade, educando meninos e meninas em outras formas de se relacionar. Para incentivar as crianças e adolescentes a olharem para suas trajetórias, refletirem sobre o caminho que já foi pavimentado e pensarem como seguir a construção para as gerações futuras.