Estudar em casa: Quais são os desafios para estudantes de escolas públicas das favelas e periferias?

Adolescentes e jovens que vivem em favelas e periferias responderam à enquete do U-Report Brasil sobre estudar em casa na quarentena.

Estudar em casa é um desafio para todo mundo, posto que exige maior autonomia para organização e a necessidade de criar um ambiente onde se possa ter concentração. Vários fatores que circundam o espaço, como ruídos, qualidade da conexão ao meio pelo qual se estuda, entre outros, também interferem. Quando se fala em estudar em casa morando em uma favela ou periferia, de que forma esses fatores se combinam? Geram quais desafios?

Ao todo, 735 adolescentes e jovens de favelas e periferias responderam à enquete pelo chatbot da plataforma U-Report em redes sociais como o Facebook Messenger e o WhatsApp sobre estudar em casa. As respostas vieram de todas as regiões do país. E os estados mais ativos na enquete foram São Paulo, Maranhão e Bahia. 

Entre a galera que respondeu, 54% está matriculada em uma escola, sendo 81,41% em escolas públicas. E é sobre elas que falaremos por aqui.

Condições para estudar

Em relação à estrutura para acessar a educação remota, quando questionados/as se têm um espaço adequado para estudar em casa – onde possam ficar a sós ou, ao menos, longe de barulhos que os/as desconcentram, 62,69% dos/as adolescentes e jovens responderam que não. Ao responderem se possuem um computador (desktop, notebook, tablet etc.) para estudar, 57% afirma não ter, apesar de 81% ter wi-fi em casa.

Eu tenho recursos básicos para o ensino em casa, mas meus vizinhos não, alguns amigos de escola e parentes também não. E isso acontece muito nas periferias e favelas. A desigualdade social é o nosso maior problema.

Menina, 14 anos, branca, de Maranhão

Ao responderem se sentem que possuem mais condições de estudar neste momento, 62,10% afirma que não. Entre as pessoas que afirmam que sim, a maioria (34,82%) aponta que é porque consegue se concentrar melhor estudando em casa, tem mais tempo pra ler e gosta de estudar pela internet. Entre quem diz que sente que têm menos condições de estudar, a maioria (31,43%) afirma que não está conseguindo se concentrar, não está se sentindo bem emocionalmente para conseguir estudar, tem que cuidar da casa e/ou família e que é difícil acompanhar os conteúdos em aulas online.

Os maiores desafios para adolescentes e jovens de periferias estudarem em casa

Acesso a conexão de internet e acredito que o psicológico de ninguém está totalmente bem neste momento, todos estão aflitos com tudo que vem acontecendo. Aqui em minha cidade está uma situação bem crítica. Vejo adolescentes do meu bairro que nem tem um celular ou tablet, que não tem condições de comprar. E. infelizmente, as aulas não param, os conteúdos avançam. E eles, infelizmente, ficaram para trás. Como sempre.

Menina, Ceará, 15 anos, negra

A enquete finalizou com uma pergunta aberta aos respondentes sobre qual seria, para eles/as, o maior desafio para crianças, adolescentes e jovens das periferias e favelas estudarem em casa. Entre as respostas, se destacam: (i) questões de infraestrutura, como a falta de ambiente próprio para estudo, carência de aparelhos eletrônicos e acesso à internet, além das escolas que não estão disponibilizando meios de ensino a distância; (ii) questões emocionais, como a preocupação com a própria saúde e a de familiares, ansiedade diante deste momento e implicações na saúde mental; e (iii) questões relacionadas à qualidade do ensino, do afastamento da escola e falta de orientação de professores às dificuldades de se adaptar a estudar online.

Confira outras respostas sobre os desafios:

Ter que escolher entre estudar ou trabalhar. Estudar fica difícil porque não tem estrutura e, ao trabalhar, pelo menos tem uma renda pra ajudar a família nesse momento tão difícil

Menina, 15 anos, raça não-declarada, Mato Grosso

“Se concentrar nos estudos e ‘esquecer’ o caos: falta de dinheiro, conhecidos doentes, ministros que não tem a juventude periférica como pauta, desespero pela incerteza de até quando isso irá durar…

Menina, 17 anos, branca, de São Paulo

Muitos tem que trabalhar para arrumar um alimento, porque antes comiam na escola e agora não tem mais esse alimento.

Menina, 14 anos, branca, Ceará

U-Oquê?

O U-Report é um projeto do escritório de inovação global do Unicef implementado pela Viração Educomunicação no Brasil. Funciona como uma ferramenta de participação social no meio digital, que tem como objetivo mobilizar e envolver a juventude em discussões sobre seus próprios direitos.

Basicamente, o projeto atua por meio de um chatbot social (um robô) que troca ideia com adolescentes e jovens.  Os conteúdos são distribuídos na forma de enquetes, infocentros, materiais educativos, desafios temáticos, transmissões ao vivo, entre outros, e chegam aos jovens por meio de aplicativos que fazem parte do cotidiano.

Você pode fazer parte do U-Report através do Facebook ou do WhatsApp.

Imagem destacada: ‘Mesa de estudos de Luciano Alves que investe nos livros, já que não tem acesso à internet | Foto: arquivo pessoal’ / Reprodução Ponte Jornalismo

Estudo, trabalho e renda: O que mudou com a pandemia?

Enquetes mapeiam mudanças e desafios enfrentados por adolescentes e jovens.

Na metade do mês de junho, o Unicef e a Viração realizaram enquetes através do U-Report sob o objetivo de mapear os desafios que estão sendo enfrentados e as mudanças que aconteceram nas vidas de adolescentes e jovens diante da pandemia quando os assuntos são estudo, trabalho e renda. 

Ao todo, 3.831 pessoas de todos os estados do país toparam responder – 64% das respostas vieram de meninas e 36% de meninos. As regiões mais ativas foram Ceará e Bahia, estados da região nordeste.

O questionário mapeou dados importantes para entender a atual realidade de adolescentes e jovens, como:

 

1) Em relação aos estudos

 

Entre quem está no ensino básico e superior:

64% está estudando em casa;

24% parou de estudar. Deste número, 5% afirmou que desistiu deste ano letivo.

 

Entre quem estudava por conta própria antes da quarentena:

55% parou de estudar. Deste número, 44% afirma que voltará quando as coisas melhorarem.

 

Entre quem não estudava:

24% voltou a estudar neste momento; 18% decidiu que voltará.

 

Em relação ao ENEM e outros vestibulares:

65% está achando mais difícil para se preparar;

– Entre as pessoas que desistiram de tentar neste ano, 87% não está conseguindo estudar, talvez não conseguirá pagar a taxa de inscrição e/ou perdeu o ânimo para tentar.

 

2) Em relação ao trabalho

40% ficou sem trabalho, mudou ou decidiu parar por conta da pandemia;

27% começou a trabalhar em casa;

44% teve o salário reduzido.

 

3) Em relação à renda

44% afirma que a renda de sua família diminuiu;

14% deixou de fazer alguma refeição porque faltou dinheiro;

24% chegou a um momento onde os alimentos em casa acabaram, mas não tinha grana pra comprar mais;

19% não recebe, mas está precisando de um programa de distribuição de alimentos.

 

Alguns desses resultados foram discutidos na Live “Juventude, trabalho e renda”, que ocorreu no dia 18 de junho e está gravada no canal do Youtube do Unicef Brasil. Você também pode conferir os dados completos nos seguintes links: Estudos, Trabalho e Grana.

Inscrições abertas para a nova turma do Pra Brilhar 2020

Projeto executado pela Viração Educomunicação em parceria com o Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo abre inscrições para jornada de formação no segundo semestre

O Pra Brilhar, projeto executado pela Viração Educomunicação focado em discussões de comunicação e expressão, gênero e na prevenção combinada ao HIV/Aids e outras ISTs, abriu na última quinta-feira (18) as inscrições para selecionar jovens LGBTI+ para sua próxima turma.

A jornada de aprendizado é composta por 14 encontros, nos quais a turma discute os macro temas com o apoio de facilitadores de diversos coletivos e organizações parceiras, enquanto são estimulados a criar produtos educomunicativos coletivamente, que são publicados no final do ciclo no site do projeto e nas redes sociais.

São artes gráficas, produção audiovisual e performances de artes do corpo, além de intervenções no território. 

Devido à pandemia da Covid-19, os primeiros encontros estão programados para acontecer de forma on-line, garantindo a proteção de todes. Quando for seguro, encontros presenciais serão combinados com a turma.

– Período da formação: encontros semanais de agosto a novembro de 2020

– Os/As participantes receberão ajuda de custo para garantir conexão à internet / vale transporte e um lanche nos dias de encontro presenciais (quando for possível acontecer).

– A seleção será realizada com critérios de classe e cor.

– As datas dos encontros serão definidas junto com as/os jovens selecionades.

Serão selecionades até 40 jovens LGBTI+, prioritariamente meninos cis gays, meninas trans e travestis da cidade de São Paulo com idades entre 16 e 29 anos para participar da jornada de formação na qual poderão aprender mais sobre produção de conteúdos e comunicação, explorando os temas:

  • Gênero
  • Sexualidade
  • Direitos Humanos
  • Prevenção combinada ao HIV/Aids e outras ISTs

As inscrições estão abertas até o dia 15 de julho e para participar a pessoa interessada deve preencher o seguinte formulário: https://bit.ly/InscricaoPraBrilhar

O prazo final para a seleção é dia 31 de julho e o início das atividades está previsto para meados de agosto.

O ‘Pra Brilhar’ é um projeto executado pela Viração Educomunicação em parceria com o Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo. Nesse semestre, o Pra Brilhar também conta com o apoio do Centro de Referencia e Defesa da Diversidade (CRD) e do Pela Vidda SP.

Acompanhe o Pra Brilhar através da página do projeto no Facebook e pelo Instagram da Viração.

Foto: Brunessa Candance / Cintia Rizoli

Jovens em distanciamento: ansiedade, tédio e saudades de crushs

Ao todo, 3.933 pessoas de todo o Brasil responderam à enquete da plataforma U-Report Brasil sobre a pandemia de covid-19

Por Silvana Salles, para a Agência Jovem de Notícias

A ansiedade com o coronavírus, o tédio, as saudades de amigues e crush, o interesse em conhecer formas de organizar os estudos. Tudo isso faz parte do cotidiano da maioria de adolescentes e jovens que responderam à enquete do U-Report Brasil sobre a pandemia de covid-19. Ao todo, 3.933 pessoas responderam à enquete pelo chatbot da plataforma em redes sociais como o Facebook Messenger e o WhatsApp. As respostas vieram de todos os estados do Brasil, 79% delas de fora das capitais. O estado mais ativo na enquete foi o Ceará – justamente um dos mais afetados pela epidemia de coronavírus.

As pessoas que participaram da enquete tiveram de responder a quatro perguntas sobre distanciamento social e como se sentem em meio à pandemia. Jovens de até 19 anos representam a vasta maioria das que responderam. Juntos e juntas, somam 78% da amostra da pesquisa, segundo a tabulação da equipe do U-Report.

A diferença de percepção entre quem mora ou não em uma capital

Na opinião dos/as participantes, o maior desafio em meio à pandemia tem sido lidar com a preocupação e a ansiedade em relação ao coronavírus. Essa preocupação foi um pouco mais frequente entre moradores de capitais do que entre aqueles/as que moram em outras cidades, mas foi a mais citada em ambos os grupos.

No primeiro, representa 29% das respostas. No segundo, 23%. Os outros desafios variam um pouco conforme a faixa etária. Entre as crianças e adolescentes de até 14 anos que moram em capitais, o maior desafio é ficar longe de amigues e crush. Nas outras cidades, o tédio foi o mais citado.

A enquete foi realizada no dia 14 de abril. Naquela data, a grande maioria dos/as participantes declarou que estava cumprindo o distanciamento social: o índice passou de 80% tanto nas capitais quanto nas outras cidades brasileiras.

Quando questionadas sobre como estão se sentindo, mais pessoas marcaram as respostas “estou bem, mas varia”, “me sinto confiante” e “tenho bastante ansiedade”. A resposta menos frequente foi “estou feliz, tenho aprendido muito”.

Essas respostas sobre sentimentos variaram levemente dependendo do local de moradia dos/as participantes. Nas capitais, “estou bem, mas varia” liderou com 30%. Fora delas, “me sinto confiante” passou na frente, também com 30% das respostas.

A diferença de percepção entre gêneros

Além das diferenças entre localidades, há também algumas entre gêneros. Entre os meninos e homens que não moram em capitais, o tédio foi mais frequente do que nas respostas das meninas e mulheres.

A enquete também perguntou aos jovens o que eles gostariam de acessar para ajudar a passar o tempo. As meninas e mulheres, tanto das capitais quanto fora delas, querem principalmente acesso a conteúdos sobre cuidados com saúde mental e aprender a organizar os estudos.Os meninos e homens das capitais também querem informações confiáveis sobre a Covid-19.

Já os que vivem em outras cidades têm interesse em saber como organizar estudos, em formas de interagir com outros jovens e em ferramentas para construir projetos. No índice geral, jovens das capitais estão mais interessados em cuidados com saúde mental e os/as do interior, em saber como organizar os estudos.

Aliás, falando em gênero, as meninas e mulheres foram as mais engajadas na enquete. Entre as pessoas que declararam gênero na enquete, 38% se identificam com o gênero masculino e 62% com o feminino. Elas também aderiram mais ao distanciamento social. Nas capitais, 84% disseram estar cumprindo o distanciamento, enquanto 77% dos homens e meninos declararam o mesmo. Fora das capitais, as respostas foram 84% e 76%, respectivamente.

U-Oquê?

O U-Report é um projeto do escritório de inovação global do Unicef implementado pela Viração Educomunicação no Brasil. Funciona como uma ferramenta de participação social no meio digital, que tem como objetivo mobilizar e envolver a juventude em discussões sobre seus próprios direitos.

Basicamente, o projeto atua por meio de um chatbot social (um robô) que troca ideia com adolescentes e jovens.  Os conteúdos são distribuídos na forma de enquetes, infocentros, materiais educativos, desafios temáticos, transmissões ao vivo, entre outros, e chegam aos jovens por meio de aplicativos que fazem parte do cotidiano.

Você pode juntar-se ao U-Report através do Facebook ou do WhatsApp.

Texto publicado originalmente no site da Agência Jovem de Notícias, em 03 de junho de 2020.

Um mapa dos equipamentos públicos na quebrada

A equipe do projeto Geração que Move fez um mapa dos equipamentos públicos, comunitários e alternativos para as juventudes das quebradas da Zona Sul de São Paulo

Por Redação AJN

Ter direito à cidade, ter acesso a ela com mobilidade e segurança é um direito humano. As desigualdades do Brasil se tornam evidentes também pelo viés do direito à cidade, pois se tornam visíveis as diferenças de intensidade de planejamento urbano nas regiões centrais e nas periféricas.

Em cidades como São Paulo, as regiões centrais concentram a imensa maioria das oportunidades de trabalho, habitação, equipamentos de cultura e opções de lazer, enquanto o planejamento quase nulo dedicado às periferias determina que estes territórios contem com pouca ou nenhuma estrutura.

As longas distâncias, a péssima oferta e qualidade dos serviços de transporte público, a insegurança crescente de exercer o direito de ir e vir com tranquilidade e a baixa renda são apenas alguns dos pontos que aumentam a separação territorial das populações que habitam a cidade no centro e nas periferias. Essa pouca oferta de equipamentos públicos nas periferias marca ainda mais as lutas da população de baixa renda pela conquista e manutenção destes direitos básicos.

Diante deste cenário, o projeto Geração que Move, idealizado pelo UNICEF e Fundação Abertis e desenvolvido com a parceria técnica da Viração Educomunicação, vem promovendo uma série de atividades que buscam promover a mobilidade urbana segura e igualitária de crianças e adolescentes que habitam territórios periféricos de São Paulo através de uma série de oficinas, encontros, intervenções urbanas, jornadas de conhecimento pela cidade e diálogos com o poder público.

Em tempos de isolamento social provocado pela pandemia do coronavírus, as atividades do projeto tiveram que sofrer adaptações, como medida de prevenção. A equipe do Geração que Move continua trabalhando e desenvolveu um mapa dos equipamentos públicos existentes nas regiões do Jardim Ângela e do Grajaú, extremo sul de São Paulo.

O objetivo da criação do mapa é elencar e oferecer opções de serviços de educação, saúde, proteção, cultura, esporte, lazer e demais equipamentos fundamentais acessíveis dentro destes territórios – uma iniciativa de utilidade pública voltada não apenas aos e às jovens participantes do projeto, mas para toda a comunidade.

Enquanto a circulação pela cidade está comprometida, fica o convite para aproveitar o tempo livre navegando pelo mapa customizado e preparar uma lista de lugares para conhecer quando for possível. Clique no card, acesse o mapa e compartilhe com a sua rede!

Inscrições abertas para o curso “Aperfeiçoamento em juventudes, espaço escolar e violências: uma proposta de intervenção social” 

A Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais (Flacso Brasil), em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) está com inscrições abertas para o curso “Aperfeiçoamento em juventudes, espaço escolar e violências: uma proposta de intervenção social” – uma oportunidade imperdível para aprimorar os processos educativos para as juventudes – de forma colaborativa e com um time de professores especialistas, entre ele Paulo Lima, jornalista e educomunicador, fundador e diretor executivo da Viração Educomunicação.

O curso busca atender as demandas de formação continuada de profissionais da educação, da saúde, da segurança, da assistência social, entre outros; pesquisadores; gestores em políticas públicas; profissionais vinculados à área social e/ou da sociedade civil organizada; ativistas e militantes de organizações, movimentos sociais e partidos políticos, de modo integrado e intersetorial. Pretende-se convidar os participantes a conhecer o panorama conceitual e empírico sobre juventudes no Brasil e na América Latina, escola e seus desafios, as violências nas escolas, diagnóstico participativo e plano de ação, a fim de aprofundar leituras, análises, debates para uma melhor compreensão de temas contemporâneos.

A modalidade do curso será a distância, via internet, através da Plataforma de Educação Virtual da Flacso Brasil. As atividades serão assíncronas, de modo que os estudantes possam acessar aulas, tarefas, vídeos, textos e demais materiais nas datas, horários e locais de acordo com sua disponibilidade, dentro do cronograma previsto. Terão acompanhamento de tutores e da coordenação acadêmica.

Clique aqui e acesse o site da Flacso para conhecer mais informações sobre as professoras e professores e todos os detalhes sobre o curso.

Realização: Flacso Brasil
Instituição parceira: Unesco
Coordenação Acadêmica: Miriam Abramovay
Curso de Aperfeiçoamento, 150 horas, a distância
Duração: 6 meses
Início: Setembro de 2020
Inscrições: de 15 de abril a 20 de agosto de 2020
Certificação: Aperfeiçoamento em Educação e Juventudes

Investimento

À vista: R$ 350,00 (trezentos e cinquenta reais)
Em 2 x de R$ 250,00 (duzentos e cinquenta reais) = R$ 500,00 (quinhentos reais)

Pagamento por boleto ou transferência bancária

Embalagem jovem – ensaio discute o corpo na sociedade do consumo

Já parou pra pensar o quanto nossos corpos jovens estão cotidianamente sendo moldados? Rotulados e prensados por essa sociedade que pensa poder vender tudo?

Por Redação AJN

O que te embala? Uma canção de resistência ou o plástico filme que envolve as carnes no mercado da vida? O que te veste? O que te forçam a vestir? O que há por cima ou abaixo da pele? Quanta dor, quanto amor, quanta solidão, quanto preconceito, quanto silêncio? Qual o peso destes tempos sobre o corpo da juventude brasileira?

A busca pela saúde, bem-estar, o corpo tratado como uma máquina de alta performance e as buscas incessantes para alcançar marcadores sem considerar as diferenças entre biótipos, acesso e vivências, a heteronormatividade e os padrões de gênero, a cor da pele e o racismo estrutural, o tamanho dos corpos e os padrões de beleza determinados pela indústria da moda.

Estas são algumas das grandes inquietações que permeiam a relação das juventudes com seus corpos e com os espaços sociais que ocupam ou não ocupam. Jovens que integram os projetos da Viração Educomunicação discutiram o corpo na sociedade do consumo no ensaio fotográfico Embalagem Jovem, que você confere aqui na Agência Jovem de Notícias.

 

Fotos: Bruno Samuel, Julia Cavalcante, Jenny Nicássio, Julia de Lucca e Jazz Martins – Virajovens de São Paulo (SP).

Jovens modelos: Luccas Rizzi, Jazz Martins, Joyce Serafim, Lucas JK, Flora Guazzelli, Julia de Lucca, Julia Cavalcante, Giovanna Feliciano e Dandara Felippe Moreira.

Ensaio originalmente publicado na Revista Viração – Ano 16 – Edição 115 – Jul/Dez 2019.

João Pedro, presente! Iago, presente! João Vitor, presente!

Estamos na quinta-feira e, somente nesta semana, 3 adolescentes foram assassinados em operações policiais realizadas – durante a quarentena – no Rio de Janeiro. Todos pretos.
_
João Pedro, presente! 14 anos. Morador de São Gonçalo. Brincava na casa do primo quando a polícia pulou o muro. Ele foi atingido na barriga e levado de helicóptero pela polícia – pra onde? Ninguém sabe. Seu corpo ficou desaparecido por 17 horas e foi encontrado no IML.
_
Iago, presente! Morador de Acari. Assassinado pelo BOPE depois de ser torturado com faca e saco plástico na cabeça. Sua família só encontrou o corpo no IML um dia depois.
_
João Vitor, presente! Entregava cestas básicas na Cidade de Deus para algumas famílias que estão sem ter como se alimentar durante a pandemia. Foi baleado e por policiais dentro do caveirão. Não resistiu aos ferimentos.
_
São dias de chorar com os que choram e de denunciar o projeto racista e genocida de um Estado que puxa o gatilho para tentar encerrar histórias e sonhos da juventude preta e periférica.
_
Não deixaremos isso acontecer! Enquanto estivermos respirando, nos comprometemos a lembrar dessas histórias, desses nomes e desses sonhos. Continuaremos construindo, ouvindo e potencializando a voz dessas juventudes.
_
João Pedro, presente! ✊🏾
Iago, presente! ✊🏾
João Vitor, presente! ✊🏾

Empresas e jovens profissionais: é preciso melhorar esse diálogo

A antiga crise econômica, ampliada pela pandemia, não é a única responsável pela difícil inserção dos mais jovens no mercado de trabalho. Há muito tempo a juventude das periferias enfrenta essa exclusão, mas por outros motivos.

Por United Way Brasil

Baixa escolaridade, fragilidade da formação educacional, longas distâncias entre periferia e centros urbanos, falta de recursos econômicos e preconceitos. Estes são os principais problemas enfrentados pela juventude brasileira que mora no entorno dos grandes centros econômicos.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad-2011), o percentual de jovens entre 15 e 24 que fazem parte do mercado de trabalho, diminuiu de 57,7% em 2001 para 53,6% em 2011, diferentemente da taxa de atividade da população em geral, que permaneceu relativamente estável nesse período.

O contingente de jovens é o maior que o Brasil já teve, somando 47,3 milhões de brasileiros com 15 a 29 anos. É justamente entre eles que as desigualdades de renda aumentaram nos últimos cinco anos (Pnad-2019).

Em grande parte dos casos de inserção precoce no mercado, os jovens acabam alocados em postos precários em que as chances de crescimento profissional quase inexistem.

A escola, que deveria melhor prepará-los para uma vida profissional ativa, está ainda distante disso, embora tenha obtido alguns avanços nos últimos anos, no Ensino Médio. Segundo a pesquisa Juventude, Educação e Projeto de Vida (Plano CDE e Fundação Roberto Marinho), questões como desorganização, falta de infraestrutura, existência de bullying, violência e preconceito, aulas monótonas, materiais didáticos ruins são alguns dos empecilhos que os jovens apontam para não se sentirem estimulados a estudar. Obstáculos que acabam prejudicando não só a formação para o mundo do trabalho como a permanência do jovem na escola.

Como país, ainda estamos longe de inserir a mão de obra jovem no mercado de trabalho. Políticas públicas se mostram pouco eficientes nesse sentido diante da urgente demanda. Por isso, o papel das organizações da sociedade civil, que fazem a ponte entre a juventude das periferias e as empresas, buscando essa inserção, tem se tornado essencial para mudar o cenário.

Desafios para garantir o primeiro emprego

Muitas empresas se mostram interessadas em abrir espaços para os jovens nos seus quadros de colaboradores. No entanto, ainda existe um descompasso entre o que elas querem e o que os jovens têm a oferecer.

O primeiro obstáculo, que acaba barrando uma boa parte dos candidatos, é o conhecido ‘CEP’: “A distância da casa do jovem até a empresa parece ser intransponível para aqueles que contratam”, explica Elaine Souza, assistente social e coordenadora geral de projetos no Brasil da organização social Viração, parceria da United Way Brasil. Para ela, é preciso entender que a conjuntura estrutural da cidade foi concebida com base em um processo social que excluiu as periferias do dia a dia dos grandes centros. “O CEP coloca os jovens nesse lugar, no lado de fora”, complementa.

Para ela, outras questões antigas, que ainda influenciam muito a escolha dos profissionais para uma vaga, são a cor da pele e o gênero. “Mulheres jovens, negras, da periferia são as que encontram maior dificuldade de inserção”, afirma Elaine.

Um aspecto alegado nas seleções de diferentes RHs para não contratar jovens é a falta de experiência anterior. “Acho que é preciso melhorar esse diálogo entre a empresa e o jovem para entender quais habilidades ele possui. O que vejo nas periferias, especialmente onde o Viração atua, no Grajaú (SP), é um lado empreendedor bastante ativo dos jovens do território. Eles acabam empreendendo porque percebem o quanto é difícil entrar no tradicional mercado de trabalho”, explica Elaine.

Para Benigna Alves Siqueira, Coordenadora Pedagógica da Associação Pró-Morato, em Francisco Morato (SP), parceira da United Way Brasil, existem faixas etárias na juventude que sofrem ainda mais com o desemprego. “A realidade do jovem da periferia é muito diferente, por exemplo, da do jovem da classe média. Aos 15 anos, ele sofre a pressão da família para colaborar com as finanças da casa. Essa faixa de idade é a que menos consegue emprego nas empresas, que buscam por jovens mais velhos”. E complementa: “Aos 18 anos, muitos deles já moram sozinhos ou são pais e têm de dar conta de demandas de adultos”.

Benigna também acredita que, em algumas situações, existe uma desconexão entre empresa e o jovem da periferia. “Já encaminhamos dezenas de jovens para uma vaga. Nenhum foi aceito e eu sei que naquele grupo existiam ótimos candidatos, com grandes potenciais. As empresas poderiam considerar que o jovem que mora longe dos grandes centros vive uma realidade diferente por uma série de circunstâncias. Muitos deles têm dificuldades  para  falar o português corretamente, têm vícios de linguagem, de postura… questões contornáveis, que a empresa pode trabalhar e mudar, porque esse jovem traz diferenciais que muitos não têm: vontade de fazer parte, desejo de superação, resiliência… São pessoas que lutam todos os dias para vencer desafios”, afirma a pedagoga.

Para ela, é preciso que as empresas revejam a abordagem, incluam a exclusão econômica no campo das diversidades e possam, a partir daí, adequar as seleções de RH para que façam sentido ao jovem. “As corporações têm muito a ganhar. Esses jovens são os mais motivados, porque desejam virar o jogo da realidade difícil de suas famílias”, conclui.

Investir em treinamentos, em mentorias, em vivências cotidianas com outros profissionais para compartilhar experiências, também são maneiras de preparar esse jovem para os desafios do trabalho.

A United Way Brasil, com seus parceiros, realiza o programa Competências para a Vida, cujo objetivo é justamente apoiar os jovens no seu projeto de vida e na carreira profissional. Isto porque acredita que a juventude é um dos pilares essenciais para a sustentabilidade e o desenvolvimento do país, assim como representa uma das forças mais ativas e criativas no combate às desigualdades.

Acompanhe o trabalho da United Way Brasil através da sua página no Facebook e de seu perfil no Instagram.

Viração contrata: Coordenador/a de área – Administrativo-Financeiro

A Viração é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua nas áreas de educomunicação, juventudes e mobilização social. Tem como missão inspirar e conectar adolescentes e jovens para a construção de uma sociedade justa, participativa e plural. Atua com a educomunicação buscando mobilizar adolescentes e jovens para a promoção e defesa de seus direitos. 

Perfil do/a profissional

Requisitos

– Graduado/a na área de Ciências Humanas (preferencialmente Administração, Economia, Contabilidade ou Gestão Pública);

– Experiência de, no mínimo, 5 anos em organizações sociais;

– Experiência de, no mínimo, 5 anos em gestão administrativo-financeira;

– Conhecimento sobre métodos de gestão de projetos e ferramentas de gerenciamento financeiro;

– Conhecimentos sobre o Marco Regulatório e outras normas aplicáveis às organizações sociais;

– Domínio de softwares de edição de texto, planilhas financeiras, sistemas de controle financeiro e apresentação multimídia (proprietários ou livres);

– Boa comunicação oral e escrita, fluência escrita e verbal em Língua Portuguesa;

– Alta capacidade de organização, realização de diversas tarefas simultaneamente e compromisso com metas e prazos;

– Capacidade de supervisionar e orientar múltiplas frentes de trabalho, atuando em equipe de forma proativa, colaborativa e inovadora;

– Compromisso e conhecimento da Declaração dos Direitos Humanos, Convenção dos Direitos da Criança, Estatuto da Criança e do Adolescente e Estatuto da Juventude;

– Domínio do Pacote Office.

Desejável

– Certificação em curso/s de Gestão Financeira, Gestão de Projetos e/ou Gestão de Pessoal;

– Experiência com sistemas de gestão de convênios públicos – como Siconv e similares;

– Fluência em Inglês, Espanhol e/ou Italiano.

Atividades

– Supervisionar diretamente profissionais da área administrativo-financeira, relacionamento com contabilidade, auditoria e órgãos públicos reguladores do setor;

– Revisar e aprovar atividades de prestação de contas financeiras, inclusive junto a sistemas públicos, quando aplicável;

– Supervisionar diretamente profissionais da organização que atuam com a captação de recursos – alinhando planos, fomentando prospecção de oportunidades, organizando agenda, elaboração de projetos, apresentações e prestação de contas;

– Supervisionar a execução financeira de projetos junto às pessoas envolvidas da equipe;

– Auxiliar a coordenação geral na gestão geral da equipe, participando da construção e acompanhamento dos planos de trabalho de todos/as colaboradores da organização;

– Apoiar a articulação das diferentes áreas internas da organização;

– Consolidar e aprofundar fluxos e procedimentos institucionais, inclusive mecanismos de compliance – com foco na implementação de uma cultura de corresponsabilização e inovação na gestão do terceiro setor;

– Supervisionar e/ou realizar, entre outros:

  • serviços bancários
  • gerenciamento do banco de informações do gerenciador financeiro – Conta Azul
  • cotações e compras em geral
  • serviços de correios
  • prestação de contas e relatórios financeiros de projetos
  • apoio administrativo à área de Projetos e Programas
  • emissão de notas e recibos
  • organização de arquivos físicos e digitais
  • serviços administrativos em geral

 

Informações adicionais

Regime de contratação: Prestação de serviços (Pessoa Jurídica)
Remuneração: a combinar
Local de trabalho: Sede da Viração, em São Paulo

Processo Seletivo

Envio de currículo e carta de apresentação com pretensão salarial até o dia 10 de maio para o e-mail: selecao@viracao.org. Assunto: Processo Seletivo: Coordenador/a Administrativo-Financeiro.