Juventude e Cidadania

A juventude tem papel fundamental na construção de uma sociedade mais democrática, mas para que isso ocorra é necessária a participação dentro de espaços que exercitem nossa cidadania, provoquem nossa curiosidade e despertem nossa consciência crítica.

 

Por Thaynara Floriano e Gustavo Souza, da Viração

O principal direito de um cidadão é a igualdade. Essa filosofia existe desde Atenas até os dias de hoje – ela é a base fundamental para uma sociedade próspera e satisfeita. No entanto, no Brasil, embora persista essa ideia de sociedade igualitária, a realidade infelizmente não é próspera – e muito menos justa. Existem diferenças exorbitantes entre nós, por possuirmos diferentes rendas, oportunidades, educação, acesso aos serviços básicos de saúde, alimentação, moradia e qualidade de vida desde a primeira infância.

O conceito de cidadania nos remete ao desejo de participar da sociedade e tentar transformá-la. Muitas são as organizações que historicamente formularam e disputaram no campo da conquista de direitos para as juventudes: o Movimento Estudantil, as Pastorais da Juventude, o Movimento Negro, o Movimento LGBTQIA+, o Movimento de Mulheres, os Movimentos de Cultura, os Grupos de Defesa do Meio Ambiente, entre outras. Todas essas movimentações contribuíram e contribuem muito na conquista de direitos da juventude.

A juventude tem papel fundamental na construção de uma sociedade mais democrática, mas para que isso ocorra é necessária a participação dentro de espaços que exercitem nossa cidadania, provoquem nossa curiosidade e despertem nossa consciência crítica. E essa participação surge na possibilidade da participação e do protagonismo juvenil dentro do processo de globalização da cultura, propondo soluções no combate às desigualdades a partir de suas vivências.

A disseminação das informações pelas redes sociais pode ser uma grande aliada na conscientização para a cidadania, quando opera junto com a consciência crítica. Milhares de jovens estão online todos os dias e cada vez mais grupos com todo tipo de conteúdo ganham participantes de vários lugares do país, mostrando o grande poder de influência dos aplicativos, celulares e produtos midiáticos, tornando esses espaços grandes aliados na construção de debate e ideias.

Campanhas como a do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de vários artistas, influenciadores, organizações da sociedade civil (incluindo a Viração e a Agência Jovem de Notícias) e coletivos de todo o país para incentivar o voto dos jovens, por exemplo, alcançaram 2 milhões de eleitores entre 16 e 18 anos entre os meses de março e maio deste ano. Mas exercer essa cidadania em âmbito constitucional é mais do que tirar o título de eleitor e estar apto para votar. O exercício e reconhecimento que vem com essa palavra está atrelado ao interesse e participação do jovem no Estado, ou seja, acompanhando projetos de lei, ações e tudo que afeta diretamente nosso modo de vida.

A sociedade passa por mudanças frequentes, sempre ligadas a questões sociais que indicam valores, sejam eles de comportamento ou mercadológicos. E toda essa mudança afeta diretamente a juventude; não só por definir o nosso futuro, mas por determinar o nosso agora. Sendo assim, os espaços de educação e aprendizagem precisam promover experiências pedagógicas que conduzam a uma participação cidadã, nas quais a juventude se encontre como uma parte importante dentro do meio, sendo capaz de transformar.

E para transformar, é necessário que essa educação esteja presente em espaços abertos à reflexão da nossa própria realidade enquanto juventude. Sem essa aproximação, a educação não pode ser de fato libertadora.

Através do protagonismo que surge com a consciência da nossa própria condição histórica, da condição dos nossos colegas, professores e familiares, dentro de espaços em que o diálogo, a comunicação e a transformação importam, a reformulação de políticas públicas e sociais acontecem.

Criado em 2005, o Conselho Nacional de Juventude (CNJ) é instrumento para nosso empoderamento, tendo como uma de suas principais responsabilidades elaborar, avaliar e monitorar as políticas públicas relacionadas à juventude. O Estatuto da Juventude, promulgado em 2013, tem como principal objetivo tratar os direitos da população jovem, criando espaços para ouvir a juventude e incentivar nossa participação nos processos decisórios. Estes dois dispositivos garantem nosso direito fundamental à participação política e à cidadania.

 A nossa geração precisa ser empoderada – ouvimos muito essa palavra – mas  o que realmente significa esse empoderar? Significa promover a dignidade, a liberdade de decidir e controlar nossos próprios destinos com responsabilidade e respeito às diferenças. Só conseguimos isso através de uma educação política e cidadã que incentive cada um de nós a participar de todas as discussões que envolvem o presente e o futuro do nosso país.

A participação cidadã é um direito humano garantido em lei e fundamental para a concretização de outros direitos básicos. Mais que isso, a participação é a própria essência da democracia, uma vez que é por meio dela que o povo manifesta suas ideias e vontades a respeito das coisas públicas. Historicamente, os processos de participação popular estão, portanto, associados à luta por mais direitos e à própria cidadania.

E quando pensamos na participação de adolescentes e jovens os desafios são ainda maiores. Isso porque nossa sociedade ainda é adultocêntrica – ainda predomina uma noção de que adolescentes e jovens são incapazes de formar opinião e participar. Soma-se a isso o senso comum de que somos apáticos e desinteressados politicamente em comparação às gerações anteriores.

Adolescentes e jovens são sujeitos em desenvolvimento e com potencial de intervir criativa e positivamente na sociedade para promover transformações. E sim, se interessam por questões sociais e políticas! Para mergulhar mais no tema, indicamos a videoaula da Escola de Cidadania para Adolescentes sobre participação cidadã das juventudes:

 

 

É urgente a necessidade da juventude estar a frente dos processos, conduzindo nosso país para uma nova rota. Essa tarefa cabe a cada jovem desenvolver, porém não é uma missão simples e  sabemos disso, pois nos encontramos num momento de descrença perante órgãos públicos e perante as pessoas que foram empossadas com a missão de nos representar. Mas não podemos desistir desse processo, muito menos abrir mão de um direito que é nosso!

Devemos ter atenção a tudo que está acontecendo: as decisões tomadas hoje influenciam o nosso futuro e os nossos sonhos.

A participação de jovens nos debates sobre nossas realidades é essencial para que a cidadania seja exercida de forma plena, pois é ela que abre caminhos para que nós, a juventude, sejamos agentes de transformação da nossa própria realidade e da realidade de gerações futuras.

Sem a participação cidadã da juventude, não alcançaremos o desenvolvimento social e político em que tanto trabalhamos. É esse o momento da nossa geração mostrar sua força, garra e coragem para avançar nas conquistas, frear os retrocessos e construir um novo modelo de política.

Olhe para a fome: não dá pra esconder, não dá pra aceitar

33,1 milhões de pessoas não têm o que comer no Brasil de 2022 e mais da metade (58,7%) da população está em situação de insegurança alimentar – quando uma pessoa não tem acesso regular e permanente a alimentos.

É isso que revela o 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil. O país regrediu para um patamar equivalente ao da década de 1990. Hoje, apenas 4 em cada 10 domicílios conseguem manter acesso pleno à alimentação – ou seja, estão em condição de segurança alimentar. Os outros 6 lares se dividem numa escala, que vai dos que permanecem preocupados com a possibilidade de não ter alimentos no futuro até os que já passam fome. 

Em números absolutos, são 125,2 milhões de brasileiros que passaram por algum grau de insegurança alimentar. É um aumento de 7,2% desde 2020, e de 60% em comparação com 2018.

Ao olhar para a fome, é importante lembrar que cada número absoluto representa a vida de uma pessoa. E que mudanças em percentuais de insegurança alimentar — ainda que pareçam pequenas — significam milhões de pessoas convivendo cotidianamente com a fome.

Insegurança alimentar é a condição de não ter acesso pleno e permanente a alimentos. A fome representa sua forma mais grave.

A insegurança alimentar se agrava no Brasil e a fome segue crescendo. 

Olhamos para a fome quando os dados (alarmantes) do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil (I VIGISAN) foram publicados em 2021. Naquele contexto, vimos que a fome havia retornado aos patamares de 2004.

Em 2022, a nova edição da pesquisa, desenvolvida pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar (Rede PENSSAN), como parte do projeto VIGISAN, mostra que a insegurança alimentar se tornou ainda mais presente entre as famílias brasileiras.

O número de domicílios com moradores passando fome saltou de 9% (19,1 milhões de pessoas) para 15,5% (33,1 milhões de pessoas). São 14 milhões de novos brasileiros/as em situação de fome em pouco mais de um ano.

A continuidade do desmonte de políticas públicas, a piora na crise econômica, o aumento das desigualdades sociais e o segundo ano da pandemia da Covid-19 mantiveram mais da metade (58,7%) da população brasileira em insegurança alimentar, nos mais variados níveis de gravidade.

A insegurança alimentar ocorre quando uma pessoa não tem acesso regular e permanente a alimentos. Ela é classificada em três níveis:

  • LEVE – Incerteza quanto ao acesso a alimentos em um futuro próximo e/ou quando a qualidade da alimentação já está comprometida
  • MODERADA – Quantidade insuficiente de alimentos
  • GRAVE – Privação no consumo de alimentos e fome

O Brasil já foi referência internacional no combate à fome. Entre 2004 e 2013, políticas públicas de erradicação da pobreza e da miséria reduziram a fome para menos da metade do índice inicial: de 9,5% para 4,2% dos lares brasileiros. Hoje, infelizmente, o país é outro.

Se a pesquisa anterior mostrava que, no final de 2020, a fome havia retornado aos patamares de 2004, em 2022 a realidade é ainda pior. De 9% dos domicílios com moradores passando fome, saltamos para 15,5% — 33,1 milhões de brasileiros/as. Isso quer dizer que, de um período para o outro, 14 milhões de pessoas passaram a conviver com a fome no dia a dia.

Desde a Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2018 (POF-IBGE), muitas famílias migraram dos níveis de menor gravidade de insegurança alimentar para os de maior gravidade. É uma trajetória que mostra que o direito humano à alimentação adequada vem sendo sistematicamente violado, provocando uma tragédia no presente e impactando o futuro da população brasileira.

Em 2021/2022 (II VIGISAN), 125,2 milhões de brasileiros/as não tinham certeza se teriam o que comer no futuro próximo, limitando a qualidade ou quantidade de alimentos para as refeições diárias — um aumento de 7,2% em relação a 2020. Se compararmos com dados de 2018 (última estimativa nacional antes da pandemia de Covid-19), quando a insegurança alimentar atingia 36,7% dos lares brasileiros, o aumento chega a 60%.

Em média, considerando todas as regiões, 3 em cada 10 famílias relataram incerteza quanto ao acesso a alimentos em um futuro próximo e preocupação em relação à qualidade da alimentação no futuro imediato.

4 em cada 10 famílias das regiões Norte e Nordeste, 3 em cada 10 das regiões Centro-Oeste e Sudeste, e 2 em cada 10 da região Sul relataram redução parcial ou severa no consumo de alimentos nos três meses que antecederam as entrevistas do II VIGISAN.

As formas mais severas de insegurança alimentar (moderada ou grave) atingem fatias maiores da população nas regiões norte (45,2%) e nordeste (38,4%).

No campo ou na cidade, a fome se alastra

A insegurança alimentar está presente em mais de 60% dos domicílios das áreas rurais. Desses, 18,6% das famílias convivem com a fome, valor maior do que a média nacional. A pobreza das populações rurais, associada ao desmonte das políticas de apoio às populações do campo, da floresta e das águas, continua impondo a fome.

No Brasil, quem planta tem cada vez menos o que comer

A fome atingiu 21,8% dos lares de agricultores(as) familiares e pequenos produtores(as) rurais. Se olharmos para as formas mais severas de insegurança alimentar (moderada e grave), o total chega a 38% dos domicílios – cenário ainda mais preocupante nas regiões Norte (54,6%) e Nordeste (43,6%).

Percentualmente, a situação dos habitantes na área rural é mais grave. E o número de pessoas famintas em área urbana — cerca de 27,4 milhões — é estarrecedor.

As mulheres são as mais impactadas pela fome — e cada vez mais. 6 de cada 10 lares comandados por mulheres convivem com a insegurança alimentar. Nas casas em que a mulher é a pessoa de referência, a fome passou de 11,2% para 19,3%. Nos lares que têm homens como responsáveis, a fome passou de 7,0% para 11,9%. Isso ocorre, entre outros fatores, pela desigualdade salarial entre os gêneros.

Lares com criança têm mais fome

A fome dobrou nas famílias com crianças menores de 10 anos, passando de 9,4% em 2020 para 18,1% em 2022. Na presença de três ou mais pessoas com até 18 anos de idade no grupo familiar, a fome atinge 25,7% dos lares. Já nos domicílios apenas com moradores adultos a segurança alimentar chegou a 47,4%, número maior do que a média nacional.

A fome quase desaparece com renda de um salário mínimo por pessoa

91% dos domicílios cuja renda por pessoa era inferior a 1/4 do salário mínimo convivem com algum grau de insegurança alimentar. Em 43% deles os moradores vivenciam a fome. Por outro lado, 67% dos domicílios com renda maior que um salário mínimo têm o acesso pleno a alimentos (segurança alimentar) garantido.

Porém, se em 2020 não havia domicílios com renda maior que um salário mínimo por pessoa em situação de fome, no início de 2022 essa deixou de ser uma garantia contra a privação do consumo de alimentos – consequência da crise econômica e dos reajustes do salário mínimo abaixo da inflação. Agora encontramos 3% dos lares nesta faixa de renda em situação de fome, e 6% convivem com redução no acesso aos alimentos.

A fome é maior entre quem tem emprego informal

A fome é maior nos domicílios em que a pessoa responsável está desempregada (36,1%), trabalha como agricultor(a) familiar (22,4%) ou têm emprego informal (21,1%). Já a segurança alimentar é maior nos lares onde o chefe da família trabalha com carteira assinada, chegando a 53,8% dos domicílios.

Mas, enquanto em 2020 a fome estava presente em 3,3% dos domicílios onde a pessoa responsável tinha emprego formal, em 2021/2022 o percentual subiu para 7,3%. Nos domicílios em que o trabalho da pessoa de referência é informal, o aumento foi de 14,3% para 20,3%.

O Inquérito é realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN), com apoio e parceria da FES-Brasil, Ação da Cidadania, ActionAid Brasil, Instituto Ibirapitanga, Oxfam Brasil e Sesc São Paulo.

Além dos dados nacionais e regionais sobre a fome, o Inquérito nos apresenta que a fome tem cor, gênero e localidade. Um resumo mais detalhado das informações pode ser acessado pelo site: https://olheparaafome.com.br.

Projeto abre seleção para jovens mobilizadores/as das grotas de Maceió

As inscrições estão abertas de 10 a 27 de junho. São 10 vagas para jovens de 15 a 24 anos que residem nas grotas, engajados em suas comunidades e com interesse em comunicação e mobilização. As pessoas selecionadas vão participar e co-facilitar processos de formação, intervenção comunitária e produção midiática. O projeto prevê, ainda, o pagamento de bolsa auxílio e certificado de participação. 

Da Redação


Jovens de 15 a 24 anos que residem nas grotas de Maceió e querem mobilizar suas comunidades em prol de transformações sociais têm agora uma nova oportunidade. Trata-se da seleção de jovens mobilizadores/as no âmbito do Programa Juventudes, Comunicação e Cidade.

A iniciativa é realizada pelo ONU-Habitat, Instituto Pólis e Viração, como parte do projeto Visão Alagoas 2030, executado em parceria com o Governo de Alagoas. Ao longo dos próximos meses, a iniciativa vai realizar ciclos de formação sobre direito à cidade, comunicação e experimentação midiática. Nesse percurso, adolescentes e jovens vão poder refletir e intervir sobre a realidade de suas comunidades, produzir e disseminar produtos de comunicação multimídia e realizar ações comunitárias, alinhadas à Agenda 2030 e à Nova Agenda Urbana.

Reprodução: Agência Alagoas

Os 10 mobilizadores e mobilizadoras vão atuar co-facilitando os processos de mobilização e comunicação comunitária que serão desenvolvidos com outros jovens participantes da iniciativa. Para isso, vão participar de processos de formação nos quais poderão aprofundar questões relacionadas à realidade das juventudes e seus territórios, apreender técnicas e metodologias de produção midiática e mobilização social. O grupo vai atuar junto à equipe de educadores/as do projeto.

Cada jovem mobilizador/a receberá uma bolsa auxílio de R$300,00 (trezentos reais) mensais de julho a novembro, além de reembolso de despesas com transporte e alimentação no local das atividades presenciais. Além disso, vai ser certificado/a pelas organizações responsáveis pela implementação do projeto.

Quem pode participar

Para se inscrever, é necessário ter entre 15 e 24 anos, ser morador/a ou ter residido nas grotas de Maceió e ter interesse em comunicação e questões comunitárias. A atuação em coletivos juvenis será valorizada, mas não é uma condição para a participação.  Será priorizada a seleção de jovens negros e negras, indígenas, romanis, LGBTQIAP+, mães e jovens com deficiência.

<< Clique aqui para acessar o edital de seleção completo >>

 

Como se inscrever

As inscrições vão de 10 a 27 de junho e podem ser feitas por meio de formulário eletrônico no link abaixo. Em caso de dúvidas, os/as jovens podem entrar em contato com a Viração pelo e-mail: selecao@viracao.org

<< Clique aqui para se inscrever >>

Em enquete, jovens afirmam que sentiram necessidade de ajuda de saúde mental recentemente

Metade dos adolescentes e jovens sentiram necessidade de pedir ajuda em relação à saúde mental recentemente, mostra enquete do UNICEF com a Viração

Levantamento online com mais de 7,7 mil adolescentes e jovens revela, também,
que muitos não pedem ajuda ou não conhecem serviços dedicados a esse apoio.

Brasília, 30 de maio de 2022 –  Cuidar da saúde mental de meninas e meninos é urgente. Uma enquete com mais 7,7 mil adolescentes e jovens de todo o Brasil mostra que, recentemente, metade sentiu necessidade de pedir ajuda sobre saúde mental. Realizado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e pela organização da sociedade civil Viração Educomunicação, o levantamento online mostra, também, que 50% dos respondentes não conhecia serviços ou profissionais dedicados a apoiar adolescentes na área da saúde mental. 

Nesse momento em que o País começa a retomar a rotina, com a melhora da pandemia de covid-19, a saúde mental de adolescentes e jovens continua sendo uma preocupação. Quando questionados sobre o sentimento que melhor descreveria como estavam se sentindo nos últimos dias, 35% dos adolescentes e jovens que responderam à enquete disseram “ansiosas(os)”. Além disso, 14% se disseram “felizes”, 11% “preocupados consigo”, 9% “indiferentes” e 8% “deprimidas(o)s”

Entre todos os respondentes, metade diz que sentiu necessidade de pedir ajuda em relação à saúde mental, mas 40% deles não recorreu a ninguém. Outros 20% buscaram amigas(os), 15% a psicólogos ou psiquiatras, 11% recorreram à família e 8% a namoradas(os).  Somente 2% procuraram professores e outros 2% profissionais de saúde do Sistema Único de Saúde.

Entre os motivos destacados por aqueles que não buscaram ajuda estão a insegurança (29%), a desistência de buscar ajuda (26%), o medo de julgamento (17%), ou a falta de informação sobre quem procurar (10%). 

Apenas metade dos respondentes conhecia serviços ou profissionais dedicados a apoiar adolescentes na área da saúde mental. Entre quem conhecia, o Centro de Referência em Assistência Social (CRAS) apareceu como o principal local (38%), seguido por Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) (20%) e escola (17%). 

“Os resultados mostram que é fundamental que famílias e profissionais que trabalham com adolescentes ampliem suas habilidades para fazer uma escuta qualificada e sem julgamentos, promover o acolhimento e encaminhar adolescentes para os serviços adequados disponíveis. Estas são as primeiras pessoas de confiança buscadas por adolescentes e jovens em temas de saúde mental, mas é essencial que eles conheçam os fluxos de atendimento psicossocial em seus municípios, saber a quem buscar e aonde ir. É importante que os municípios estejam preparados para receber estas demandas intersetorialmente”, explica Gabriela Mora, oficial do Programa de Cidadania dos Adolescentes do UNICEF no Brasil.  

“Muitas vezes se fala sobre juventude e os desafios enfrentados nessa fase sem que adolescentes e jovens sejam convidados a participar do debate. É preciso construir espaços que possibilitem a escuta ativa desses sujeitos. Somente dessa forma seremos capazes de superar os estigmas em relação à saúde mental e planejar ações realmente assertivas para a criação de redes de apoio. O U-Report Brasil é um exemplo de espaço de escuta e de incentivo à participação cidadã de adolescentes e jovens na discussão sobre seus próprios direitos, entre eles a saúde mental”, afirmam Jéssica Rezende e Juliane Cruz, analistas de projeto na Viração e responsáveis pela implementação do U-Report no Brasil.

Sobre a enquete 

A enquete, com maior participação de adolescentes entre 15 e 19 anos, foi realizada de 17 a 23 de maio por meio da plataforma U-Report. As enquetes do U-Report Brasil são realizadas virtualmente pelo WhatsApp, Telegram e Facebook Messenger, por meio de um chatbot. O projeto é desenvolvido pelo UNICEF em parceria com a Viração Educomunicação. Não se trata de pesquisas com rigor metodológico, mas de consultas rápidas por meio de redes sociais entre pessoas, principalmente adolescentes e jovens, que se cadastram na plataforma. Esta enquete apresenta a opinião de mais de 7,7 mil adolescentes até 19 anos e não pode ser generalizada para a população brasileira como um todo. Confira todos os dados aqui.

Onde pedir ajuda?

Para apoiar adolescentes e jovens de 13 a 24 anos, o UNICEF conta com um canal de ajuda em saúde mental virtual, o Pode Falar. A plataforma já recebeu mais de 36,6 mil acessos desde que foi lançada em fevereiro de 2021 pelo UNICEF. A iniciativa nasceu da parceria do UNICEF com organizações da sociedade civil e empresas com expertise em tecnologia, e funciona de forma anônima e gratuita por meio de um chatbot batizado de Ariel por adolescentes, acessado pelo site podefalar.org.br ou pelo WhatsApp.

Viração e Instituto Pólis contratam Educador/a Social

São duas vagas destinadas a pessoas residentes e/ou atuantes nas grotas de Maceió/AL, para implementação de projeto no Programa de Formação de Juventudes em Comunicação Popular, Experimentação Midiática e Engajamento Comunitário; para se candidatar é preciso preencher formulário e anexar currículo. As inscrições foram prorrogadas e estão abertas até 19 de junho.

O Instituto Pólis e a Viração Educomunicação, em parceira técnica para a implementação do Programa de Formação de Juventudes em Comunicação Popular, Experimentação Midiática e Engajamento Comunitário, realizado no âmbito do projeto Visão Alagoas 2030, um projeto do Governo de Alagoas, em parceria com o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), abrem processo seletivo para contratação de 02 educadores sociais. 

As inscrições serão realizadas através de formulário virtual, com apresentação de currículo, comprovante de experiência profissional até o dia 19 de junho. A fase de seleção contará com análise dos currículos e entrevista.

DETALHAMENTO DAS VAGAS

Podem participar do processo de seleção educadoras e educadores residentes no município de Maceió e/ou atuantes nas grotas, com experiência comprovada de pelo menos 3 anos na facilitação de processos formativos com adolescentes e jovens, educomunicação, mídias e/ou  engajamento comunitário e que estejam com o esquema vacinal para COVID-19 completo, de acordo com os critérios adotados em Maceió.

Serão priorizadas as candidaturas de pessoas negras, indígenas, migrantes, romanis (ciganos), mulheres, mães-solo e LGBTQIAP+, com especial atenção para a população trans. 

Candidaturas que não atendam os pré-requisitos dispostos no Termo de Referência serão desconsideradas. 

Acesse aqui o formulário para se inscrever.

 

[ATENÇÃO: Não é necessário ter MEI para se candidatar à vaga, uma vez que a abertura poderá ser feita posteriormente à contratação]

ATRIBUIÇÕES

As/Os educadores sociais atuarão de forma presencial e online, conforme cronograma de trabalho a ser construído após a contratação, junto à coordenação do projeto, realizando as seguintes atividades:

  • Planejamento e produção de atividades educativas com adolescentes e jovens participantes do projeto; 
  • Mobilização de adolescentes e jovens;
  • Facilitação de processos de formação e experimentação midiática que contribuam para que adolescentes e jovens observem as potências e fragilidades dos territórios onde vivem – na perspectiva do direito à cidade –, criem e disseminem produtos de comunicação multimídia e realizem projetos e intervenções no campo da comunicação que visem a transformação comunitária;
  • Apoio técnico, político e pedagógico para que adolescentes e jovens concebam e implementem intervenções comunitárias no campo da comunicação;
  • Participação em processo de curadoria e edição dos materiais de comunicação criados por adolescentes e jovens ao longo dos processos de formação sobre as histórias, narrativas, personagens, lutas, demandas e conquistas dos territórios onde vivem para compor uma Coletânea de Memórias, que será publicada em formato de livro ao final do projeto.
  • Fomento, apoio e orientação para criação de uma Agência de Comunicação Comunitária na qual adolescentes e jovens das grotas de Maceió possam se articular de forma permanente para a criação e disseminação de conteúdos e produtos midiáticos com relevância sociocultural;
  • Participação em reuniões e outras atividades necessárias ao bom andamento do projeto; 
  • Apoio na mobilização e articulação de atores que sejam relevantes para o fortalecimento das ações do projeto;
  • Criação de relatórios de percurso e relatório final.

 

DA SELEÇÃO

O processo de seleção será conduzido por uma equipe técnica formada por integrantes da coordenação e gestão do projeto, em duas etapas:

Etapa 1: Análise de currículo e comprovação de experiência;

Etapa 2: Entrevistas individuais realizadas de forma virtual

Serão critérios para a seleção: 

  • Alinhamento do perfil e das experiências profissionais ao objetivos do Programa de Formação de Juventudes em Comunicação Popular, Experimentação Midiática e Engajamento Comunitário;  
  • Experiência no trabalho formativo com adolescentes e jovens; 
  • Experiência em comunicação, mídias e engajamento comunitário;
  • Atuação nos territórios vulnerabilizados da cidade de Maceió;
  • Alinhamento e comprometimento com as prerrogativas dos Direitos Humanos;
  • Disponibilidade para realizar todas as ações e atividades descritas no subitem 4.3

 

DA CONTRATAÇÃO E REMUNERAÇÃO 

A contratação será realizada como prestação de serviços de pessoa jurídica (MEI) e formalizada por meio de contrato de prestação de serviços pelo prazo de até 08 meses (de junho de 2022 a janeiro de 2023). Não é necessário ter MEI para se candidatar à vaga, uma vez que a abertura poderá ser feita posteriormente à contratação.

A carga horária será de 36 horas semanais, em dias e horários a combinar posteriormente. O valor para esta prestação de serviços é de R $3.500,00 (três mil e quinhentos reais) por mês.

Para se inscrever, as pessoas interessadas deverão preencher o formulário online, anexando currículo profissional e comprovantes de experiência (portfólio, contratos e declarações de trabalho CLT ou PJ, entre outros documentos) organizados em um único arquivo no formato pdf. 

Acesse aqui o formulário para se inscrever.

 

DÚVIDAS E MAIS INFORMAÇÃO

Dúvidas ou pedidos de informações adicionais poderão ser enviadas para o e-mail selecao@viracao.org.

Consulte aqui o Termo de Referência completo.

 

O Pólis – Instituto de Estudos, Formação e Assessoria em Políticas Sociais é uma Organização-Não-Governamental (ONG) de atuação nacional, com participação em redes internacionais e locais, constituída como associação civil sem fins lucrativos, apartidária, pluralista e reconhecida como entidade de utilidade pública nos âmbitos estadual e federal. https://polis.org.br/ | https://www.instagram.com/institutopolis/

A Viração Educomunicação é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos, criada em março de 2003, que atua com comunicação, educação e mobilização social para a promoção dos direitos humanos de adolescentes e jovens. Sua missão é conectar, inspirar e engajar meninas, menines e meninos na construção de uma sociedade justa, participativa e diversa a partir de processos, projetos e produtos educomunicativos. 

www.viracao.org | @viracaoeducom | fb.com/viracao.educomunicacao | issuu.com/viracao 

O Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) estabeleceu-se em 1978, como resultado da Conferência das Nações Unidas sobre Assentamentos Humanos (Habitat I). Atua em projetos relacionados a diversos temas urbanos em cidades de todo o país, com foco na melhoria da qualidade de vida em um mundo majoritariamente urbanizado; na construção de cidades e comunidades seguras, resilientes e sustentáveis e na promoção da urbanização como uma força transformadora positiva para pessoas e comunidades. https://www.instagram.com/onuhabitatbrasil

O Visão Alagoas 2030 é um projeto do Governo de Alagoas, em parceria com o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), voltado ao desenvolvimento de estratégias e soluções integradas para uma prosperidade urbana sustentável e inclusiva no estado.

http://visaoalagoas2030.al.gov.br/

Chama na Solução 2022: juventudes enfrentando os efeitos da crise climática

O projeto do UNICEF implementado pela Viração visa potencializar a atuação de jovens na criação de ações inovadoras capazes de apontar soluções sustentáveis para o Brasil

Essa edição do Chama é um convite às juventudes para debater mudanças climáticas e um presente-futuro sustentável. As inscrições foram prorrogadas até o dia 24 de junho; saiba como participar

Em diálogo com a Agenda ONU 2030, o projeto Chama na Solução abre inscrições para pessoas entre 14 e 24 anos da cidade de São Paulo, região metropolitana da capital e litoral do estado, a proporem ações criativas que fomentem o desenvolvimento sustentável, econômico, social e ambiental do país. O projeto encoraja que juventudes caiçaras, quilombolas e indígenas se inscrevam nesta edição.

As inscrições estão abertas entre os dias 18 de maio e 24 de junho, via formulário online. Para ampliar a possibilidade de inscrição, essa edição também receberá inscrições por vídeo.

Clique aqui para acessar o formulário de inscrição!

Prefere vídeo? Clique aqui e acesse o formulário para se inscrever!

O projeto consiste em percurso formativo com duração total de 6 meses, organizado em duas etapas, com dinâmicas específicas em cada uma delas.

A primeira etapa compreende a seleção de 10 propostas de ações criativas e inovadoras para o enfrentamento das mudanças climáticas e seus desdobramentos político-sociais. Os projetos devem ser formados por quatro pessoas e com comprovada atuação sobre a agenda das mudanças climáticas, com atenção aos impactos gerados em seus territórios. 

A segunda etapa terá duração de 5 meses, e se dedicará a adensar o trabalho formativo-interventivo junto a 5 coletivos selecionados para participar do ciclo completo. Estes, por sua vez, serão os grupos escolhidos para a gestão e implementação de projetos por meio do capital-semente. Os coletivos também poderão submeter seus projetos ao chamamento global, no qual jovens de todo o mundo apresentam seus projetos. 

Ainda nesta etapa, cada Coletivo receberá um um recurso no valor de R $1.500 a R $4.000. Este recurso visa incentivar, apoiar e oportunizar melhores condições para que os adolescentes e jovens participantes possam iniciar a implementação de seus projetos de intervenção comunitária. 

Por ´coletivos´, entende-se a formação de um grupo organizado para atuarem em uma proposta comum, e que apresente ideias concretas de atuação em algum território pré-definido. Podem ser grupos que já existam previamente, ou não. A aposta é encontrar jovens engajados com experiências anteriores em intervenções e ativismo socioambientais, para refletirem e proporem ações interventoras para a construção do bem viver em seus territórios. 

Serviço

Inscrições: 18 de maio a 24 de junho

Divulgação dos resultados: 01 de julho

Início das atividades: 6 de julho

Inscrição em texto: Preencha o formulário até 24 de junho

Link para inscrição em vídeo: Preencha o formulário e envie seu vídeo até 24 de junho

 

Sobre o Unicef

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) trabalha em alguns dos lugares mais difíceis do planeta, para alcançar as crianças mais desfavorecidas do mundo. Em 190 países e territórios, o UNICEF trabalha para cada criança, em todos os lugares, para construir um mundo melhor para todos.

Sobre a Viração

A Viração é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua com comunicação, educação e mobilização social para a promoção e defesa dos direitos juvenis. Criada em março de 2003, tem como missão conectar, inspirar e engajar adolescentes e jovens na construção de uma sociedade justa, participativa e plural. Como visão e expectativas de futuro, pretende contribuir para que meninas e meninos tenham direitos garantidos e participem ativamente de transformações socioambientais.

AMAZÔNIA DE PÉ – um projeto de lei para frear o desmatamento da floresta

Campanha convida sociedade civil para se unir em prol da floresta, que pode virar savana até 2050; Viração e Agência Jovem de Notícias se somam à mobilização

Uma série de pesquisas mostra que a Amazônia nunca esteve tão ameaçada.

A prova é o crescimento desenfreado do desmatamento nos últimos três anos em comparação ao triênio anterior, segundo relatório do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia). Como forma de combater a destruição na Amazônia legal brasileira, a ONG de mobilização e solidariedade NOSSAS ouviu diversos especialistas e organizações para propor o projeto de lei de iniciativa popular (PLIP) “Amazônia de Pé”, que cobra do governo federal a proteção dos territórios mais atacados na região: as florestas públicas não destinadas. Além de mostrar que a preservação da Amazônia é tema urgente para a política nacional e internacional, a campanha busca reunir 1,5 milhões de assinaturas de brasileiros para apresentar o projeto no congresso nacional em 2023. O lançamento, que acontece no dia 11 de maio, contará com ações de rua nas cidades de Belém, Manaus, Recife, Rio de Janeiro, São Luís e São Paulo.

De acordo com o último relatório publicado pela revista britânica Nature, 75% do desmatamento da Amazônia é irreversível: ou seja, são territórios onde a floresta não cresce mais. Nesse ritmo, diz a revista, a Amazônia vai virar savana ainda no século XXI. Já a revista One Earth prevê que a mudança de bioma pode acontecer em 30 anos. O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) aponta que os territórios mais afetados são as terras públicas não destinadas, que são terras federais sem uso, sem proteção, que estão à mercê da grilagem. Segundo a Lei nº 9.985 de 2000, essas terras já deveriam ser entregues a entidades que podem preservar a vegetação existente nesse espaço. O Estado segue ignorando sua obrigação por 22 anos.

A Lei “Amazônia de Pé”, proposta pela ONG NOSSAS em parceria com mais de 60 organizações – entre elas a Viração Educomunicação e o projeto Agência Jovem de Notícias, obriga que o governo transforme essas terras sem proteção em Unidades de Conservação da Natureza, territórios indígenas e quilombolas para, dessa forma, serem preservadas de fato.

A ideia é que essas terras fiquem sob proteção de quem cuida da floresta, transformando territórios desprotegidos em áreas ocupadas. “Estamos vivendo uma emergência climática e não temos tempo a perder, é preciso resguardar nossas florestas públicas e deixá-las com quem sabe cuidar e conservar. Manter a Amazônia de Pé é sobre equilibrar a temperatura média do nosso planeta, proteger o maior reservatório de água do mundo, fortalecer a economia dos povos da floresta e evitar que o Brasil enfrente, em um nível catastrófico, uma série desenfreada de eventos climáticos extremos”, argumenta Karina Penha, coordenadora de mobilização da campanha Amazônia de Pé.

Atualmente, são mais de 50 milhões de hectares de terras públicas não destinadas na Amazônia Legal brasileira, área que corresponde a duas vezes o estado de São Paulo. Estas áreas podem até ser entendidas como “sem dono”, pois historicamente não tiveram uso destinado, mas hoje estão sendo invadidas e devastadas, o que tem contribuído para destruição da Amazônia. O IPAM, em relatório publicado em 2022 sugere que a destinação dessas terras é uma das medidas necessárias para frear o avanço do desmatamento e preservar a floresta.

 

INICIATIVA POPULAR

Um projeto de lei de iniciativa popular é uma ferramenta democrática em que o povo cria leis que julga urgentes para suas realidades e as apresenta para discussão e votação no Congresso Nacional. Na história brasileira, quatro leis foram aprovadas a partir da ferramenta: a mais notável delas é a Lei da Ficha Limpa de 2010, que proíbe que políticos condenados em segunda instância possam se candidatar novamente. Essa vitória da democracia inspirou a ONG NOSSAS a escrever uma proposta que visa proteger a floresta amazônica em seu momento mais crítico de destruição.

“A emergência climática é uma realidade e, para mitigá-la, nós brasileiros temos um enorme desafio em 2022 que é eleger governantes radicalmente comprometidos com o bem estar da nossa gente e com a conservação das nossas riquezas naturais. Em contraponto, o NOSSAS estará reunindo essas assinaturas para que o povo não espere somente pelos representantes e utilize essa poderosa ferramenta que é o projeto de lei de iniciativa popular para fazer política com as próprias mãos. A floresta Amazônica é o maior patrimônio natural do nosso planeta e lutar pela sua manutenção é construir um futuro no presente” defende Cledisson Junior, gestor de advocacia do NOSSAS.

Para que a lei seja aprovada, a “Amazônia de Pé” precisa coletar 1,5 milhões de assinaturas físicas de brasileiros de todo o país e entregá-las no congresso nacional em 2023. Para isso, estão sendo mobilizadas diversas entidades que já trabalham com a pauta climática e com a proteção da biodiversidade, além da sociedade civil como um todo para que o povo esteja engajado e veja a proteção da Amazônia uma prioridade do presente. 

 

COMO ASSINAR

Qualquer brasileiro com título de eleitor pode se tornar um co-autor da lei.

O processo começa no site amazoniadepe.org.br que, além de apresentar a minuta do projeto de lei na íntegra, também ensina como baixar a ficha, assinar e coletar assinaturas de outras pessoas. Por fim, a ficha poderá ser entregue em um dos pontos de coleta espalhados pelo Brasil ou enviada pelos Correios para a caixa postal da campanha. Todas as 1,5 milhões de assinaturas serão reunidas e entregues fisicamente em Brasília no Congresso Nacional em 2023. Além do site, a campanha segue nas redes sociais e nas ruas com um calendário de mobilizações e ações de coleta de assinaturas em diálogo com o povo brasileiro.

“A gente não pode mais perder tempo assistindo a Amazônia ser destruída diante dos nossos olhos… Precisamos conversar com nossas famílias, nossos amigos, nossos vizinhos. Sabemos que eles se importam com a floresta, agora é a hora de pedir que eles não só se importem, mas ajam. Todos nós, juntos, precisamos construir a maior mobilização em defesa da Amazônia que esse país já viu, para que não reste dúvida ao novo Congresso: proteger a Amazônia é uma prioridade dos brasileiros. E qualquer pessoa pode fazer isso, conversando com quem está ao seu redor e pedindo uma assinatura em defesa da Amazônia de Pé”, explica a diretora da campanha, Daniela Orofino, convidando a sociedade para a mobilização.

Para Leila Borari, indígena do povo Borari de Alter do Chão (Pará), aprovar o “Amazônia de Pé” é decisivo para garantir a vida das próximas gerações. O projeto “é a esperança de que a nossa geração possa deixar uma Amazônia viva para as futuras, onde podemos barrar o desequilíbrio ambiental que estamos causando e acima de tudo, um lugar seguro para os povos tradicionais viverem”, conclui Leila, mobilizadora da campanha na Amazônia.

 

SOBRE NOSSAS:

A Nossas é uma organização sem fins lucrativos comprometida com o fortalecimento da democracia, da justiça social e da igualdade. Há mais de dez anos desenvolvendo projetos, táticas e estratégias de mobilização e solidariedade, ela está presente em todo o território nacional. Foram dezenas de campanhas realizadas na última década, mobilizando e formando redes de ativismo em torno de pautas como a violência de gênero e cor, justiça climática, defesa da democracia, entre outras.

SERVIÇO

Amazônia de Pé – ONG NOSSAS lança projeto de lei de iniciativa popular pela preservação da Amazônia

Dia: 11 de maio

Local: redes sociais e ações nas ruas de Belém, Manaus, Rio de Janeiro, São Luís, Recife e São Paulo

Mais informações: http://amazoniadepe.org.br 

 

ASSESSORIA AMAZÔNIA DE PÉ

Gustavo Aguiar

gustavo@nossas.org

+55 91 9 8109 9565 (WhatsApp)

 

RPM Comunicação

Monica Hing

monica@rpmcom.com.br

(21) 99551-8536

Jovens desenvolvem produtos educomunicativos sobre a preservação da biodiversidade do oceano e dos rios

Por meio de quatro oficinas educomunicativas, a Viração facilitou a construção de peças para o Instagram convocando jovens a participarem do LAB Jovens 2022

O LAB Jovens é um programa de formação e de apoio a projetos-ações desenvolvido pela Embaixada da França no Brasil e direcionado a jovens brasileiros de 18 a 26 anos. É inovador em seu formato, que inclui webinários, oficinas e mentorias, e na sua proposta de construção de uma rede nacional permanente de jovens defensores do meio ambiente. O tema da edição deste ano é Preservar a biodiversidade do oceano e dos rios.

A Viração Educomunicação foi contratada para facilitar quatro encontros, ao longo do mês de abril, com o intuito de definir coletivamente a estratégia de comunicação do projeto, além da criação de conteúdos para a conta Instagram do LAB Jovens 2022, voltados para a convocação de participantes na edição de 2022 do projeto. Cinco jovens mobilizadores, participantes da segunda fase do LAB Jovens 2021, foram selecionados por suas especializações e interesses em educomunicação ou jornalismo.

A participação da Viração teve como objetivo ajudar no trabalho coletivo entre eles, na mobilização e no incentivo total da liberdade criativa. Os encontros só reforçaram como a juventude representa um futuro diverso, pautado na luta pela preservação do meio ambiente e dos direitos humanos”, conta Pedro Neves Fonseca, coordenador de projetos da Viração e facilitador das oficinas.

Os encontros tiveram ênfase na construção de cinco peças, sendo dois carrosséis e três vídeos no formato reels, com temas e conteúdo definidos pelos mobilizadores já no primeiro encontro. Ao longo das oficinas, desenvolveram roteiros, passaram por formações sobre criação de vídeos e edição no software Canva, além de terem orientações sobre o pensamento crítico, o trabalho coletivo e o protagonismo nos processos de comunicação.

A divulgação desses conteúdos ocorre durante a fase de inscrições, que vão do dia 2 ao dia 8 de maio, no site www.labjovens.com.br e na conta oficial do projeto no Instagram. A primeira fase do programa oferece 500 vagas para jovens de todas as regiões do país e prevê uma série de eventos virtuais sobre a biodiversidade no meio aquático, com a participação de cientistas, ativistas e representantes da sociedade civil. Os jovens selecionados para a fase seguinte receberão mentoria e serão acompanhados para desenvolver um projeto, individual ou coletivo, de A a Z. Dez projetos serão apoiados com um “fundo-semente” e poderão sair do papel.

 

Finalistas de todo o país reunidos no Rio de Janeiro. Edição 2021. ©tai.awa

 

Parceiros do LAB Jovens 2022: 

  • Organização – FundoCasa Socioambiental, Instituto Ecologico Aqualung, IRD – Instituto francês de pesquisa e desenvolvimento, Rare Brasil, Viração educomunicação, WWF Brasil.
  • Apoio – Câmara de Comércio França-Brasil, Delegação da União Europeia, Engajamundo, Fondation Tara Ocean, L’Oreal

 

FrancEcoLab Brasil – O LAB Jovens faz parte de uma iniciativa mais ampla da Embaixada da França, o FrancEcoLab Brasil, que visa sensibilizar os jovens para as questões ambientais e dar a eles as ferramentas para agir. O eixo escolar do FrancEcoLab Brasil mobiliza professores e alunos de francês em mais de 50 escolas brasileiras, do ensino fundamental ao médio, com conteúdos educacionais, oficinas e concursos. O LAB Jovens e o eixo escolar do FrancEcoLab Brasil compartilham o mesmo tema a cada ano e realizam ações conjuntas com seus públicos e parceiros.

Inscrições e regulamento: www.labjovens.com.br

De 02 a 08 de maio

Contato imprensa Embaixada da França: 

Alice Gouzer – 61 99935-3638

Fernanda Isidoro – 61 99966-4771 (a partir de 08/05)

Nove em cada dez adolescentes acreditam que o voto tem poder para transformar a realidade, mostra enquete do UNICEF com a Viração

Levantamento online realizado com mais de 3 mil adolescentes entre 15 e 17 anos revela que 64% pretendem votar nas eleições deste ano.

 

Brasília, 18 de abril de 2022 Faltando poucas semanas para terminar o prazo para tirar o título de eleitor, uma enquete do UNICEF e da organização da sociedade civil Viração Educomunicação revela que a maioria dos adolescentes participantes quer exercer o direito ao voto em 2022.  Nove em cada dez afirmam que o voto tem poder para transformar a realidade. Além disso, 64% afirmam que vão votar este ano; 21% ainda não sabem se vão votar ou não; e 15% disseram que não vão votar. Mais de 3 mil adolescentes de 15 a 17 anos de todas as regiões do país participaram da consulta.

“Participar das decisões que impactam sua vida é um direito de crianças e adolescentes. Para meninas e meninos de 16 e 17 anos, o voto é facultativo, mas é um importante instrumento para adolescentes exercerem sua cidadania”, defende Mário Volpi, chefe do programa de Cidadania de Adolescentes do UNICEF no Brasil.

Entre os que disseram que “não vão votar neste ano”, apenas 10% afirmam que, de fato, não querem votar. Outros 17% disseram que não conseguirão tirar o título de eleitor a tempo e 69% afirmaram não ter idade suficiente. Entre quem disse não ter idade suficiente, havia adolescentes de 15 anos que não completarão 16 anos até outubro e não podem votar, mas também alguns de 15, 16 e 17 anos que poderiam votar, mas não tinham essa informação. 

Fica claro, por meio da enquete, que adolescentes querem saber mais sobre como exercer o direito ao voto. Entre os respondentes que “não sabem se vão votar ou não”, 72% disseram que o principal motivo é não ter conseguido tirar o título de eleitor ainda. Entre todos os participantes, 64% disseram querer receber informações sobre como tirar o título de eleitor online. 

“Democracia se faz com participação da sociedade civil. Em diversos países de todo o mundo, os jovens têm desempenhado um papel fundamental nas eleições e na construção de novos sonhos para o futuro do planeta. Quatrocentos e quarenta mil jovens tiraram o título de eleitor no último mês no Brasil, mas falta muita gente! Nosso convite é para que tirem o título e ajudem a construir espaços de formulação de propostas para as eleições que ocorrerão em 2022 no País”, defende Simone Nascimento, presidente da Viração Educomunicação.

“Essa enquete mostra que os adolescentes querem ser ouvidos, contribuir e exercer seu direito à participação. Neste momento, é importante que eles tenham informações sobre como tirar o título e, assim, possam estar aptos a votar em outubro”, complementa Mário Volpi.

Quando perguntados sobre o que pensam a respeito de outros adolescentes e jovens que não tiraram o título, os participantes colocam algumas hipóteses. Para 25% dos adolescentes que participaram da consulta pública, o desinteresse pela política institucional é o principal motivo pelo qual tantos jovens ainda não tiraram o título de eleitor. Para 20%, o principal motivo é o pouco conhecimento sobre política e outros 20% acreditam que é por não considerarem que votar seja algo importante. Além disso, 15% acreditam que a baixa porcentagem de adolescentes aptos a votar se deve ao fato de não se sentirem representados pelos possíveis candidatos e candidatas, 13% por não saberem que podem votar e como tirar título e outros 7% alegaram outros motivos.

Em fevereiro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou a menor porcentagem de adolescentes de 16 e 17 anos com título de eleitor desde a conquista do direito ao voto para essa faixa etária na Constituição de 1988. De acordo com o órgão, pouco mais de 13% estavam aptos para votar nas eleições de 2022 naquele momento. Desde então, campanhas de conscientização têm sido realizadas e os números vêm aumentando. Segundo o TSE, o número de novos títulos de adolescentes de 15 a 17 anos passou de 199.667 em fevereiro para a marca de 290.783 em março, crescimento superior a 45%. 

Sobre a enquete

As enquetes do U-Report Brasil são realizadas virtualmente pelo WhatsApp, Telegram e Facebook Messenger, por meio de um chatbot. O projeto é desenvolvido pelo UNICEF em parceria com a Viração Educomunicação e conta com mais de 140 mil adolescentes e jovens inscritos. Não se trata de pesquisas com rigor metodológico, mas de consultas rápidas por meio de redes sociais entre pessoas, principalmente adolescentes e jovens, que se cadastram na plataforma. Esta enquete apresenta a opinião de mais de 3,1 mil adolescentes de 15 a 17 anos e não pode ser generalizada para a população brasileira como um todo.

Participação política das juventudes é tema de série especial na Agência Jovem de Notícias

Série que trata da importância da participação política das juventudes nas eleições e fora delas vai ocupar as redes da AJN e da Viração ao longo do mês de abril, com participação de jovens comunicadores da rede Agência Jovem

A corrida eleitoral de 2022 começou muito antes do calendário do TSE. E junto com os primeiros movimentos das pré candidaturas, filiações e desfiliações partidárias, foram divulgados dados preocupantes que refletem a falta de interesse de jovens entre 16 e 18 anos por exercer seu direito ao voto. Segundo o Tribunal,  houve uma queda de 82% nas emissões de novos títulos de eleitor para jovens que têm voto facultativo.

Esse desinteresse vem acompanhado, quase sempre, de uma descrença nas possibilidades reais de atuação dos possíveis candidatos e da crescente falta de representatividade. Apesar da intensa campanha de mobilização nas redes sociais chamando a atenção da juventude para a importância de fazer o documento já apresentar resultados – o TSE divulgou que durante os dias 14 e 18 de março, cerca de 100 mil jovens tiraram o título pelo site –, muito pouco se falou sobre a importância da participação política, nas eleições e depois delas.

O que pode motivar as juventudes a participar mais ativamente das eleições?

Como fazer com que a participação política seja um assunto da juventude não apenas durante as eleições?

Para contribuir com esse debate, a Agência Jovem de Notícias Brasil, o U-Report Brasil e a Viração lançam, ao longo do mês de abril, uma série especial sobre juventudes e eleições. 

A série conta com um pouco do histórico do direito ao voto no Brasil e traz vídeos de jovens comunicadores da AJN e participantes de projetos da Viração Educomunicação falando, para outros jovens, sobre por que consideram importante participar das eleições – mesmo que de forma facultativa para quem ainda não tem 18 anos, e de regularizar a situação eleitoral para quem já é maior de idade – para continuar em luta pelos direitos à educação de qualidade, saúde, mobilidade, acesso ao lazer e à cultura, igualdade de raça e gênero, alimentação saudável, entre outros temas. A série também conta com artigos escritos por jovens comunicadores da AJN sobre o tema da participação política, com diferentes recortes.

O U-Report Brasil, iniciativa do Unicef Brasil implementada pela Viração que utiliza chatbots no WhatsApp e no Messenger para dialogar com adolescentes e jovens de todas as regiões do país lançou, no final de março, uma enquete perguntando, entre outras coisas, se pretendem votar e o que pensam que faz a juventude não demonstrar interesse pela política. Os resultados serão divulgados em breve.

Acompanhe a série completa em todos os canais da Agência Jovem e da Viração nas redes sociais!