15 anos: um olhar para o presente-futuro

Por Paulo Lima, Fundador da Viração Educomunicação

Quinze anos. Quinze, uma mistura de vibrações entre 1 e 5. Os dois juntos chegam a 6. Seis é múltiplo de 3, nosso número mágico. A Vira nasceu no dia 3 do mês 3 de 2003. Os números, as datas, são para nós um pretexto político-pedagógico para seguir adiante, sempre com mais tesão social.

Quinze anos. Um olhar ao presente-futuro: cheio de desejos, sonhos a mil, utopias a guiar o coração junto com novos processos, projetos e iniciativas. Tudo recheado de ideias revolucionárias numa tentativa promissora de fugir do cheiro de naftalina, de prevenir-se da síndrome do piloto automático. Isso e muito mais, representam os 15 anos da Viração.

Muitas mudanças ocorreram ao longo desse tempo, de cara fomos identificados e reconhecidos como iniciativa de inovação social não só no Brasil, mas no mundo todo. Para a Ashoka Empreendedores Sociais e o Ministério da Educação, a Vira é exemplo de como se pode promover a participação ativa e eficaz de adolescentes e jovens por meio do uso criativo da comunicação em todo e qualquer processo de educação.

Pois, sim. A Viração cresceu. Ganhou sobrenome: Educomunicação. Fomos os primeiros no Brasil a levantar a bandeira da figura profissional da Educomunicadora e do Educomunicador. Promovemos mudanças íntimas e pessoais. Colaboradores e voluntários fazendo um percurso de auto-descoberta, chegando a criar e mudar seus projetos de vida. Promovemos mudanças sociais e coletivas, incidindo em políticas públicas, mobilizando adolescentes e jovens e construindo redes como a Renajoc – a Rede nacional de adolescentes e jovens comunicadoras e comunicadores.

Passamos a atuar na África e na Europa e junto às Nações Unidas, expandindo o jeito Viração de ser e se comprometer: Burkina Fasso, Marrocos, Itália, Portugal e França; além de participar ativamente nas Conferências sobre mudanças climáticas da ONU.

Mudamos de sede 5 vezes. A mais recente para poder oferecer mais serviços, estar num ambiente mais colaborativo, juntar forças com outras organizações sociais que buscam fazer brilhar todo tipo de pessoa, porque cada uma e cada um de nós é um ser especial em Direitos. Mudança importante, sobretudo neste cenário político de retrocesso no campo dos direitos e de um projeto popular para o país.

Chegamos até aqui com um sabor de vitória, mas com a missão quase cumprida e muita luta pela frente. Eu digo “quase” porque “queremos mais”. E muito mais. Muito mais iniciativas educomunicadoras, contribuindo para criar ecossistemas comunicativos abertos, democráticos e participativos em tudo quanto que é lugar onde acontece o milagre da educação. Esse processo de “ler o mundo” com senso crítico e de fazer um novo mundo acontecer.

São quinze anos de muita alegria e muita beleza. E aqui colocamos juntos Dostoevskij e Paulo Freire. Juntamos “A beleza salvará o mundo” com “A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca”.

E nós seguiremos nesse processo de busca por mais outros “trocentos” anos, perseguindo nossos ideais e lutando por uma sociedade baseada na justiça social e climática, na garantia dos direitos humanos, na participação efetiva de adolescentes e jovens e na equidade de gênero e diversidade étnico-racial e sexual.

Afinal, ensinar e aprender não pode acontecer fora da procura, fora da boniteza e da alegria, como nos ensina nosso amado Paulo Freire.