Viração contrata: Coordenação de projetos

A Viração está em busca de profissional para atuar na coordenação de projetos educomunicativos realizados pela organização, no Brasil.

A Viração é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua nas áreas de educomunicação, juventudes e mobilização social. O objetivo é, através da educomunicação, mobilizar adolescentes e jovens para a promoção e defesa de seus direitos, possibilitando a construção de uma sociedade justa, participativa e plural.

Objetivos do cargo

A/O profissional será responsável por coordenar o planejamento, implementação, avaliação e sistematização dos projetos da instituição, com base no planejamento estratégico.

Requisitos:

  • Graduação na área das ciências sociais e humanas;
  • Experiência de, no mínimo, três anos em projetos sociais com adolescentes e jovens;
  • Conhecimentos nas áreas de direitos humanos e políticas públicas da adolescência e da juventude;
  • Conhecimentos no pacote Office ou softwares livres similares;
  • Boa comunicação oral e escrita;
  • Compromisso e conhecimento da Declaração dos Direitos Humanos, Convenção dos Direitos da Criança, Estatuto da Criança e do Adolescente e Estatuto da Juventude.

Principais atividades

  • Planejar e acompanhar a execução técnica de projetos, ações e serviços da instituição;
  • Sistematizar ações e produzir relatórios técnicos para parceiros e financiadores;
  • Colaborar com a redação de novos projetos;
  • Prospectar e articular parceiros institucionais e financiadores;
  • Estabelecer e manter relação com parceiros institucionais e financiadores de projetos em andamento;
  • Acompanhar reuniões de Conselhos, Fóruns e demais eventos relacionados com a atuação da organização;
  • Apoiar a equipe de comunicação em ações voltadas aos projetos;
  • Apoiar a equipe administrativa na execução financeira dos projetos;

Informações das vagas:

  • Carga horária: 36 horas semanais,
  • Local de trabalho: Sede da Viração com possibilidade de viagens esporádicas
  • Ajuda de custo para transporte e alimentação
  • Salário compatível com o setor, cargo e experiência

Como se candidatar:

Enviar currículo e carta de interesse até dia 29 de outubro de 2018, para o e-mail: selecao@viracao.org, mencionando “Coordenação de projetos” no assunto da mensagem.

 

Prática de sexo sem camisinha com parceiros casuais encontrados em aplicativos é maior entre jovens gays

Por Juliane Cruz, da Redação

Os aplicativos mobile, cada vez mais presentes nos smartphones dos jovens, apareceram como fonte de encontro para sexo casual sem camisinha em 100% dos casos entre jovens gays, número maior que entre homens que fazem sexo com homens e mulheres.

Entender as diferentes formas de se viver e experienciar a sexualidade é um dos caminhos para se pensar a prevenção e o combate ao HIV/aids de forma efetiva, estando de acordo com o que se faz presente nas diferentes realidades brasileiras.

Buscando traçar esse caminho, nasceu o Projeto Pra Brilhar, idealizado pela Viração e executado com apoio do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo, com o objetivo de aperfeiçoar a ação coletiva e as políticas públicas para o combate ao HIV/aids na cidade entre os jovens gays e homens que fazem sexo com homens (HSH), visto que é o grupo de pessoas que enfrenta um crescimento exponencial na ocorrência de novos casos.

O projeto reúne jovens selecionados por critério de classe e cor, que se encontram semanalmente para debater sobre gênero, sexualidade e prevenção combinada em intersecção com raça e classe, buscando refletir sobre e realizar o combate ao HIV/aids numa abordagem interseccional e educomunicativa.

Entre as atividades realizadas, aconteceu a pesquisa intitulada “Práticas e culturas sexuais de jovens frequentadores do Arouche”, realizada no Largo do Arouche, em junho deste ano. As questões foram desenvolvidas pelos jovens do projeto e trouxeram como resultado dados interessantes. Foram entrevistados 20 jovens, dos quais 19 se identificam como homens. Confira os resultados da pesquisa.

Segundo Tulio Bucchioni, educador responsável pelo projeto, a abordagem entre pares é uma dimensão importante do Pra Brilhar. “Idealizada e realizada no âmbito do projeto Pra Brilhar, a pesquisa adotou a perspectiva de educação entre pares contando, portanto, com a participação da juventude do projeto em todas essas etapas”.

Além disso, o educador explica que a abordagem entre pares possibilita dialogar com públicos que muitas vezes o sistema de saúde não atinge, com proximidade, empatia e uma linguagem mais acessível.

Cenário geral

A maioria dos entrevistados (55%) afirma ter transado sem camisinha no primeiro semestre de 2018. Ainda que o sexo sem camisinha aconteça com parceiros fixos em pouco mais da metade dos casos (54,5%), 45,5% dos jovens afirmam ter transado sem camisinha com parceiros casuais.

Ainda que a maioria dos entrevistados afirme transar com homens, a prática sexual com mulheres e homens é relevante entre os entrevistados: dentre eles, 65% afirmaram fazer sexo apenas com homens e, pouco mais de um terço (35%), com homens e mulheres. Dentre os entrevistados que afirmam transar com homens e mulheres, a maioria (57,1%) afirma não ter transado sem camisinha em 2018.

Já entre os entrevistados que fazem sexo apenas com homens, a maioria (61,5%), afirma ter transado sem camisinha em 2018. Ainda que a maior parte desses entrevistados tenha transado sem camisinha com um parceiro fixo (62,5%), entre os que fizeram sexo sem camisinha com um parceiro casual, 100% afirmam ter conhecido esse parceiro via aplicativos.

Uma pesquisa feita pelo CONECTAí Express, que reuniu respostas de 2.000 internautas, revela que 20% dos brasileiros tem um aplicativo de relacionamento instalado em seu celular, onde buscam novos parceiros para relacionamentos sérios ou relações casuais por meio virtual. Isso mostra como as formas de se viver a sexualidade mudam e se constroem de acordo com o contexto histórico, e, com elas, a necessidade de se pensar novas abordagens de prevenção e combate ao HIV/aids.

O resultado da pesquisa sugere que pessoas que transam exclusivamente com homens têm mais chances de transar sem camisinha quando comparadas a pessoas que transam com homens e mulheres, o que talvez seja resultado da Educação Sexual pensada apenas pelo viés da reprodução dentro dos espaços educativos. De todo modo, o dado reforça a necessidade de se continuar pesquisando o papel dos aplicativos nas culturas e práticas sexuais de jovens gays e HSH, assim como a de pensar sobre prevenção.

Viração contrata: Analista de Comunicação e Marketing Social

A Viração é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua nas áreas de educomunicação, juventudes e mobilização social. O objetivo é, através da educomunicação, mobilizar adolescentes e jovens para a promoção e defesa de seus direitos, possibilitando a construção de uma sociedade justa, participativa e plural.

Objetivos do cargo

A/O Analista de Comunicação será responsável pela elaboração de estratégias de comunicação e marketing digital, a fim de consolidar a Viração como referência nas temáticas de juventude, direitos humanos e educomunicação. Junto às equipes de Mobilização de Recursos e Administrativo, também será responsável pela estratégia de geração de leads e captação de recursos. Além disso, será responsável pela execução das ações de comunicação de projetos implementados pela organização, junto à equipe de educomunicadores.

Requisitos:

  • Graduado/a na área de Comunicação Social, Jornalismo ou Publicidade e Propaganda;
  • Experiência de, no mínimo, 2 anos em organizações sociais;
  • Experiência de, no mínimo, 1 ano em gestão da área de comunicação institucional, voltada para organizações sociais e causas;
  • Experiência em gestão de mídias sociais;
  • Experiência em marketing de causa;
  • Experiência em Facebook Ads;
  • Bom senso estético;
  • Inglês fluente.

Desejável:

  • Conhecimento ou experiência em botdesign
  • Conhecimento em experiência do usuário
  • SEO

Principais responsabilidades:

  • Coordenar estratégias e ações de comunicação digital da Viração e projetos da organização;
  • Produção de conteúdos para o site institucional e mídias sociais da Viração e projetos da organização;
  • Coordenar estratégias e ações de marketing social da Viração, incluindo produção de jornadas de conteúdo, materiais ricos como guias e e-books e relacionamento;
  • Coordenar estratégias e ações de captação de recursos, junto à equipe de mobilização de recursos;
  • Facilitar a produção e distribuição de materiais gráficos e digitais da Viração e projetos implementados pela organização, junto a fornecedores.

Informações da vaga:

Carga horária: 36 horas semanais

Duração do contrato: 12 meses, com possibilidade de renovação

Regime de contratação: Pessoa Jurídica

Auxílio para transporte: Sim

Auxílio para alimentação: Sim

Local de trabalho: Viração Educomunicação – Rua Araújo, 124, 3 andar, República, São Paulo (SP)

Processo de seleção:

As/Os interessadas/os nas vagas devem enviar uma carta de interesse dizendo por que querem trabalhar na Viração, portfólio e currículo até dia 14 de outubro de 2018, mencionando “Analista de Comunicação e Marketing” no assunto da mensagem, para o e-mail: selecao@viracao.org.

Viração contrata: Analista em Inovação e Empreendedorismo Juvenil

A Viração Educomunicação, entidade privada sem fins lucrativos, com sede em São Paulo, busca profissional para a vaga de analista em inovação e empreendedorismo juvenil.

A pessoa selecionada vai atuar em projeto global de mobilização e fomento a iniciativas de adolescentes e jovens, com foco na construção de soluções de impacto para os territórios onde vivem. O projeto pretende co-criar, combinar recursos e ampliar soluções juvenis para o Ensino Médio; empoderamento juvenil, com foco nas meninas; renda e mundo do trabalho.

Para concorrer à vaga é preciso ser:

  • Graduada/o na área de ciências sociais e humanas;
  • Ter experiência em projetos sociais com adolescentes e jovens;
  • Ter conhecimento e experiência em projetos de inovação e empreendedorismo;
  • Ter experiência na mobilização de redes e em metodologias inovadoras de mediação;
  • Boa comunicação oral e escrita;
  • Fluência em inglês;
  • Conhecimento e compromisso com a Declaração dos Direitos Humanos, a Convenção dos Direitos da Criança, o Estatuto da Criança e do Adolescente e o Estatuto da Juventude;

A pessoa selecionada será responsável por atividades como:

  • Mapear soluções de inovação (startups, universidades, empresas, etc.);
  • Articular parcerias e conexões entre o ecossistema de empreendedorismo e inovação e o projeto;
  • Comunicar e engajar o público do projeto com suas ações;
  • Mobilizar adolescentes e jovens para inscreverem suas iniciativas no projeto;
  • Apoiar o processo desenvolvimento dos projetos de inovação de adolescentes e jovens;
  • Acompanhar a evolução dos projetos e seus resultados durante o programa de aceleração;
  • Facilitar e organizar atividades de formação em inovação e empreendedorismo para o público do projeto;
  • Representar o Brasil nas articulações da iniciativa em âmbito global.

Outras informações sobre a vaga:

  • Carga horária: 25 horas semanais
  • Duração do contrato: 12 meses
  • Regime de contratação: Pessoa Jurídica
  • Local de trabalho: Sede da Viração

Processo de seleção:

As/Os interessadas/os nas vagas devem enviar currículo até dia 19 de outubro de 2018, mencionando a sigla  “Edital_analista_empreendedorismo” no assunto da mensagem, para o e-mail: selecao@viracao.org, junto com carta de interesse de até três parágrafos. As mensagens sem a carta de interesse ou com outro título serão desconsideradas.

Viração abre inscrições para o programa Jovens Comunicadores

Vai começar! A Viração, por meio do seu programa Agência Jovem de Notícias está com inscrições abertas para adolescentes e jovens de 14 a 18 anos, que residam em São Paulo, curtam comunicação e se interessem por temas sociais, culturais e políticos.

A galera selecionada irá participar do “Jovens Comunicadores”, com duração de seis meses, o projeto articula atividades de formação sobre direitos humanos e técnicas de produção das diferentes mídias, com processos práticos de participação cidadã, coberturas educomunicativas, exploração cartográfica pela cidade, criação de peças e campanhas de comunicação. As meninas e meninos participantes receberão certificado ao final do curso.

Os encontros vão acontecer na sede da Vira, no centro da cidade, às terças-feiras, das 14h às 17h, a partir do dia 09 de outubro. Será oferecido reembolso de despesas com transporte e lanche no local.

As inscrições podem ser feitas através deste link. A lista de participantes será divulgada no site da Agência Jovem de Notícias até o dia 05 de outubro e o primeiro encontro acontece no dia 9 do mesmo mês. As pessoas selecionadas também serão contatas por telefone.

Quem pode: Adolescentes e jovens de 14 a 18 anos, moradores de São Paulo.

Até quando: 05 de outubro

Como: Através deste link

Divulgação do resultado: Dia 08 de outubro

Início das formações: 09 de outubro às 14h (terça-feira), na rua Araújo, 124 

Sobre o “Jovens Comunicadores”  É um projeto promovido pela Viração, no contexto do programa Agência Jovem de Notícias, e tem como objetivo promover a cidadania de adolescentes e jovens por meio de processos, ações e produtos de comunicação e mobilização social. O projeto é financiado pelo Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, por meio do termo de fomento 054/2018/SMDHC.

Serviço:

Acesse nossa página no Facebook

Mais informações para a imprensa:

Paula Bonfatti
E-mail: comunicacao@viracao.org
Telefone: (11) 3237-4091

Conheça a Escola de Cidadania para Adolescentes

O que é ser adolescente? Entre todas as respostas possíveis para essa pergunta, talvez você já tenha escutado por aí sobre a ideia de considerá-los enquanto sujeitos de direitos. É a partir dessa ideia que surge a Escola de Cidadania para Adolescentes (ECA), iniciativa da Viração que tem por objetivo contribuir para o fortalecimento da participação e a promoção dos direitos humanos entre adolescentes, condições fundamentais para o fortalecimento da democracia.

Com duração de dois anos, o projeto consiste num percurso de mobilização e formação de 90 adolescentes, sendo 30 por turma, nas cidades de Belém, Recife e São Paulo. Composto por formação presencial e à distância, no projeto os participantes são apresentados a temas como a condição juvenil, democracia, participação, políticas públicas, direitos humanos e Educomunicação, que são discutidos com educadores, especialistas e ativistas. Os marcadores de diferença, como classe, raça, gênero e sexualidade são tratados de forma transversal em todos os eixos do projeto.

Os adolescentes participantes também vivenciam a oportunidade de experimentar técnicas de produção midiática (rádio, vídeo, fanzine, jornal mural, etc.) e participar de coberturas educomunicativas em diferentes espaços. Realizam um mapeamento afetivo dos territórios onde vivem para identificar oportunidades e desafios para viver a adolescência, além de elaborarem e implementarem ações de intervenção comunitária como proposta final.

A formação da primeira turma já está acontecendo em São Paulo, os jovens já participaram das discussões presenciais, experienciaram os suportes de comunicação e agora estão desenvolvendo seus projetos de intervenção em diversos espaços pela cidade.

A Viração enxerga essa formação política enquanto uma estratégia importante para que os sujeitos possam exercer plenamente a participação, pois a partir da compreensão do contexto socioeconômico, cultural e histórico no qual estão inseridos, assim como os mecanismos de funcionamento do Estado, os adolescentes e jovens podem exercer seus potenciais de intervir criativa e positivamente na sociedade.

O projeto é realizado em cooperação internacional, conta com financiamento da Província Autônoma de Trento e parceria de implementação do Instituto Universidade Popular – UNIPOP, de Belém (PA) e a Auçuba Comunicação e Educação, de Recife (PE).

Quanto vale um jovem?

Por Jonathan Moreira, da Agência Jovem de Notícias São Paulo

“Acordo. Almoço. Toma um banho. 23 minutos. Peço benção pra minha mãe. Enfrento ônibus lotado. Depois de 2 horas chego à Universidade. 23 minutos. Estudo. Sinto o meu “atraso” na aula. Vejo o reflexo de anos de escravidão. 23 minutos. Enfrento fome e desemprego. Volto pra casa. No escuro da cidade que me atravessa, bato a cabeça cansada na janela meio suja, mas que aparentemente se torna o melhor lugar. Chego em casa. 23 minutos”.

Com pausas bruscas e com a angústia de saber/sentir que a cada 23 minutos um jovem negro é assassinado no Brasil, começo meu texto.

Hoje é o dia Internacional da Juventude, data que não é recebida com cerimônias ou mensagens em peso na internet. As vezes é tratado com verdades estabelecidas e, quando muito, apenas um discurso biológico e cientificista. Achar que o conceito de juventude sempre esteve presente e inato em nossa sociedade é um erro, assim como acreditar que toda perspectiva sobre ser jovem é igual. Mentiras que são postas nesta sociedade, em que o disparate verbal se torna mais importante que o fato histórico em si.

O jovem é uma figura muito recente em nossa sociedade, se colocarmos em uma perspectiva histórica, e quando este é posto como um sujeito de direitos e com especificidades, o negócio fica mais louco ainda. Pois muitas vezes nós jovens somos considerados, simplesmente, como uma fase de transição, na qual nossa única capacidade é  aprender com os mais velhos para tornarmos adultas as ideias.

Recipientes vazios que são preenchidos com uma sabedoria que estampa e canta experiências e conhecimentos. Mas não é assim. A partir do momento que o ser humano nasce, suas relações com o espaço, o tempo e com as pessoas, já geram muitas experiências e conhecimentos que devem ser levados em conta. Não que exista alguma verdade extremamente absoluta. Mas o espaço de compartilhamento deve ser estabelecido.

O fato dos nossos corpos e percepções a respeito o mundo estarem em constante movimento, não diz que somos simplesmente inocentes e ignorantes. Estamos em um momento especial de nossas vidas, com grandes transformações e relações, que não dizem apenas sobre o corpo físico, mas que transbordam.

Percebo que o desejo do controle total sobre as escolhas do corpo jovem é uma forma de garantir o controle social, pautado em ideias que conservam diversas violências, como desigualdades de gênero e raça. Pensamentos que configuram o país como uma máquina de matar. O Brasil ocupa a sétima colocação em número de assassinatos de pessoas entre 15 e 29 anos no mundo, morte que tem cor, gênero e classe.

Ademais, quando colocamos o jovem negro em questão, as percepções mudam significativamente. Pois enquanto alguns estavam lutando pela garantia dos direitos da juventude, adolescentes e jovens negros lutavam pelo reconhecimento de serem humanos. Quando vemos em manchetes de jornai que os brancos são considerados “jovens” e os negros “menores infratores”, entendemos a significação do corpo negro.

Pelo fato de estarmos alicerçados em um contexto racista e escravocrata, que é ignorado por muitas figuras públicas, somos vistos apenas como mão de obra e força produtiva, privados dos direitos dignos de todo ser humano. Somos uma “nação” que se alimentou em peitos de garotas pretas que, antes de se (re)conhecerem, eram transformadas em mulheres, em plenas agressões, que escorrem em nossa atualidade.

 Quando decidi fazer faculdade recebia e ainda recebo muitos olhares surpresos.  Grande parte dos meus amigos de infância estão ralando desde muito cedo, trabalhos informais para conquistarem sua independência financeira. Jovens pobres que muitas vezes não têm a oportunidade de viveram diversas experiências, espaços e conhecimentos, pois precisam contribuir com a renda familiar. Estão entregando folhetos, vendendo água no trem e no trânsito, ajudando em serviços braçais, cuidando de crianças, fazendo faxinas.

Ou estão sendo assassinados no tráfico por uma violência policial cruel e um Estado que trata o corpo jovem negro como marginal, individualiza todas as suas escolhas e ações, como se tudo dependesse exclusivamente dele, ofusca as diversas subjetividades e desigualdades sociais que trilham “muito bem” o caminho deste jovem. Assim como tumbeiros que cortaram este grande mar com lágrimas salgadas. PAUSA. 23 minutos. “ELE NÃO VIU QUE EU ESTAVA COM O UNIFORME DA ESCOLA”. Marcos Vinicius da Silva, 14 anos. Ou só mais um Silva. De pele escura. É assassinado por forças policiais e do Estado.

Este sistema vigente está cada vez mais usando ferramentas meritocráticas para não se responsabiliza pelass dívidas e deveres sociais. Não ponderam as desigualdades  de gênero, raça e classe. Como se tudo dependesse apenas de você, apagam qualquer resquício histórico. O “fracasso” não é um problema exclusivamente individual, não empurra só você. Leva também  pessoas com histórias semelhantes a sua.

Mas enquanto não verem as experiências dos jovens além da carteira assinada, enquanto não perceberem nossa potencialidade, ouvirem nossas contribuições sem classificar como “ele não sabe o que está falando”. Enquanto não houver reparações histórias para jovens negros e pobres será muito difícil arranjar um trampo. E por fim, estabelecer uma juventude que vivencia e contribui ativamente para o desenvolvimento do país e do mundo parece uma tarefa intensa, mas saiba que existem muitos movimentos de jovens lutando por maior participação na política, em ONGs, associações, famílias… Para construírem juntos, caminhos menos tortuosos.

Resultado de seleção: Projeto Pra Brilhar

A equipe Viração selecionou 37 jovens para a segunda turma do projeto Pra Brilhar. São eles:

Victor Hugo Viana dos Santos

Thales Goés

Paulo dos Santos

William

Geison dos Reis

Luan Richard

Felipe Gustavo

Wesley Medeiros

Reverson Douglas

Gustavo Liberato

Venicio Santos

Fabiano Henrique

Wesley Rafael

Eduardo Henrique

Guilherme Paulo

João Vitor

Matheus

Guilherme Henrique

Cristian Fernandes

Vitor Matsumoto

Pablo Diego

Glaicon Lopes

Gabriel Morais

Carlos da Silva

Jean Carlos da Silva

Felipe Alves Araujo

Victor Azevedo

Jonatha Junior

Lucas Estevam Lima

Bruno Gonçalves

Felipe Piva

Igor Pacheco

Fabio Augusto

Pedro Barbosa

Samuel

Caique Alves

Bruno Nathan

O projeto acontece nas sextas-feiras, das 19h às 22h, a partir do dia 10 de agosto até o dia 26 de outubro. Os jovens participantes receberão vale transporte e um lanche nos dias do encontro. Os selecionados serão contactados pela equipe Viração.

Viração contrata: Estagiário em educomunicação

A Viração é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua nas áreas de educomunicação, juventudes e mobilização social. O objetivo é, através da educomunicação, mobilizar adolescentes e jovens para a promoção e defesa de seus direitos, possibilitando a construção de uma sociedade justa, participativa e plural.

Objetivos do cargo

Facilitar o processo de produção e distribuição de pautas do programa Agência Jovem de Notícias; apoiar educadores/as durante as oficinas de educomunicação e auxiliar na articulação da rede de jovens e facilitar seu processo de produção, dentro dos princípios da Viração Educomunicação.

A Agência Jovem de Notícias é um programa da Viração que tem como objetivo promover a cidadania ativa de adolescentes e jovens por meio de processos, ações e produtos de comunicação e mobilização social. Com a orientação da equipe de comunicação e educação da Viração, adolescentes e jovens produzem notícias para o portal online da Agência, cobrindo pautas da atualidade a partir de seus olhares e experiências. Além do espaço virtual, a Agência tem também a formação presencial, que articula atividades de formação sobre comunicação e direitos humanos, e reúne adolescentes e jovens de diferentes partes da cidade de São Paulo.

Requisitos:

– Cursando Comunicação Social, Jornalismo ou educomunicação (a partir do 4º semestre); Residente da cidade de São Paulo.

Principais responsabilidades:

  • Auxílio na produção, edição e distribuição de conteúdos jornalísticos para a Agência Jovem de Notícias;
  • Produção de conteúdo para as redes sociais da Agência Jovem de Notícias;
  • Auxílio na mobilização e manutenção de uma rede de jovens colaboradores;
  • Auxílio na mobilização de adolescentes para participação nas oficinas de educomunicação;
  • Apoio aos educadores durante as oficinas de educomunicação;
  • Auxílio na produção, edição e distribuição semestral da Revista Viração;

Conhecimentos específicos:

  • Boa redação;
  • Conhecimento em Redes Sociais;
  • Conhecimento em SEO e Google Adwords é um diferencial;
  • Conhecimento em produção de conteúdo jornalístico;
  • Pacote Office.

Desejável:

  • Inglês Avançado;
  • Afinidade pelas temáticas de direitos humanos, mobilização social, educomunicação e juventudes;
  • Ter experiência SEO e Google Adwords.

Informações da vaga:

  • Carga horária: 30 horas semanais
  • Duração do contrato: 12 meses
  • Regime de contratação: estágio
  • Bolsa-auxílio + Transporte
  • Local de trabalho: Viração Educomunicação – Rua Araújo, 124, 3 andar, República, São Paulo (SP)

Processo de seleção:

As/Os interessadas/os nas vagas devem enviar uma carta de interesse dizendo por que querem trabalhar na Viração e currículo até dia 24 de julho de 2018, mencionando “Estágio Comunicação 2018” no assunto da mensagem, para o e-mail: selecao@viracao.org.

Quais os desafios da sociedade civil organizada no Brasil?

Por Paula Bonfatti, Analista de Comunicação e Marketing da Viração

A sociedade civil organizada vem respondendo de diferentes maneiras aos retrocessos no campo dos direitos sociais que acometeu o Brasil nos últimos anos. Articulações em rede, cooperações e novas formas de mobilização social e de recursos surgem, enquanto o papel do estado no fortalecimento do terceiro setor passa a ser secundário e muitas vezes antagonista.

Confira a entrevista sobre o atual cenário político e econômico brasileiro e seus impactos no terceiro setor com Márcia Moussallem, socióloga, assistente social, mestre e doutora em serviço social, políticas sociais e movimentos sociais pela PUC/SP.

1- Na sua avaliação, qual é o papel do governo para com a sociedade civil organizada? Como isso tem se dado no Brasil?

Primeiro, temos que pensar que a sociedade civil organizada é um todo. São as associações, fundações, movimentos populares, coletivos […]. O papel do governo com relação a essa sociedade civil organizada deveria ser de compartilhamento, deveria ser de parceria, deveria ser como atores em conjunto que lutam por direitos, por uma sociedade mais justa. Porém, o que estamos vendo é que é esse governo, o estado de um modo geral, perante a sociedade civil organizada, não é nada disso. Pelo contrário, é corte de verba nos projetos sociais, como temos visto aqui em São Paulo, uma repressão contra os movimentos sociais muito grande… Ou seja, estamos vendo um distanciamento muito grande nos três últimos anos do governo em relação a sociedade civil organizada. [O governo] é um ator esquecido, um ator que vem tolindo os projetos, as ações e o campo de luta da sociedade civil organizada. Então, infelizmente, vemos um retrocesso com relação a essa visão mais compartilhada do governo, o estado de uma forma geral, com a sociedade civil. O que é lamentável, porque cada um tem o seu papel. A sociedade civil organizada é a sociedade civil no ponto de vista da cidadania ativa, um estado presente no campo das políticas públicas é um estado próximo da sociedade civil. Então, ver a demanda da sociedade civil, ver a demanda das associações, ver a demanda dos movimentos populares, que é o campo dos direitos e a defesa da cidadania […] é um papel do governo que infelizmente ofuscou, foi esquecido nesses últimos 3, 4 anos, pós golpe contra a presidenta Dilma, o que é lamentável.

2- De que forma a crise econômica e política no Brasil impacta as organizações da sociedade civil?

Impacta negativamente, tanto do ponto de vista econômico, como político. A gente vive uma crise econômica sem precedentes e isso afeta a gestão das organizações, a questão salarial dos funcionários, da captação de recursos, […], do desemprego, as organização estão demitindo pois não estão dando conta… A questão da sustentabilidade enfraquece muito. E a crise política obviamente é a perda dos direitos, esses projetos conservadores no Congresso Nacional e mais as medidas do governo Temer afetam diretamente. Porque as organizações do terceiro setor trabalham na defesa dos direitos da criança, do adolescente, do meio ambiente, dos indígenas, das mulheres, dos negros, e obviamente as pautas conservadoras afetam as organizações porque até então o estado é um parceiro do terceiro setor, dessas organizações […]. [A crise política e econômica] Só não têm impacto nas organizações que ainda promovem a filantropia e o assistencialismo. Essas organizações que fazem assistencialismo não têm compromisso nenhum no campo da defesa de direitos, porém nas organizações comprometidas, […] isso tem um efeito muito grande. Porque o terceiro setor faz parte da sociedade civil e a sociedade civil é atingida diretamente pelas as questões econômicas e políticas, que vão desde os arrochos, a questão do desemprego, até as pautas conservadoras que incluem diferentes indivíduos. Isso afeta obviamente as ações e programas do terceiro setor.

3- Como você avalia o papel da sociedade civil organizada na luta por um país democrático e contra a perda de direitos?

A gente vê um movimento de organizações frente a toda essa conjuntura de retrocesso social, político, enfim, em todos os campos, a gente vê uma parte dessas organizações reagindo, lutando, formando grupos de trabalho, fóruns de discussão. Por exemplo, um dos projetos que voltou a tona agora é a redução da maioridade penal, então têm fóruns de organizações que trabalham com crianças e adolescentes se articulando e pressionando o governo contra essas pautas. Não somente isso, mas organizações também no campo dos direitos indígenas, dos direitos quilombolas e direitos das mulheres. Então o papel da sociedade civil hoje, e sempre deveria e deve ser, é de articulação, de pressão, intervensão nesse campo. O terceiro setor tem que sair ou um pouco do seu umbigo, das suas micro realidades, micro organizações, as questões somente da gestão, da sustentabilidade, e ir pro campo da luta, porque isso afeta diretamente todas as suas ações. E o papel [do terceiro setor] tem que ser um papel ativista, um papel de articular, de pressionar melhorias, projetos, em prol da sociedade civil. Porém, nem todas as organizações pensam e atuam dessa forma, porque muitas acham que isso é papel dos movimentos sociais, dos movimentos populares e dos coletivos. Elas acham que elas têm que cuidar da gestão e de seus projetos, na verdade não são seus projetos, são projetos da sociedade civil. O terceiro setor é um ator dentro desse campo e no campo da luta por direitos e por um país mais democrático, a sociedade civil organizada tem um papel fundamental, ainda mais em tempos de perda de direitos. A sociedade civil tem sim que articular, sair de dentro da sua casinha e pressionar, como algumas estão fazendo.

4- Hoje, muitas organizações enfrentam desafios para captar recursos. Isso pode ser também reflexo do momento político e econômico que estamos vivendo? O que isso representa?

Piorou muito a captação de recursos frente a crise econômica e política do país […], a conjuntura afeta a todos inclusive a sustentabilidade dessas organizações. Porém, esse não é um fato novo… a captação de recursos sempre foi um problemas pras organizações de uma forma geral no Brasil. Pela ausência de capacitação, de formação e muito amadorismo nesse campo da captação ou mobilização de recursos. Amadorismo no sentido de não saber como captar, ou depender somente de uma fonte, por exemplo o estado. Muitas organizações dependem 100% do estado, imagine na atual conjuntura de afastamento do estado nas questões sociais e da perda de direitos, o que acontece com essas organizações? Elas estão fechando. Então captação de recursos significa uma intervenção mais sistemática, mais profissional. Organizar uma área de captação de recursos, diversificas as fontes, parceiros, metodologias, campanhas. Então eu diria que esse sempre foi um desafio. As organizações investirem de forma séria numa captação de recursos mais profissional e não amadora […]. Isso sempre foi um desafio, como pensar a captação e a sustebtabilidade a médio e longo prazo, não a curto prazo. […] Muitas organizações não se prepararam pra essa crise econômica, principalmente as organizações de pequeno e médio porte […]. Agora é a hora das organizações fazerem uma auto crítica, uma auto reflexão, que não é porque é terceiro setor que não devemos ser mais profissionais; adotar uma sistematização séria e profissional no campo de captação de recursos não quer dizer que vai virar empresa privada ou que vai acabar com a missão, destruir a causa, pelo contrário, é fortalecer, se preparar, ter uma gestão mais profissional, mais sustentável, e em tempos de crise obviamente ter um preparo maior para poder levar as atividades e projetos adiante […].